17/07/2024 - Edição 550

Poder

Ipec dá vitória à Lula no1º turno: ex-presidente sobe 2 pontos e passa a ter 51% dos votos válidos

Lula assegura apoio valioso de Marina Silva

Publicado em 13/09/2022 10:01 - Ivan Longo (Fórum), Thomas Milz (DW), Josias de Souza (UOL) – Edição Semana On

Divulgação Ricardo Stuckert

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Nova pesquisa presidencial Ipec, divulgada na segunda-feira (12), aponta que o ex-presidente Lula (PT) cresceu dois pontos percentuais e está cada vez mais próximo de vencer a eleição já em primeiro turno.

Segundo o levantamento, o petista, que tinha 44% das intenções de voto no último estudo do Ipec, de 5 de setembro, atingiu 46%. Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, ficou estagnado com os mesmos 31% que já tinha registrado na pesquisa anterior.

Ciro Gomes (PDT), por sua vez, caiu um ponto e marca 8%, enquanto Simone Tebet (MDB) manteve o índice de 4% das intenções de voto.

Com os novo números, Lula atinge 51% dos votos válidos, isto é, desconsiderando os brancos e nulos, e neste cenário liquidaria o pleito já no primeiro turno.

Confira os números das intenções de votos totais 

– Lula (PT): 46%

– Jair Bolsonaro (PL): 31%

– Ciro Gomes (PDT): 7%

– Simone Tebet (MDB): 4%

– Felipe d’Avila (Novo): 1%

– Soraya Thronicke (União Brasil): 1%

– Não sabe/não respondeu: 4%

Veja o índice de votos válidos

– Lula (PT): 51%

– Bolsonaro (PL): 35%

– Ciro (PDT): 8%

– Tebet (MDB): 4%

– Felipe d’Avila (Novo): 1%

– Soraya Thronicke (União Brasil): 1%

Segundo turno 

A pesquisa Ipec também simulou um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro. O petista ganhou um ponto com relação ao levantamento anterior do instituto e venceria com 53%, contra 36% do atual presidente, que manteve o índice da última pesquisa.

O estudo contou com 2.512 entrevistas feitas em 158 municípios brasileiros entre os dias 9 e 11 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Lula assegura apoio valioso de Marina Silva

Foi uma surpresa ver o ex-presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva e sua antiga ministra do Meio Ambiente juntos na campanha eleitoral. Para quem não sabe, Marina Silva (Rede), além de ter sido companheira de luta do líder seringueiro Chico Mendes, foi afiliada ao PT entre 1986 e 2009. No governo Lula, comandou a pasta ambiental entre 2003 e 2008 e foi responsável por melhorarias significativas nos índices de desmatamento.

Com o aumento da fiscalização das áreas de proteção, a taxa de desmatamento encolheu de quase 28 mil quilômetros quadrados em 2004 para menos de 5 mil quilômetros quadrados em 2012. Ficou claro pelas falas de Lula e Marina na segunda-feira (12/09) que, caso Lula seja eleito, os dois querem voltar a impor uma fiscalização rígida na Amazônia, com tolerância zero para garimpeiros e madeireiros.

Isso é um sinal forte para antigos parceiros internacionais que se afastaram do Brasil por causa da política ambiental de Jair Bolsonaro, como os governos da Alemanha e da Noruega, que financiaram o Fundo Amazônia para combater a destruição da floresta. Também é um sinal positivo para uma reaproximação com a União Europeia e os Estados Unidos de Joe Biden, depois do afastamento durante o governo Bolsonaro também devido à política ambiental.

A adesão de Marina não deverá trazer muitos votos para Lula – após obter quase 20 milhões de votos que como candidata à Presidência no primeiro turno de 2010, e mais de 22 milhões em 2014, ela encolheu para cerca de um milhão em 2018. Mas o apoio da ex-ministra terá um importante impacto na narrativa que Lula está construindo para a eleição de outubro: a da grande reconciliação.

Pois a saída de Marina do governo petista, em 2008, depois de divergências fortes com a então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff e com a política de desenvolvimento da região amazônica, e sua saída subsequente do PT deixaram feridas. Principalmente em Marina.

A situação piorou com a campanha suja do PT contra Marina nas eleições de 2014. Assim, a reaproximação entre Marina e o PT “pelo bem do país” se soma à reconciliação entre Lula e Geraldo Alckmin, seu adversário nas eleições de 2006, que hoje é o vice em sua chapa. É a construção de uma frente ampla dos democratas para derrubar Bolsonaro.

Talvez mais significativo para o pleito de outubro seja o fato de Marina ser evangélica. Nas últimas semanas, Lula tem investido pesado para angariar votos no campo evangélico – depois de ter perdido tempo demais. Assim, viu Bolsonaro abrir uma vantagem de 51% a 28% das intenções de voto, segundo a mais recente pesquisa Datafolha. Na última sexta-feira, Lula foi a um encontro com líderes evangélicos em São Gonçalo para tentar reduzir a desvantagem.

A campanha de Lula também publicou uma cartilha para o segmento evangélico, intitulada: “É tempo de esperança, o Brasil tem jeito: O que os evangélicos realmente querem para o Brasil.”

Desde que se converteu à fé evangélica, nos anos 90, Marina mantém vínculos com a Assembleia de Deus. Para Lula, será um ponto de entrada no segmento evangélico, que em 2018 votou majoritariamente em Bolsonaro. Vamos ver se surte efeito.

Maioria do eleitorado de Ciro Gomes e da terceira via namora o voto útil

A oscilação positiva de dois pontos percentuais que o Ipec (ex-Ibope) atribuiu a Lula (46%) ressuscitou a esperança do petismo de derrotar Bolsonaro (31%) no primeiro turno. Nessa pesquisa, Lula obtém 51% dos votos válidos, quando são descontados os brancos e os nulos. Isso caracteriza uma vitória na margem de erro. A mesma sondagem sinaliza que, para transformar uma possibilidade estatística em realidade, Lula terá que seduzir eleitores de Ciro Gomes e dos candidatos da chamada terceira via.

Segundo o Ipec, 80% dos eleitores declaram que sua opção de voto é definitiva. O grau de certeza é ainda mais sólido no eleitorado de Lula (86%) e de Bolsonaro (84%). A convicção se desmancha em relação aos outros candidatos. Mais da metade do eleitorado de Ciro Gomes (52%) afirma que ainda pode mudar de voto. A flacidez é ainda maior entre os eleitores dos demais candidatos: 60% flertam com a mudança de opção.

Ciro aparece na pesquisa com 7% das intenções de voto, contra 8% que havia somado na semana passada. Simone Tebet estacionou em 4%. Soraya Thronicke e Felipe D’Ávila amealharam 1% cada. A atmosfera de fim de feira que envolve essas candidaturas leva os eleitores a olhar em volta à procura de alternativas. Mais bem posto e menos rejeitado do que seu adversário, Lula intensifica a busca pelo voto útil. Se pescar metade do eleitorado de Ciro, coloca um pé de volta no Planalto no primeiro turno. Se conseguir seduzir eleitores de Simone Tebet, coloca os dois pés.

Se a polarização for esticada para o segundo turno, Lula conservará o favoritismo. Hoje, somaria 53% dos votos, contra 36% atribuídos a Bolsonaro. Na transição entre um turno e outro, Bolsonaro cresceria cinco pontos, alcançando um teto baixo para quem ocupa a Presidência e cavalga a máquina federal sem pudores.

Num instante em que o comitê da reeleição tenta ressuscitar o antipetismo de 2018, o eleitor sinaliza a intenção de converter o anti-bolsinarismo na maior força política de 2022.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *