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Poder
E-mail criado pelo Ministério da Justiça é o [email protected]. Terroristas invadiram Planalto, Congresso e STF e depredaram o que viram pela frente, destruindo o patrimônio público
Publicado em 10/01/2023 10:37 - Isabela Camargo (GloboNews), Rafael Neves e Josias de Souza (UOL), Yurick Lu (DCM) – Edição Semana On
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O Ministério da Justiça e Segurança Pública recebeu, em 24 horas, 30 mil denúncias e informações sobre os terroristas que cometeram os atos de vandalismo na Esplanada dos Ministérios no domingo (8). As informações podem ser enviadas para [email protected].
Segundo o secretário de Acesso à Justiça, Marivaldo Pereira, neste primeiro momento as apurações darão prioridade aos dados de quem financiou o envio de caravanas de radicais bolsonaristas para Brasília e os gastos dos acampamentos em frente a quartéis do Exército. “Qualquer informação ou pista é bem-vinda”, escreveu o ministério nesta segunda.
A Polícia Federal liberou, na noite desta segunda-feira (9), dois ônibus com mulheres com filhos pequenos e idosos que haviam sido detidos mais cedo no acampamento de bolsonaristas em frente ao quartel-general do Exército em Brasília.
Cerca de 1.200 pessoas foram detidas no acampamento, que foi desmontado por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após os atos terroristas realizados por uma minoria radical de bolsonaristas em Brasília.
Os detidos no acampamento foram levados em ônibus para a Academia da Polícia Federal, em Brasilia. Lá, de acordo com o ministro da Justiça, Flávio Dino, eles seriam identificados e ouvidos pelas autoridades. Dependendo da avaliação da Justiça, as pessoas poderiam ser liberadas ou ser encaminhadas para detenção.
Os idosos liberados têm comorbidades. A expectativa é que a identificação e audiência dos detidos dure até esta terça.
Pastor, empresários, lutadora de MMA: quem convocou ato golpista no DF
Um grupo de influenciadores bolsonaristas, alguns com mais de 1 milhão de seguidores, gravou um vídeo de convocação para os atos golpistas em Brasília. A convocação foi para “um encontro em massa” na Praça dos Três Poderes. O evento, segundo os articuladores, era a “última chance” de impedir que o Brasil se tornasse comunista.
No domingo, vários destes ativistas publicaram vídeos e transmitiram a invasão ao vivo, especialmente pelo Instagram. A maioria dos canais foi apagada.
Também foram identificados bolsonaristas que não participaram desse vídeo, mas convocaram os atos por outras vias. Parte deles também incitou bloqueios de refinarias e paralisações contra o governo eleito. Veja alguns nomes:
Salomão Vieira. Cantor gospel, se identifica como membro da Assembleia de Deus em São Paulo. Em seu perfil no Instagram, que tinha 335 mil seguidores, Vieira publicou vídeos em uma carreata bolsonarista na capital paulista, na última sexta (6), e transmitiu ao vivo a invasão em Brasília.
Nos últimos dias, Vieira publicou fotos e stories em supermercados, fazendo compras para os acampamentos golpistas em São Paulo e em Brasília. Ontem, ele publicou um novo vídeo em sua conta reserva, condenando as cenas de vandalismo.
Fernanda Ôliver. Também cantora gospel, Ôliver tem 135 mil seguidores no Instagram e transmitiu a invasão ao vivo. Ela mora em Goiânia, mas em dezembro esteve em um ato em frente a um quartel em Londrina, no Paraná. Em nota, ela negou ter responsabilidade pela depredação: “nunca falei sobre vandalismo nas manifestações”.
Juliano Martins. Já foi alvo de uma operação da PF, em 2021, pela organização de atos no 7 de setembro daquele ano, ao lado do hoje deputado eleito Zé Trovão (PTB-SC). Em seu canal no Telegram, ele divulgou uma chave pix que arrecadava doações para a manifestação em Brasília.
Cristiane Venâncio (Cris Cyborg). Lutadora de MMA com 1,2 milhão de seguidores no Instagram. Ela mora nos Estados Unidos, mas apareceu no vídeo de convocação e compartilhou vídeos dos manifestantes no dia da invasão. Ontem, publicou nota repudiando a depredação. “Jamais vou apoiar crimes e atos antidemocráticos”, afirmou.
Diogo Arthur Galvão. Ativista de Campinas, Galvão trabalha em uma empresa da família, no ramo de madeiras. Ele apareceu no vídeo de convocação e transmitiu ao vivo a manifestação em Brasília, publicando fotos de dentro dos prédios invadidos.
Cacique Rony Pareci. Líder de uma aldeia em Campo Novo do Parecis, no oeste de Mato Grosso, Rony representa um grupo de indígenas que tem participado dos atos golpistas. No final de novembro, ele falou em uma audiência no Senado promovida por bolsonaristas para questionar o sistema eleitoral.
Eduardo Gadotti Murara. Conhecido pelo perfil “Resistência Joinville”, Eduardo postou vários vídeos dos atos golpistas na cidade catarinense, após as eleições, e divulgou um pix para receber doações. Ele também transmitiu ao vivo a invasão em Brasília.
Quem mais convocou os atos?
Bismark Fugazza. Integrante do canal Hipócritas, um grupo de humor bosonarista, Fugazza já é alvo de um mandado de prisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, mas está solto. No dia da invasão, ele afirmou em uma publicação que “o Brasil vai parar” e incentivou uma parlisação de caminhoneiros.
Thiago Bezerra. Pastor evangélico em Goiânia, tinha um perfil com mais de 100 mil seguidores no Instagram, que foi apagado após a manifestação. Ele já havia participado de outros atos na capital federal e transmitiu a invasão em stories.
Solano Henriques. Advogado registrado em Frutal (MG), tem canal no YouTube com 238 mil inscritos. No sábado, dia anterior à invasão, ele postou vídeo do acampamento bolsonarista com a legenda “Brasília vai ferver”. Também postou vídeos no dia do ato.
Renato Gasparim Jr. Fez várias convocações, no Instagram, para atos no quartel em Curitiba, e postou vídeos da invasão em Brasília. Ele é próximo do jornalista Oswaldo Eustáquio, já investigado pelo STF, e foi candidato a deputado estadual no Paraná.
AGU quer bloquear bens de mais de 100 empresas suspeitas de financiar atos terroristas
A Advocacia-Geral da União (AGU) identificou mais de 100 empresas suspeitas de terem financiado os atos antidemocráticos promovidos pelos simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com informações do G1, além do dinheiro dessas entidades privadas ser usado para bancar os ônibus que transportaram os golpistas, foi utilizado também para auxiliar os apoiadores do ex-capitão a permanecerem acampados em frente ao QG do Exército fazendo os preparativos para a tentativa de golpe.
A AGU irá apresentar, nesta terça-feira (10), o primeiro lote de ações contra esses grupos privados, ou seja, medidas cautelares para que os bens em nomes dessas empresas sejam bloqueados. Essas medidas são feitas junto à Justiça Federal no DF.
Vale destacar que as empresas bolsonaristas estão distribuídas por vários estados. A maioria delas estão sediadas em Mato Grosso e Santa Catarina e ligadas ao agronegócio. De acordo com ministro da Justiça, Flávio Dino, os financiadores dos atos em dez estados diferentes já foram identificados pela PF.
O ministro disse que o “pior passou” e que “o país caminha para absoluta normalização institucional com muita velocidade”. “Golpistas e criminosos em geral não obtiveram êxito na ruptura da legalidade”, disse Dino.
“Vivemos ontem o Capitólio brasileiro, com duas diferenças, não tivemos óbitos e temos muito mais presos aqui do que lá. Mas não tenham dúvida de que vivemos o Capitólio brasileiro. As instituições sobreviveram a este vil ataque político”.
Moraes compara bolsonarismo ao nazismo e critica ideia de ‘apaziguamento’
No despacho em que determinou o afastamento de Ibaneis Rocha do governo do Distrito Federal por 90 dias, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes rechaçou em timbre ácido a ideia de contemporização com o golpismo. Traçou uma analogia entre o bolsonarismo e o nazismo. Foi como se aderisse ao movimento “Sem Anistia.”
Abespinhado com a invasão das sedes dos Três Poderes pelas falanges de Bolsonaro no domingo, Moraes anotou no Twitter: “A democracia brasileira não irá mais suportar a ignóbil politica de apaziguamento, cujo fracasso foi amplamente demonstrado na tentativa de acordo do então primeiro-ministro inglês Neville Chamberlain com Adolf Hitler”. A referência evoca uma passagem de setembro de 1938.
Chamberlain, então primeiro-ministro da Inglaterra, defendia a tese do “apaziguamento” com Hitler. Suas teorias o levaram a Munique. Ali, participou de negociação que entregou parte da Tchecoslováquia aos alemães. Em março de 1939, Hitler tomou o resto.
No ano seguinte, sentou-se na cadeira de primeiro-ministro inglês Winston Churchill, um dos principais responsáveis pela vitória aliada contra o terror nazista. Chamberlain desceu ao verbete da enciclopédia como cultor da ideia de apaziguar com quem merece enfrentamento.
O bolsonarismo golpista terminou de empurrar Moraes, o Xandão, para a trincheira oposta. Ele escreveu: “Absolutamente todos serão responsabilizados civil, política e criminalmente pelos atos atentatórios à Democracia, ao Estado de Direito e às instituições.”
Para o ministro, a lei precisa alcançar inclusive quem agiu por “dolosa conivência – por ação ou omissão – motivada pela ideologia, dinheiro, fraqueza, covardia, ignorância, má-fé ou mau-caratismo.” Moraes arrematou: “A Democracia brasileira não será abalada, muito menos destruída, por criminosos terroristas.”
O abalo à democracia já se concretizou. Para impedir que seja destruída, é preciso assegurar a punição dos criminosos. Todos eles, a começar de Bolsonaro.
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