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Poder

Lula lidera corrida para 2026 mesmo com aprovação em queda

Presidente venceria em todos os cenários de segundo turno, mostra pesquisa

Publicado em 03/04/2025 10:38 - Semana On

Divulgação Ricardo Stuckert - Abr

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Mesmo diante da pior avaliação de seu mandato e de um crescente descolamento entre governo e juventude, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue como o nome mais forte para a eleição presidencial de 2026. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana revela que Lula venceria todos os principais adversários de direita em simulações de segundo turno — um sinal de que, apesar da desaprovação em alta, o campo progressista ainda tem capital político suficiente para frear o avanço conservador.

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No cenário mais simbólico, que simula uma reedição do segundo turno de 2022, Lula aparece com 44% das intenções de voto contra 40% do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Apesar do empate técnico, o petista mantém vantagem numérica. Contra outros nomes da direita, a dianteira se mantém: Michelle Bolsonaro (44% x 38%), Tarcísio de Freitas (43% x 37%), Romeu Zema (43% x 31%) e Ronaldo Caiado (44% x 30%), entre outros.

No entanto, os bons números eleitorais contrastam com uma tendência preocupante: a desaprovação ao governo subiu para 56%, enquanto a aprovação caiu para 41%, segundo o mesmo levantamento. Trata-se do pior resultado desde o início do mandato. A diferença entre os dois indicadores agora é de 15 pontos percentuais, marcando uma inflexão relevante na curva de popularidade do presidente. Em janeiro, as taxas ainda estavam tecnicamente empatadas, com 47% de aprovação e 49% de desaprovação.

O dado mais sensível, porém, vem da faixa etária entre 16 e 34 anos. Nesse grupo, a desaprovação ao governo saltou de 52% para 64% nos últimos dois meses. A aprovação caiu de 45% para apenas 33%. Este é um sinal de alerta estratégico: a juventude que ajudou a eleger Lula em 2022, com forte mobilização em redes sociais e movimentos sociais, hoje demonstra frustração e distanciamento.

Esse distanciamento é sintomático de um fenômeno mais amplo: a crise de representação política em um país marcado por desigualdade estrutural e promessas não cumpridas. A juventude brasileira — mais educada, conectada e politizada do que em gerações anteriores — cobra respostas concretas a temas urgentes como justiça climática, reforma educacional, inclusão digital, combate ao racismo e à violência policial. A ausência de ações visíveis e transformadoras tem gerado uma erosão silenciosa, mas profunda, de confiança no governo.

“A juventude não quer mais esperar. Ela exige mudanças palpáveis, e o discurso progressista precisa se traduzir em prática”, afirmou a cientista política Esther Solano, professora da Unifesp, em entrevista à BBC Brasil (2022). Esse sentimento de urgência é amplificado pela precarização do trabalho, pelas dificuldades de acesso à moradia e pela crise de saúde mental que afeta milhões de jovens no país.

Apesar disso, Lula ainda se beneficia de um fator decisivo: a rejeição expressiva ao bolsonarismo. A pesquisa aponta que 44% dos entrevistados têm mais medo da volta de Jair Bolsonaro ao poder do que da continuidade do atual governo, enquanto 41% manifestam o temor oposto. Isso mostra que, mesmo com desgaste, o presidente ainda é visto como um “mal menor” diante da ameaça autoritária representada pelo ex-presidente — cuja gestão ficou marcada por ataques às instituições democráticas, à imprensa, à ciência e aos direitos humanos.

Essa percepção funciona como escudo contra a ascensão de uma nova direita que, apesar de crescer pontualmente em aprovação, ainda carece de coesão discursiva e liderança nacional. Nenhum dos nomes testados na pesquisa ultrapassa os 38% em simulações de segundo turno. A fragmentação da direita revela não apenas uma disputa interna por espaço, mas também a ausência de uma narrativa unificadora que substitua o carisma populista e polarizador de Bolsonaro.

Para o historiador e cientista político Christian Lynch, da Uerj, o Brasil vive um momento de “entressafra política”, em que os protagonistas tradicionais perdem força, mas ainda não surgem alternativas estruturadas. Em entrevista ao El País Brasil (2023), ele argumenta que “as lideranças do centro e da direita ainda não conseguiram se apresentar como opção viável à esquerda popular, que mantém uma base resiliente mesmo sob desgaste”.

Outro elemento relevante da pesquisa é a indefinição do eleitorado: 80% dos entrevistados ainda não têm candidato definido para 2026. Isso reforça que o cenário permanece fluido, com margem para reconfigurações até o próximo pleito — e pressiona Lula a reagir antes que o declínio de popularidade se converta em perda de competitividade.

O desafio para o presidente nos próximos meses será reconstruir pontes com a juventude, estabilizar sua base política e dar respostas concretas aos temas sensíveis da agenda pública. O que está em jogo vai além da reeleição: é a capacidade de renovar o pacto democrático com uma sociedade cansada de promessas e traumatizada por quatro anos de autoritarismo.

A liderança numérica nas pesquisas, embora significativa, não é garantia de vitória — mas um convite à ação. Como mostrou a história recente da política brasileira, popularidade é um ativo volátil, e o tempo político pode virar com velocidade surpreendente.

A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 2004 brasileiros por entrevistas presenciais no período de 27 a 31 de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para um nível de confiança de 95%.

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