01/03/2024 - Edição 525

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Lula decreta intervenção federal no DF até 31 de janeiro

Medida é reação a passividade do governador Ibaneis Rocha e da PM do Distrito Federal

Publicado em 08/01/2023 5:36 - Folha de SP, UOL, Congresso em Foco – Edição Semana On

Divulgação Reprodução

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (8) que todos os manifestantes golpistas que invadiram e vandalizaram as sedes dos Três Poderes serão encontrados e punidos.

O petista disse que eles são verdadeiros vândalos e anunciou a intervenção federal na área de segurança do Distrito Federal até o fim de janeiro.

Lula disse que os manifestantes poderiam ser chamados de nazistas e fascistas e disse que a esquerda nunca protagonizou um episódio similar a este no Brasil.

“Eles vão perceber que a democracia garante direito de liberdade, livre expressão, mas ela também exige que as pessoas respeitem as instituições que foram criadas para fortalecer a democracia”.

O presidente ainda culpou seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), e disse que ele também é responsável pelos atos de vandalismo que se espalharam por Brasília.

À tarde, manifestantes golpistas entraram na Esplanada dos Ministérios, invadiram áreas do Congresso, do Planalto e do STF (Supremo Tribunal Federal), espalharam atos de vandalismo em Brasília e entraram em confronto com a Polícia Militar.

A ação de apoiadores de Jair Bolsonaro ocorre uma semana após a posse de Lula, antecedida por atos antidemocráticos insuflados pela retórica golpista do ex-presidente no período eleitoral.

O presidente afirmou que visitará os palácios que foram depredados. Ele lembrou os atos de vandalismo na área central de Brasília no fim de dezembro e criticou as forças de segurança da capital.

“A Polícia Militar estava guiando e vendo eles tocar fogo em ônibus e não fazia absolutamente nada. Esses policiais não poderão ficar impunes e não poderão participar”, disse.

Lula disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sempre estimulou a invasão às sedes do STF e do Congresso e só não incentivava que entrassem à força no Palácio do Planalto porque estava lá dentro. “Isso também é da responsabilidade dele, dos partidos que sustentam ele e tudo isso vai ser apurado com muita força e muita rapidez”, afirmou.

O petista disse que determinará a apuração dos financiadores das manifestações bolsonaristas e que exigirá a responsabilização deles.

“Espero a partir desse decreto não só cuidar da segurança do DF, mas garantir que isso não se repetirá. É preciso que essa gente seja punida de forma exemplar, que ninguém nunca mais ouse com a bandeira nacional nas costas ou camiseta da seleção se fingirem de nacionalistas, se fingirem de brasileiros e façam o que eles fizeram hoje”, declarou.

Lula disse que os vândalos poderiam ser chamados de nazistas e fascistas e disse que a esquerda nunca protagonizou um episódio similar a este no Brasil.

“Eles vão perceber que a democracia garante direito de liberdade, livre expressão, mas ela também exige que as pessoas respeitem as instituições que foram criadas para fortalecer a democracia”.

Lula também criticou Anderson Torres, que foi exonerado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) neste domingo da Secretaria de Segurança da capital.

“O secretário de Segurança dele [Ibaneis] todo mundo sabe a fama dele de ser conivente com as manifestações”, afirmou.

Secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Garcia Cappelli será o responsável por conduzir a intervenção no DF. Ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Cappelli militou durante vários anos no Partido Comunista do Brasil (PCdoB), mas migrou juntamente com Dino para o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Nos governos Lula e Dilma, foi secretário nacional de Esporte Educacional e de Incentivo ao Esporte.

Ele foi um dos principais assessores de Dino durante os seus dois mandatos como governador do Maranhão – inicialmente, na condição de representante do governo em Brasília e depois como secretário de Comunicação.

Diante das evidências de que a Polícia Militar do Distrito Federal tenha sido conivente ou pelo menos agido sem a devida força para evitar as invasões, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, resolveu exonerar o secretário de Segurança, Anderson Torres. Antes, Torres foi o ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e já tinha sido pouco ativo nos episódios que aconteceram no dia da diplomação de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No Twitter, o ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino afirmou que “essa absurda tentativa de impor a vontade pela força não vai prevalecer”. “O Governo do Distrito Federal afirma que haverá reforços. E as forças de que dispomos estão agindo. Estou na sede do Ministério da Justiça”, afirmou o ministro.


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