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Poder

Lula é alvo em 24ª fase da Lava Jato

Publicado em 04/03/2016 12:00 -

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A Polícia Federal realizou na manhã desta sexta-feira (4) a 24ª fase da Operação Lava Jato no prédio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu filho Fábio Luíz Lula da Silva – também conhecido como Lulinha.

Essa fase da operação, batizada de Aletheia, apura se empreiteiras e o pecuarista José Carlos Bumlai favoreceram Lula por meio do sítio em Atibaia e o tríplex no Guarujá. O ex-presidente nega as acusações.

Em sua manifestação mais contundente desde o início da Lava Jato, a força-tarefa do Ministério Público Federal afirmou em nota que Lula é "um dos principais beneficiários" de crimes cometidos no âmbito da Petrobras.

Lula foi levado para o aeroporto de Congonhas (zona sul), onde prestou depoimento à Polícia Federal.

O ex-presidente foi alvo de mandado de busca e apreensão e de condução coercitiva (quando o investigado é obrigado a depor). Os advogados dele tinham entrado com habeas corpus para evitar a medida, mas ele valia só para São Paulo, e não para Curitiba, de onde despacha o juiz federal Sergio Moro. Segundo relatos, o petista estava "tranquilo" dos momentos iniciais até a condução coercitiva.

Lula e Lulinha

Os carros da PF chegaram às 6h à sua casa, em São Bernardo. Quatro carros entraram na garagem do prédio e cerca de dez agentes ficaram na portaria. A mulher de Lula, dona Marisa, não está na condução coercitiva.

Cerca de 200 agentes da PF e 30 auditores da Receita Federal cumprem, ao todo, 44 mandados judiciais, sendo 33 mandados de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Bahia. São investigados crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros, relacionados à Petrobras. A determinação da busca e apreensão é do juiz Moro, de Curitiba.

Na casa de Lulinha, em Moema, dois carros da PF e um da Receita Federal foram usados na diligência. Os agentes chegaram ao prédio dele às 6h e não falaram com a imprensa. Moradores relatam movimentação intensa da PF no interior do prédio.

A Polícia Federal também realizou uma operação de busca e apreensão no tríplex no Guarujá. Quatro agentes chegaram ao Condomínio Solaris Astúrias por volta das 6h e ficaram lá até 11h15. Eles também ouviram funcionários e moradores do prédio. A chegada dos policiais despertou grande curiosidade entre moradores turistas. "Chama bastante atenção, a gente que mora próximo fica sempre de olho pois sabe que algo pode acontecer", afirmou Vivian Camargo, moradora de um prédio vizinho.

Há também agentes da PF no Instituto Lula e na Odebrecht. E mandados para Atibaia, onde está o sítio, além de Santo André e Manduri. A PF realiza busca e apreensão na casa e na empresa do outro dono do sítio no papel, Jonas Leite Suassuna Filho, que também é sócio de Lulinha.

Alvos

Além de Lula, entre os alvos dessa fase da Lava Jato estão a mulher dele, Marisa, os filhos Marcos Cláudio, Fábio Luis e Sandro Luis, e a nora Marlene Araújo. Na lista de alvos também estão os empresários Fernando Bittar e Jonas Leite Suassuna Filho, assim como Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula. Entre as empresas há a empreiteira OAS e a Gamecorp – do filho de Lula, Fabio Luis.

Na capital paulista, foram 18 mandados de busca e apreensão e seis de condução coercitiva; em São Bernardo, cinco de busca e apreensão e dois de condução coercitiva; Atibaia, duas buscas e apreensões e uma condução coercitiva; Guarujá, uma busca e apreensão; Diadema, uma busca e apreensão e uma condução coercitiva; em Santo André, uma busca e apreensão, assim como em Manduri.

No Rio de Janeiro (RJ) foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Já em Salvador, na Bahia, foram duas buscas e apreensões e uma condução coercitiva.

“Não vou abaixar a cabeça”, diz Lula

O ex-presidente Lula disse que não vai abaixar a cabeça e que se sentiu um prisioneiro durante a ação da Polícia Federal. Segundo o petista, "o que aconteceu hoje precisava acontecer para que o PT pudesse levantar a cabeça".

O petista reagiu duramente durante a coletiva de im prensa, após o depoimento à Polícia Federal. "O que eles [a PF, o Ministério Público Federal] fizeram com esse ato de hoje, é que, a partir da próxima semana, CUT, PT, sem-terras, PC do B, me convidem, que eu vou andar esse país."

Lula disse que se sentiu indignado pelo fato de delegados da PF terem aparecido em sua casa às 6h cumprindo ordens do juiz Sérgio Moro. "Ele poderia ter me mandado um comunicado pedindo para eu depor, eu iria. Me senti um prisioneiro hoje de manhã", disse.

"Lamentavelmente, eles preferiram utilizar a prepotência, a arrogância, num espetáculo de pirotecnia. (…) Eles ascenderam em mim a chama de que a luta continua", declarou Lula durante coletiva na sede nacional do Partido dos Trabalhadores, na região central de São Paulo.

Lula afirmou que o comportamento dos investigadores é "muito grave" e que ele já havia prestado esclarecimentos: "Em 5 de janeiro, suspendi minhas férias para prestar depoimento em Brasília."

O ex-presidente disse acreditar em instituições fortes e que elas são a garantia do estado democrático. "Mas uma instituição forte precisa ter pessoas muito responsáveis".

Para ele, há uma tentativa de "criminalizar o PT". "Ser amigo de Lula é uma coisa criminosa hoje no Brasil, afirmou.

Sem novidades

Lula não esclareceu as suspeitas de que empreiteiras tenham pago reformas em um apartamento no Guarujá e num sítio em Atibaia que seriam frequentados pelo ex-presidente. Num dos poucos comentários que fez sobre as investigações, disse que "todo mundo pode ter um amigo que tenha uma casa de praia ou um sítio. Menos essa merda desse metalúrgico aqui".

Sobre os altos valores que ele teria recebido por palestras de empreiteiras, Lula disse apenas que se transformou "no conferencista mais caro do mundo, junto com o Bill Clinton", porque o mundo queria saber como o governo conseguiu aprovar medidas como o Prouni, que dá bolsas para universitários. "Não tenho complexo de vira lata."

"Eu e meus companheiros me levaram a ser presidente desse país, e fui melhor que todos eles [os outros presidentes], que todos cientistas políticos, fazendeiros, advogados."

Defesa de Dilma

O ex-presidente também saiu em defesa da presidente Dilma Rousseff. "Estão cerceando a liberdade de Dilma a governar o país. Se tem alguém neste país que precisa de autonomia é a presidente da República. Ninguém quer que essa mulher governe este país. Desde 26 de outubro de 2014, eles não estão permitindo que a Dilma governe."

"Ao eleger Dilma, eu tinha consagrado a minha vida. Presidente bom é o que se reelege. E tribom é o que se reelege", disse o ex-presidente. Para ele, muitos se sentiram incomodados "quando os pobres começaram a ter acesso a emprego e educação".


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