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Poder
"Só temos uma coisa desajustada neste país: é o comportamento do Banco Central", disse o presidente
Publicado em 18/06/2024 10:39 - ICL Notícias, Jamil Chade (UOL) - Edição Semana On
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Em entrevista à rádio CBN, o presidente Lula disse nesta terça-feira (18) que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto trabalha para prejudicar o país e tem um lado político. O jantar que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, fez em homenagem ao presidente do BC foi citado por Lula para exemplificar tal influência.
“O presidente do Banco Central, que não demonstra nenhuma capacidade de autonomia, que tem lado político e que, na minha opinião, trabalha muito mais para prejudicar o país do que para ajudar o país”, disse.
O presidente criticou a taxa de juros, que, segundo ele, não tem motivo para continuar alta.
“[Tarcísio de Freitas] Tem mais [poder de influência] que eu. Não é que ele encontrou com Tarcísio numa festa. A festa foi para ele, foi homenagem do governo de São Paulo para ele, certamente porque o governador de São Paulo está achando maravilhoso a taxa de juros de 10,5%”, disse Lula.
“Quando ele se auto lança a um cargo…Vamos repetir [Sérgio] Moro? Presidente do Banco Central está disposto a fazer mesmo papel que Moro fez, paladino da justiça com rabo preso, com compromissos políticos?”, criticou.
Várias notícias veiculadas na grande imprensa dão conta de que Campos Neto estaria negociando com Tarcísio um eventual cargo de ministro da Fazenda, caso o atual governador de São Paulo se torne presidente da República.
“A quem esse rapaz é submetido, como ele vai numa festa em São Paulo, quase assumindo candidatura, um cargo no governo de São Paulo? Cadê a autonomia dele?”, cobrou.
“Só temos uma coisa desajustada neste país: é o comportamento do Banco Central. Essa é uma coisa desajustada. Presidente que tem lado político, que trabalha para prejudicar o país. Não tem explicação a taxa de juros estar como está”, declarou.
‘Mercado deveria estar exigindo que o BC baixasse juros’, diz Lula
O presidente Lula sugeriu ao mercado que pressione o Banco Central para que baixe as taxas de juros. As declarações ocorreram no último dia 13. Lula deixou claro que seu foco “é o povo”. “O mercado deveria estar exigindo que o Banco Central baixasse os juros”, disse.
“Eu não governo preocupado com o mercado. Quero me preocupar com o povo brasileiro. Quero saber como está o povo. Se o povo estiver bem, pode declarar”, disse o presidente.
Na avaliação de Lula, seu governo vai terminar com um “desempenho extraordinário”. “Eu acho que vamos fazer um extraordinário governo”, disse.
“O Brasil vai no rumo que queremos que vá. Estou convencido disso. Não há nada que faça não acreditar que vamos ter um desempenho extraordinário no final do governo”, afirmou Lula.
“Governar é como plantar algo. Você planta, precisa preparar a terra, jogar a água e ai vai colher, E estamos no processo de colheita das coisas boas que plantamos”, completou.
Lula saiu em defesa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e disse que o debate sobre desoneração agora depende do Senado e dos empresários. No último dia, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, devolveu para o governo federal a MP do PIS/Cofins, apresentada pela Fazenda. Apelidada de “MP do fim do mundo”, ela era alternativa para compensar a perda de arrecadação causada pela desoneração da folha de pagamento de municípios e 17 setores da economia.
A MP gerou fúria em parte do mercado, sobretudo no agronegócio. O presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), João Martins, chegou a dizer que foi convidado para um encontro com Lula, mas que se recusava a conversar com o presidente.
Para Lula, Haddad tentou “ajudar os empresários” propondo a reoneração. “Nem deveria ter sido o Haddad para assumir essa responsabilidade, mas o Haddad assumiu, fez uma proposta. Os mesmos empresários não quiseram”, disse o presidente, após discurso na OIT (Organização Internacional do Trabalho), na Suíça.
A devolução foi encarada como uma derrota para o governo, em especial para Haddad. Incomodado com as críticas ao ministro, disse que Haddad é “extraordinário”.
“Não sei qual é a pressão contra o Haddad. Todo ministro da Fazenda, desde que me conheço por gente, ele vira o centro dos debates, quando a coisa dá certo, quando a coisa não dá certo”, disse Lula.
O presidente lavou as mãos. “Se, em 45 dias, não houver acordo sobre compensação, o que vai acontecer? Vai acabar a desoneração, que era o que eu queria, por isso que eu vetei naquela época”, completou.
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