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Para governo Lula, X foi 'patético' e está forçando para que STF o bloqueie
Publicado em 18/08/2024 11:46 - ICL, Leonardo Sakamoto (UOL) – Edição Semana ON
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A decisão de fechar o escritório brasileiro da plataforma X, antigo Twitter, noticiada em primeira mão no ICL Notícias, acontece em meio a uma crise financeira na empresa que pode obrigar seu proprietário, o bilionário Elon Musk, a vender ações de outras companhias para compensar as perdas. A informação foi publicada em reportagem do jornalista Christiaan Hetzner na edição da revista Fortune de quinta-feira (15).
No sábado (17), X anunciou o encerramento das operações no Brasil. O escritório funcionava no país desde 2012 e, atualmente, tinha cerca de 30 funcionários no país. A empresa chegou a ter mais de 100 trabalhadores no Brasil até ser comprada por Elon Musk, que, em novembro de 2022, fez a primeira demissão em massa.
Os funcionários foram informados do desligamento neste sábado após terem sido convocados para uma reunião no mesmo dia. “Avisaram num all hands (reunião geral) hoje, que foi marcado hoje. Um monte de gente nem viu o invite (convite da reunião)”, disse um funcionário, que prefere não se identificar, ao ICL Notícias. O anúncio foi feito pela CEO da empresa, Linda Yaccarino.
Segundo a Fortune, “as repetidas explosões de Musk contra anunciantes secaram a principal fonte de receita da empresa deficitária anteriormente conhecida como Twitter”. A matéria informa que “em algum momento, ele terá que fornecer uma nova infusão de dinheiro para salvar sua aquisição de US$ 44 bilhões”, o que representa vender ações da Tesla para levantar o dinheiro, prejudicando os acionistas da montadora.
“Eu esperaria algo entre US$ 1 e US$ 2 bilhões em ações”, disse Bradford Ferguson, presidente e diretor de investimentos da gestora de ativos Halter Ferguson Financial, em comentários postados no YouTube na quarta-feira. Só isso poderia fazer com que as ações perdessem entre 5% e 10% de seu valor. “É um buraco enorme que eles precisam tapar.”
Nos tempos de Twitter, receita era de US$ 661 milhões
Os últimos números disponíveis publicamente antes da aquisição de Musk, do segundo trimestre de 2022, mostravam receita de US$ 661 milhões. Depois de contabilizar a inflação, a receita na verdade caiu 84%, em dólares de hoje.
Não se sabe por quanto tempo mais o X pode sobreviver, já que a empresa não divulga resultados financeiros. Mas em novembro, o próprio Musk admitiu que a plataforma poderia enfrentar falência devido ao boicote dos anunciantes.
Musk financiou a maior parte do valor de US$ 44 bilhões da aquisição do Twitter principalmente derramando ações da Tesla no mercado, o que resultou numa queda brusca de seu valor.
Cobrado por acionista da Tesla insatisfeitos, Musk prometeu, em dezembro de 2022, não queimar investidores vendendo mais ações para financiar a plataforma problemática. “Definitivamente não no ano que vem, sob nenhuma circunstância. Provavelmente não no ano seguinte também”, ele disse. “Pode contar comigo, não haverá vendas de ações até 2025 ou algo assim.”
Falta pouco para 2025 e as finanças da X estão mais desequilibradas do que nunca. Por isso, Ferguson teme que Musk possa estar querendo lucrar com suas ações da Tesla mais cedo ou mais tarde.
“Ele provavelmente estava um pouco mais otimista em dezembro de 2022 e não previu que a situação pioraria”, disse Ferguson.
“O sangramento de X continuará e em algum momento Elon terá que vender mais ações da Tesla para tapar o buraco de US$ 1–2 bilhões por ano”, argumentou.
Ao fechar o escritório no Brasil, o X alegou que essa é uma forma de proteção da equipe. “Falaram que estão ameaçando prender nosso time jurídico, então, para proteger a gente, vão fechar [o escritório]”, contou a fonte ouvida pelo ICL Notícias.
Após a reunião, o X afirmou em nota que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes “optou por ameaçar nossa equipe no Brasil em vez de respeitar a lei ou o devido processo legal.”. A empresa divulgou uma ordem sigilosa de Moraes que prevê prisão por descumprimento de ordem judicial a representantes do X.
No mercado financeiro, no entanto, o fim da representação do X no Brasil é atribuído ao rombo financeiro da empresa.
Para governo Lula, X foi ‘patético’ e está forçando para que STF o bloqueie
O X, rede social do bilionário Elon Musk, está forçando uma “escalada” que pode levar ao bloqueio completo da plataforma no Brasil pela Justiça. A avaliação é de João Brant, secretário nacional de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e foi dada à coluna e publicada em sua conta na própria rede social. Ele também chamou a decisão de “atitude patética”.
O antigo Twitter informou, neste sábado (17), que fechou as portas do seu escritório no Brasil após se negar a cumprir uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de bloqueio de conteúdo.
A empresa diz que seus serviços continuam funcionando no Brasil, mas caso o STF não encontre nenhum responsável legal pelo X por aqui, o que inclui advogados que o representem formalmente, e a matriz dos Estados Unidos não responder às decisões judiciais, ele pode sofrer o mesmo bloqueio pelo qual outras plataformas já passaram, como o Telegram.
Quando isso aconteceu com o aplicativo de mensagens criado pelos irmãos russos Nikolai e Pavel Durov, a empresa correu para estabelecer um contato jurídico no Brasil, atender às demandas e ser desbloqueado pela Justiça.
Em um comunicado, a plataforma afirmou que, ontem, Moraes “ameaçou nosso representante legal no Brasil com prisão se não cumprirmos suas ordens de censura” e compartilhou o ofício do ministro. “Como resultado, para proteger a segurança de nossa equipe, tomamos a decisão de encerrar nossas operações no Brasil, com efeito imediato.”
Para João Brant, o documento publicada pelo próprio X/Twitter aponta que a empresa vinha ignorando ordens judiciais e fugindo das intimações.
“Atitude patética para uma empresa que controla esta plataforma com o tamanho que tem no Brasil. Agora fecham o escritório para ‘proteger os funcionários’ (que não teriam qualquer risco se recebessem as intimações) e é muito provável que deixem de cumprir qualquer ordem judicial. Estão forçando um pênalti e tentando jogar no STF o ônus político de uma decisão que tem fundo comercial”, diz.
“Com ‘forçando um pênalti’ estou me referindo à provável escalada que pode levar ao bloqueio da plataforma”, completa.
Em um primeiro momento, isso seria positivo para o bolsonarismo, que usaria o caso para atacar Alexandre de Moraes e mobilizar seguidores, como já está fazendo, neste sábado, nas redes sociais. Mas, mantido o bloqueio, isso reduz um importante canal de comunicação da extrema direita às portas das eleições municipais.
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