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Poder

Líder de direitos humanos na Câmara dos EUA ridiculariza bolsonarista

Paulo Figueiredo, neto do último ditador brasileiro, faz parte da rede de fakenews que opera no exterior

Publicado em 25/06/2025 9:40 - Jamil Chade - UOL

Divulgação Reprodução

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Paulo Figueiredo, neto do último ditador brasileiro João Baptista Figueiredo, foi ironizado por um dos principais expoentes da defesa dos direitos humanos na Câmara dos Deputados dos EUA nesta terça-feira, em Washington.

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O bolsonarista esteve numa audiência na Comissão de Direitos Humanos do Congresso americano, repetindo as mentiras sobre a existência de uma suposta ditadura no Brasil e chamando o ministro Alexandre de Moraes de “ditador de fato do Brasil”. O neto do último general do regime militar pedia sanções contra autoridades brasileiras e atua, ao lado de Eduardo Bolsonaro, para convencer o governo de Donald Trump a agir contra o STF.

Se congressistas republicanos aliados ao movimento de extrema direita americana lhe dão atenção e se as chances são reais de que a Casa Branca opte por uma ofensiva contra o Brasil, a realidade foi bem diferente quando chegou a vez do deputado democrata Jim McGovern tomar a palavra, nesta terça-feira.

“Fico feliz que você (Figueiredo) se sinta seguro como jornalista nos EUA. Não tenho certeza se me sinta seguro como político nos EUA, mas essa é a realidade”, disse o co-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, arrancando risadas da sala e rebatendo uma fala do brasileiro que fazia supostas denúncias de repressão no Brasil.

Neste momento, o neto do ex-presidente brasileiro interrompeu o deputado e questionou se existia algum político americano preso.

“Um senador foi levado ao chão e algemado. E tivemos assassinatos políticos”, rebateu o deputado, imediatamente.

McGovern se referia ao senador democrata Alex Padilla, da Califórnia. Na semana passada, ao tentar fazer uma pergunta para uma secretária do governo Trump, o senador foi algemado e jogado ao chão. O caso gerou uma onda de indignação na classe política americana.

Já o assassinato mencionado se referia à senadora estadual de Minnesota, Melissa Hortman. O autor dos disparos tinha uma lista de alvos a serem atingidos e a polícia temia que ele também estivesse interessado em causar mortes entre os manifestantes contra Trump.

Figueiredo tentou ser irônico, convidando o deputado americano a ir ao Brasil “e tentar”.

“Estou tentando salvar a nossa democracia”, rebateu McGovern, encerrando o diálogo com o neto do ditador.

Quem é o deputado: contra tortura e contra Guantánamo

McGovern é considerado como uma das principais vozes dos direitos humanos no Congresso, tanto no país quanto no exterior. Em sua página oficial, ele insiste que os direitos humanos não são, e não devem ser tratados como, uma questão partidária.

Entre suas ações ao longo dos anos, ele defendeu programas sociais, de saúde e apoiou o fechamento do centro de detenção da Baía de Guantánamo. Ele também foi uma importante voz contra a tortura.

O congressista falou à Câmara dos Deputados sobre o fim da perseguição ao povo Rohingya, apoiou a assistência dos EUA ao governo nigeriano com o objetivo de encontrar quase 300 meninas sequestradas e defendeu os direitos humanos no Bahrein e na Colômbia. Outro foco prioritário do deputado é a defesa dos tibetanos.

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