25/05/2024 - Edição 540

Poder

Inconformismo político motivou ataque a Bolsonaro, diz PF

Publicado em 29/09/2018 12:00 -

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A Polícia Federal afirmou na sexta-feira (28) que o ataque ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) foi motivado por inconformismo político e concluiu que o autor do atentando agiu sozinho. As conclusões do inquérito que apurou o atentado foram apresentadas na sede da PF, em Brasília.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Morais, o autor do ataque, Adelio Bispo de Oliveira, agiu por discordar de algumas opiniões políticas que Bolsonaro defende e o crime não contou com a participação de terceiros.

Na investigação, a polícia analisou dados encontrados nos celulares e computador do suspeito, além de outros documentos e seus dados bancários, que, segundo a PF, não indicaram nenhuma movimentação suspeita e que os recursos correspondiam com pagamentos trabalhistas.

A Polícia Federal afirma ainda que Oliveira planejou o ataque. Ele fotografou diversos locais onde Bolsonaro estaria em Juiz de Fora e acompanhou o presidenciável durante todo o dia do atentado.

Oliveira também chegou a ameaçar o candidato de morte cinco dias antes do ataque numa mensagem publicada numa rede social. De acordo com a PF, há alguns meses, ele tentou comprar uma arma, mas desistiu diante as restrições previstas na legislação.

A PF indiciou Oliveira por crime previsto na Lei de Segurança Nacional (LSN) que prevê uma pena de seis a 20 anos de reclusão em caso de lesão corporal grave. "Havia essa discordância em relação aos projetos políticos do candidato e dessa forma se configurou o crime contra a segurança nacional”, argumentou Morais. 

A Polícia Federal anunciou ainda a abertura de segundo inquérito para dar continuidade a apuração do caso, mas descarta o envolvimento de mais pessoas no ataque. A medida seria uma cautela adicional para evitar críticas à apuração.

"No que tange à participação ou coautoria no local do evento, a partir de evidência colhidas, descarta-se o envolvimento de terceiros”, diz o inquérito.

Agressor ameaçou matar candidato 5 dias antes do atentado

A Polícia Federal informou que Adélio Bispo de Oliveira ameaçou de morte o candidato cinco antes por meio de uma postagem em uma rede social.

Na mensagem de 1º de setembro localizada pela PF em uma página dedicada a Bolsonaro, Oliveira "manifestou seu desapreço pelo candidato, rotulando-o de 'Marionete do Capitalismo' e 'Bonequinha de Woshiton [Washington]”, segundo o relatório final da PF. Oliveira escreveu: "Espero que esta sua valentia realmente exista o dia em que me vê". De acordo com a PF, Oliveira terminou a postagem dizendo "que o candidato merecia um tiro na cabeça".

A PF também apontou que Oliveira tentou, meses antes, adquirir uma arma de fogo mas desistiu por causa de “dificuldades” previstas na atual legislação brasileira de controle de armas.

Em seus discursos, Bolsonaro tem defendido a mudança da atual lei, em vigor desde os anos 2000, a fim de ampliar o uso de armamento pela população civil. Se Oliveira tivesse utilizado uma arma de fogo em vez de uma faca no atentado do último dia 6, em Juiz de Fora (MG), o disparo poderia ter sido fatal para Bolsonaro, pois o ex-garçom esteve a poucos centímetros do candidato.

Bolsonaro levou uma facada no abdômen no dia 6 de setembro, durante um ato de campanha em Juiz de Fora, em Minas Gerais. O agressor foi preso em flagrante logo em seguida e confessou a autoria do crime. Desde então, o candidato segue internado. Da cidade mineira, ele foi transferido para o hospital Albert Einstein, em São Paulo.


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