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Poder

Haddad assume protagonismo eleitoral sem Lula

Principal herdeiro político do presidente, ministro venceria todos os possíveis adversários de direita e extrema direita

Publicado em 13/12/2024 8:56 - Semana On

Divulgação Marcelo Camargo - Abr

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A pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem (12) revela cenários de uma eventual disputa presidencial em 2026, tanto com quanto sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dados indicam que, mesmo com o crescimento da figura de Fernando Haddad (PT) como potencial sucessor, a vantagem eleitoral do atual presidente permanece inigualável.

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Caso Lula opte por concorrer à reeleição, sua vantagem sobre os principais nomes da direita se mantém robusta. No embate com Jair Bolsonaro (PL), o petista venceria com 51% contra 35%, ampliando a margem observada em pleitos anteriores. Contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a diferença seria ainda maior: 52% contra 26%. Situação semelhante ocorre em uma disputa contra Pablo Marçal (PRTB), ex-candidato à prefeitura de São Paulo, onde Lula também venceria com 52% contra 27%. O cenário mais desigual seria contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), que ficaria com 20% contra 54% do petista.

Os números consolidam a imagem de Lula como a principal força política do campo progressista e evidenciam a fragmentação da oposição de direita. Entretanto, o mesmo levantamento revela que 52% dos eleitores acreditam que Lula não deveria se candidatar, enquanto 45% defendem sua participação no pleito. A tendência, porém, é de redução da rejeição à candidatura de Lula, já que, em outubro, 58% eram contrários à sua reeleição. A mudança de percepção ocorre em um contexto de ajustes econômicos e políticas sociais que recuperaram parte da popularidade do governo.

O desafio de Haddad sem Lula

Na ausência de Lula, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, surge como o principal herdeiro político do presidente. Os dados da pesquisa indicam que ele venceria todos os possíveis adversários, mas com margens mais apertadas que as de Lula. O confronto mais acirrado seria contra Jair Bolsonaro: Haddad teria 42% dos votos, enquanto o ex-presidente somaria 35%. Essa proximidade numérica ilustra a resiliência de Bolsonaro, mesmo inelegível e alvo de investigações judiciais.

Nos outros cenários, a vantagem de Haddad é mais confortável. Contra Tarcísio de Freitas, o petista venceria por 44% contra 25%. Em uma eventual disputa com Pablo Marçal, a vitória seria de 42% contra 28%, e, contra Ronaldo Caiado, o placar seria 45% a 19%. Embora superiores, os números não garantem a mesma folga observada nas disputas com Lula.

A pesquisa mostra que, sem a presença do ex-presidente, Haddad herda o eleitorado petista, mas precisa conquistar maior simpatia do eleitorado independente e daqueles identificados com o centro político. O desgaste da imagem de Jair Bolsonaro no campo jurídico e o surgimento de figuras emergentes, como Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro, tornam o cenário eleitoral de 2026 mais incerto.

A possível entrada de Michelle Bolsonaro

Com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, o nome de Michelle Bolsonaro (PL) passou a ser cogitado como uma alternativa competitiva no campo da direita. Embora a pesquisa Genial/Quaest não tenha apresentado simulações diretas de Michelle contra Haddad ou Lula, o nome da ex-primeira-dama desponta como uma liderança política em ascensão. Líder de uma agenda conservadora e próxima de setores evangélicos, Michelle pode herdar parte significativa do capital político de seu marido, especialmente no eleitorado evangélico, que tem se mostrado fundamental nas disputas presidenciais.

O crescimento da figura de Michelle Bolsonaro traz à tona a estratégia de reprodução de lideranças familiares na política brasileira, prática comum em contextos de lideranças carismáticas. Casos semelhantes foram vistos na Argentina, com Cristina Kirchner, e na política norte-americana, com as famílias Bush e Clinton. No Brasil, o caso mais emblemático é o de Getúlio Vargas, cuja memória política influenciou seus sucessores no PTB.

Rejeição e arrependimento eleitoral

Outro dado relevante da pesquisa diz respeito ao índice de arrependimento dos eleitores que votaram em Lula. Em 2023, 6% dos eleitores afirmavam se arrepender de ter votado no petista. No novo levantamento, o percentual subiu para 10%. Ao mesmo tempo, 84% dos eleitores afirmaram que não se arrependem de sua escolha, o que ainda garante uma base sólida de apoio para o presidente. O aumento no índice de arrependimento pode estar associado ao impacto econômico de medidas como o aumento de juros e à percepção de fragilidades na articulação política do governo.

Esse aumento, embora pequeno, pode ser explorado politicamente pela oposição, especialmente em campanhas que apelam ao ressentimento social e ao discurso antipetista. Durante a campanha de 2018, Jair Bolsonaro e seus aliados utilizaram a insatisfação com o governo Dilma Rousseff (2011-2016) para fortalecer a retórica de ruptura com o “sistema” petista, e a repetição dessa estratégia não pode ser descartada.

Cenário político incerto e perspectivas de 2026

A pesquisa Genial/Quaest revela um panorama de incerteza para a eleição presidencial de 2026. Se Lula optar por não concorrer, o campo progressista precisará consolidar a figura de Haddad como sucessor natural. O ministro da Fazenda, que carrega consigo a experiência de ter sido derrotado por Bolsonaro em 2018, possui agora a vantagem de ocupar um cargo de grande visibilidade e de estar associado a um governo que busca estabilidade econômica e avanços sociais. No entanto, ele enfrentará o desafio de conciliar as demandas do mercado financeiro, os interesses do governo e a conquista do eleitorado de centro.

Por outro lado, a oposição de direita enfrenta suas próprias disputas internas. A inelegibilidade de Bolsonaro é um fator de desorganização no campo conservador, mas a entrada de Michelle Bolsonaro e a ascensão de Tarcísio de Freitas oferecem alternativas competitivas. No entanto, nenhum dos dois apresenta, até o momento, o mesmo apelo popular que Bolsonaro obteve em 2018 e 2022. A ausência de Bolsonaro no pleito pode fragmentar o campo da direita, beneficiando os candidatos de centro e centro-esquerda.

Com um quadro de disputas ainda incertas, a pesquisa confirma que Lula segue sendo o principal ator político do país. Mesmo com o desejo de renovação de parte do eleitorado, sua força eleitoral permanece inegável. Para Haddad, o desafio é assumir a liderança de um campo político que, historicamente, tem a figura de Lula como principal articulador.

E então?

A eleição de 2026 promete ser uma das mais imprevisíveis da história recente do Brasil. A pesquisa Genial/Quaest revela um quadro de forte influência do lulismo e uma direita fragmentada que busca novas lideranças. O cenário sem Lula exige a consolidação de Fernando Haddad como nome principal do PT, mas, para isso, ele precisará superar a associação com a derrota de 2018 e conquistar o eleitorado de centro. Por outro lado, a oposição de direita, sem Bolsonaro, terá que decidir entre a aposta na novidade de Michelle Bolsonaro ou na experiência política de nomes como Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado.

No xadrez eleitoral de 2026, Lula permanece a principal peça do tabuleiro. Se ele optar por jogar, as chances de vitória aumentam para o campo progressista. Se ele decidir sair de cena, o futuro de seu legado estará nas mãos de Haddad e de uma estratégia que precisará unir o pragmatismo econômico com o apelo popular. A direita, por sua vez, terá que enfrentar o dilema de se reinventar sem Bolsonaro ou apostar na força simbólica de seu sobrenome. Enquanto isso, o eleitorado brasileiro seguirá como o grande árbitro dessa disputa, cada vez mais atento, crítico e exigente diante dos rumos da democracia.


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