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Poder

Estagnado nas pesquisas, Bolsonaro precisa de imagens fortes do 7/9 para convencer eleitores

Quaest e Ipec confirmam liderança de Lula e vitória do petista no segundo turno

Publicado em 07/09/2022 9:20 - Leonardo Sakamoto (UOL), Henrique Rodrigues (Fórum), Brasil de Fato – Edição Semana On

Divulgação Reprodução

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Com o presidente Jair Bolsonaro estagnado nas pesquisas de intenção de voto, sua campanha digital tem se esforçado em vender a ideia de que elas mentem. Nesse contexto, os comícios que preparou para este 7 de Setembro têm, entre outros objetivos, produzir imagens para “provar” que o povo estaria a seu lado.

Uma conhecida tática adotada pela equipe do presidente é usar imagens de aglomerações a fim de tentar convencer que o apoio a Jair é bem maior do que realmente é.

Partem de um fato concreto (o presidente é realmente uma pessoa popular capaz de atrair muita gente) para vender uma extrapolação falsa (essas multidões demonstram que a maioria dos brasileiros está com ele).

Não é de hoje que ele faz isso. Durante sua campanha eleitoral de 2018, fãs eram convocados para recebê-lo nos aeroportos das cidades por onde Bolsonaro passava. A suposta “surpresa” do candidato transmitia a ideia de que aquilo era um ato orgânico, quando não era de fato.

Além disso, o enquadramento das fotos e vídeos da aglomeração passava a ideia de que era muito maior do que a realidade. É uma mensagem poderosa mostrar um político ser recebido em sua cidade com pompas de músico ou jogar de futebol famosos. No mínimo, atrai a atenção de indecisos.

Mesmo a escolha por motociatas teve, ao longo dos últimos anos, um fator de ilusionismo, uma vez que você pode ocupar um espaço muito grande de rodovia de forma rápida e com menos gente que seria necessário para preencher uma passeata ou um comício. O que também produziu boas fotos que enganam.

Em junho de 2021, o bolsonarismo, já em plena campanha pela reeleição, vendeu que 1,3 milhão de motos participaram de um ato com Bolsonaro no interior de São Paulo. Porém, as praças de pedágio da Rodovia dos Bandeirantes mostraram a passagem de 6.661 motos.

Considerando que o eleitorado apto a votar consiste em 156.454.011 de pessoas, os 31% (segundo o Ipec) que pretendem apoia-lo representam 48,5 milhões. É muita gente, capaz de preencher ruas e praças, mas ainda assim é um montante menor do que os 44% que Lula têm hoje, ou seja, 68,8 milhões.

Ou seja, mesmo se encher a Esplanada dos Ministérios, a avenida Atlântica e a avenida Paulista, estando presente nos dois primeiros, Bolsonaro não poderá dizer que a maioria do povo brasileiro está com ele, mas sim que ele é capaz de mobilizar seus seguidores.

De acordo com institutos de pesquisa, o bolsonarismo-raiz gira em torno de 15% da população, o que, repito, não é pouca gente. Esse grupo está com ele em todos os momentos, até embaixo do frio e da chuva que o dia promete para a capital paulista.

Ao mesmo tempo, Bolsonaro foi bem-sucedido ao se aproveitar de uma data cívica para sobrepor um comício, atraindo pessoas que estavam acostumadas, desde criança, a ir ver desfiles de 7 de Setembro. E que, agora, ouvirão discursos sobre fraudes em urnas eletrônicas, xingamentos contra ministros do STF e outras pregações golpistas.

Jair precisa de imagens produzidas nesses três epicentros de seus comícios para reforçar o padrão que vem adotando antes mesmo de ser presidente. Por isso, fotos e vídeos produzidos nesta quarta irão circular pelos grupos de WhatsApp e de Telegram e pelas redes sociais, transmitindo a ideia de que o país está com ele.

E, consequentemente, que apoia suas pautas antidemocráticas, como o emparedamento das instituições, a ameaça aos opositores, os ataques às urnas, a excitação de seus cabos eleitorais.

