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Poder
Pesquisa mostra que Bolsonaro candidato sofre com peso do Bolsonaro presidente
Publicado em 20/09/2022 9:32 - Leonardo Sakamoto (UOL), Ivan Longo (Fórum) – Edição Semana On
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A pesquisa Ipec, divulgada na noite de segunda (19), mostra que Bolsonaro vem sendo um estorvo para Bolsonaro. Ou seja, o presidente Jair impede que o candidato Jair melhore sua intenção de voto, principalmente entre os mais pobres.
O governante vem despejando diariamente ataques contra seu adversário no rádio, na TV, nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Mesmo assim, a rejeição a Lula, que era de 36% na pesquisa Ipec de 5 de setembro, caiu para 33% na segunda (19). Enquanto isso, a do presidente foi de 49% para 50%. A margem de erro é de dois pontos.
Em votos válidos, isto é, desconsiderando os brancos e nulos, Lula atinge 52%, mais que o suficiente para liquidar o pleito já em primeiro turno. Para isto, basta um candidato ter 50% e mais um voto.
No final das contas, Lula oscilou positivamente de 46% para 47% e Bolsonaro manteve os 31%. Significa que o petista é um teflon e nada gruda nele? Não, na verdade, a culpa é de Jair, o presidente.
Esses números estão diretamente relacionados à outra questão, sobre a avaliação do governo. Os que consideram a atual administração ruim ou péssima passaram de 43% para 47% no mesmo período. Já os que a consideram ótima ou boa permaneceram nos mesmos 30%.
Qual o contexto disso? O IBGE divulgou que o Brasil teve deflação de 0,36% em agosto, porém os alimentos continuaram subindo, registrando 0,24% de alta. Em julho, também houve deflação, mas a comida ficou 1,3% mais cara.
Por exemplo, no mês passado, o leite longa vida caiu 1,78%, mas ainda acumula alta de pornográficos 60,81% nos últimos 12 meses. Tanto que, para muitas famílias virou produto de luxo, sendo trocado por soro de leite ou água.
O alto patamar do preço dos alimentos impacta especialmente os mais pobres, que são a maioria do eleitorado.
Entre quem ganha até dois salários mínimos, Lula oscilou três pontos para cima, entre 12 de setembro e agora, indo de 55% para 58%, enquanto Jair passou de 24% para 20%. E entre quem ganha de um a dois salários, Lula passou de 49% a 51% e Bolsonaro de oscilou de 28% a 27%.
Isso mostra que o pagamento do Auxílio Brasil de R$ 600 ainda não se traduziu em votos para o presidente como ele esperava ao buscar a aprovação da PEC da Compra dos Votos. É possível inferir, baseado nos números do Ipec, que os mais pobres ainda não tiveram a chamada percepção coletiva de melhora da qualidade de vida. Pois não é a chegada dos R$ 600 às contas individuais dos beneficiários que muda o voto, mas as famílias sentirem que a vida delas e de sua comunidade está de fato melhor.
Outras pesquisas vêm mostrando que a população já entendeu que Lula e não Bolsonaro o mais capaz de cumprir a promessa de manter o Auxílio Brasil nesse valor. Com os preços nas alturas e a percepção de que ele é o mais apto a ajudar os vulneráveis, o petista mantém uma fortaleza de votos entre quem ganha até dois salários mínimos.
Enquanto isso, o presidente tenta empurrar a eleição para outubro, contando com a melhora da economia e o pagamento de uma terceira parcela do auxílio.
Existe um eleitor atraído tanto pela segurança material do legado de Lula quanto pelo discurso de costumes e comportamento de Bolsonaro. Devido aos altos preços dos alimentos, esse público está se conectando mais ao discurso do petista, que adota uma campanha baseada na lembrança de como era a vida em seu governo.
Nesse sentido, não adianta Bolsonaro lacrar afirmando que o preço da gasolina em Londres é mais cara que no Brasil, tentando enganar em cima de quem não sabe o que é poder de compra. A sociedade sentiu sim a queda no preço da gasolina por aqui, causada pela redução do ICMS (quando o Congresso tirou à força recursos de educação, saúde e segurança nos Estados para baratear os combustíveis).
Mas, para azar de Jair, os mais pobres, que têm nos alimentos seu principal gasto, não comem gasolina.
Ministro das Comunicações de Bolsonaro fala em “fechamento do instituto” após nova pesquisa
O ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro (PL), Fábio Faria, foi às redes sociais para falar em “fechamento” do Ipec, o instituto de pesquisas eleitorais, após novo levantamento apontar crescimento de Lula e chances do petista vencer o pleito já no 1º turno.
Assim que os novos números vieram à tona, Faria afirmou que, no dia 2 de outubro, data do primeiro turno da eleição, “a população vai cobrar o fechamento desse instituto”.
“Chega desses absurdos com pesquisas eleitorais!!! A hora da verdade está chegando”, esbravejou o ministro, endossando a narrativa de Bolsonaro, que coloca em xeque não só o sistema eleitoral brasileiro, como a credibilidade dos institutos de pesquisa.
Pouco tempo depois, ao ser acusado de estar ameaçando o Ipec, Faria fez nova publicação, afirmando que, se estiver errado, não terá problema “em reconhecer o erro”. “Mas cobrarei o contrário. Dia 02 está logo aí. Aguardemos”, escreveu, com tom intimidador.
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