22/04/2024 - Edição 540

Poder

Lula se reúne com Kerry e quer Brasil sede de cúpulas internacionais

No G20, Biden anuncia fundos para infraestrutura no país

Publicado em 15/11/2022 9:43 - Jamil Chade (UOL), DW – Edição Semana On

Divulgação Reprodução

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O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva quer colocar o Brasil na rota das principais cúpulas internacionais, como forma de recuperar a credibilidade diplomática do país no exterior e voltar a ser protagonistas em alguns dos principais temas globais.

Nesta terça-feira (15), Lula terá seu primeiro encontro oficial na COP27 (Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas). O presidente eleito estará com John Kerry, o enviado de Joe Biden para o Clima. A reunião será reservada, mas o tom do brasileiro será o de dar garantias ao americano de que seu governo colocará a questão ambiental no centro da estratégia de política externa, além de dar sinalizações de que recursos serão colocados para reerguer órgãos ambientais no Brasil.

Lula, porém, também leva um discurso para a COP27 de que tal mudança não significa abrir mão da soberania nacional e que todos os projetos de cooperação serão feitos com a liderança do governo brasileiro quando o assunto for a Amazônia.

Do lado americano, a Casa Branca insiste que quer estabelecer um novo capítulo de cooperação com o Brasil, depois de anos turbulentos com Bolsonaro. Mas vai querer ver, do lado brasileiro, compromissos e metas reais de redução do desmatamento.

O tom, porém, será o de que os dois países querem “reiniciar” a relação bilateral, agora sob nova lógica. Ainda repercute internamente no governo americano reuniões consideradas como constrangedoras com o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Parte da estratégia brasileira é a de convencer o mundo de que o governo quer assumir um papel de protagonismo. Para 2023, o governo quer usar já o primeiro ano de mandato para sediar na Amazônia uma conferência internacional sobre o Clima. A costura está sendo feita inclusive com o governo de Gustavo Petro, na Colômbia, e deve estar no foco das atenções do mundo quando Lula subir ao palco no Egito para discursar amanhã, quarta-feira.

Para os articuladores da nova política externa, a Amazônia servirá de cartão de visitas de uma nova inserção internacional do país, reabrindo portas para outros debates e servindo de fiadora para o retorno do Brasil no cenário internacional.

No segundo ano do governo, em 2024, o foco será o G20, bloco que reúne as maiores economias do planeta. O Brasil assume a presidência do principal grupo político do mundo e terá de organizar uma dezena de reuniões setoriais, além da própria cúpula do G20, no final do ano.

A agenda de 2024 começará já a ser trabalhada a partir do ano que vem. Mas a esperança é de que o mundo possa finalmente começar a falar em uma real recuperação da economia, depois de dois anos de pandemia e um ano de guerra na Ucrânia. Incertezas geopolíticas devem, porém, continuar a dominar o cenário internacional.

O encontro no Brasil ainda tem como meta apagar presenças desastrosas de Bolsonaro em cúpulas anteriores. Na Cúpula de 2021, em Roma, o presidente faltou a reuniões, ficou isolado e não teve encontros bilaterais com nenhum dos grandes líderes.

Para 2025, a meta é ainda a de atrair para o Brasil a Cúpula do Clima, a COP30. Lula deve fazer um gesto durante sua passagem pelo Egito, nesta semana.

Para a edição em três anos, caberá à América Latina sediar e, nos bastidores, embaixadores brasileiros já percorrem missões estrangeiras tentando costurar um apoio de toda a região para que o Brasil seja a sede.

Em 2019, a COP seria realizada no Brasil. Mas antes mesmo de assumir o governo, o então presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou aos organizadores do evento que o país não teria mais interesse em realizar a cúpula. A ONU foi obrigada a acelerar uma mudança de planos, ainda que uma parcela dos organizadores respirou aliviado diante da decisão do Brasil.

O temor era de que, com um governo cético em relação às mudanças climáticas, seria o próprio processo negociador que ficaria estagnado ou até mesmo sofreria retrocessos caso estivesse nas mãos de Ricardo Salles, naquele momento o ministro de Meio Ambiente.

Com a organização das cúpulas, o governo Lula quer dar um sinal de que o Brasil vai estar nas mesas de negociações e quer ter sua voz ouvida. Membros da equipe do presidente eleito já indicaram que um dos focos da política externa será o de assumir temas globais, como segurança, paz, comércio, desenvolvimento, meio ambiente e combate à fome.

Ainda na gestão de Lula, outras duas cúpulas ocorrerão no Brasil: em 2025, o país preside os Brics (China, Rússia, Índia e África do Sul), Em 2023, existe ainda a possibilidade de que o Brasil receba a cúpula do IBAS, iniciativa que une sul-africanos, indianos e brasileiros.

Além desses eventos, Lula ainda estará no Conselho de Segurança da ONU, em seu primeiro ano de governo e como herança da volta do Brasil ao órgão durante a gestão de Bolsonaro. O Itamaraty também conduzirá uma campanha para obter votos para que, em 2024, o Brasil volte a ocupar uma das cadeiras do Conselho de Direitos Humanos da ONU, num mandato que irá até 2026.

G20

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta terça-feira (15) novos investimentos em projetos no Brasil, em Honduras e na Índia, entre outras nações, com o objetivo de melhorar a infraestrutura de países em desenvolvimento.

Biden fez o anúncio durante num evento na cúpula do G20, realizada na ilha indonésia de Bali, juntamente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e seu homólogo indonésio, Joko Widodo.

Biden anunciou um investimento de 30 milhões de dólares (cerca de R$ 160 milhões) da agência federal americana US Development Finance Corporation (DFC) para o desenvolvimento no Brasil de instalações para transformação de minerais como cobalto e níquel, essenciais para a fabricação de veículos elétricos, painéis solares e outras energias renováveis.

Contraponto do G7 à Nova Rota da Seda

O anúncio faz parte da Parceria para Infraestrutura e Investimento Global (PGII, na sigla em inglês), iniciativa liderada pelo G7 para investir em infraestrutura em países em desenvolvimento e que busca ser uma resposta ao megaprojeto de infraestrutura chinês conhecido como Nova Rota da Seda.

No contexto dessa iniciativa, Biden também anunciou outro investimento da DFC de cerca de 15 milhões de dólares em infraestrutura de saúde na Índia. Incluído no pacote estará dinheiro para a expansão de uma rede de clínicas oftalmológicas e para uma empresa indiana que fabrica produtos de higiene feminina acessíveis.

Um dos maiores projetos da PGII será desenvolvido em Honduras, onde serão instalados painéis solares com equipamentos americanos. Isso será possível graças a uma garantia de empréstimo de 52 milhões de dólares que o Export-Import Bank dos EUA, uma agência de crédito à exportação, dará à empresa J.P. Morgan, que acabará financiando a compra pelo Banco Atlantida de Honduras dos equipamentos necessários para os painéis solares.

Por fim, Biden anunciou outros investimentos para ajudar a Indonésia a acelerar sua transição para energia limpa e projetos para aumentar o acesso à internet na Libéria.

Energia renovável

Sobre a PGII, Ursula von der Leyen afirmou que a iniciativa permitirá que seus signatários unam forças para responder à “demanda muito crescente” por energia renovável, para a qual os países do Sul global podem contribuir com “abundância de recursos naturais e potencial de energia limpa”.

Do bloco europeu, o aporte financeiro virá da sua Global Gateway Strategy, que promove projetos sustentáveis e de qualidade para as pessoas e o planeta e prevê 300 bilhões de euros em investimentos em países terceiros nos próximos cinco anos, embora Von der Leyen não tenha especificado um número específico.


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