Não é o único ilusionismo praticado pela campanha do presidente. Ela também se aproveita da ignorância em matemática de parte da população para vender que enquetes realizadas dentro da bolha bolsonarista têm mais valor que pesquisas feitas com o rigor científico. Como tem muita gente que nunca teve uma aula de estatística, caem no conto do vigário.

Bolsonaro falará ao seu povo escolhido, o que é muita gente, mas exclui mais gente ainda. Alheia a essas movimentações, a grande massa de trabalhadores pobres estará mais preocupada em tentar garantir a própria sobrevivência do que acompanhar os comícios do presidente pagos com dinheiro público. De acordo com o Ipec, a sua rejeição entre quem ganha até um salário mínimo oscilou de 53% para 56% em uma semana.

Quaest: Vantagem diminui, mas Lula tem 48,3% dos votos válidos

A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nos primeiros minutos deste feriado do Bicentenário da Independência, mostra um cenário de estabilidade na corrida pelo Palácio do Planalto. O ex-presidente Lula (PT) seguiu sem alterações no seu desempenho, com 44% das intenções de voto, o que dá 48,3% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro subiu 2%, indo de 32%, no levantamento de 30 de agosto, para 34% na sondagem atual, o correspondente a 37,3% dos votos válidos.

Na terceira posição aparece Ciro Gomes (PDT), com 7%, seguido por Simone Tebet (MDB), que obteve 4%. Felipe D’Ávila (Novo) e Soraya Thronicke (União Brasil) ficaram com 1% cada. Os votos brancos e nulos totalizam 5% dos entrevistados, enquanto os indecisos somam 4%.

Numa simulação de segundo turno, Lula segue com ampla vantagem na dianteira, obtendo 56,6% dos votos válidos (51% dos totais), contra 43,3% de Jair Bolsonaro (39% dos totais).

O levantamento ouviu 2.000 pessoas em 120 municípios das cinco regiões do País entre os dias 1 e 4/set. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o nível de confiabilidade de 95%. Pesquisa registrada BR-00807/22.

Ipec: Lula lidera com 44% das intenções de voto, contra 31% de Bolsonaro

O ex-presidente Lula segue na liderança da corrida eleitoral pela Presidência da República, de acordo com a nova pesquisa Ipec, sob encomenda da Rede Globo, divulgada na noite de segunda-feira (5). O petista apareceu com 44% das intenções de voto, contra 31% do atual presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na pesquisa anterior, divulgada em 29 de agosto, Lula aparecia com 44% das intenções de voto, contra 32% de Bolsonaro.

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e a senadora Simone Tebet (MDB) aparecem, respectivamente, com 8% e 4%. No levantamento da semana passada, Ciro tinha 7%, enquanto Tebet aparecia com 3%.

Lula está tecnicamente empatado com a soma de todos os outros candidatos, na margem de erro (44% a 45%), o que mostra uma indefinição em relação à realização do segundo turno.

O percentual de brancos/nulos ficou em 7%, enquanto os que não sabem ou não opinaram atingiram 6%. Os outros candidatos não chegaram a 1% das intenções de voto.

O levantamento também levantou as preferências dos eleitores para o segundo turno. Lula aparece com 52% das intenções de voto, contra 36% de Bolsonaro. Brancos e nulos são 9% e os 3% restantes não sabem ou não quiseram responder.

No levantamento anterior, Lula tinha 50% das intenções no segundo turno, contra 37% de Bolsonaro. Brancos e nulos eram 9% e os 4% restantes não responderam ou não souberam opinar.

Avaliação do governo Bolsonaro

O levantamento perguntou qual a avaliação da população em relação ao governo Bolsonaro. O resultado mostra que 43% das pessoas avaliam o governo como ruim ou péssimo. Para 25%, a administração é regular, enquanto 30% acreditam que o governo é bom ou ótimo.

A pesquisa entrevistou 2.512 pessoas entre os dias 2 e 4 de setembro em 158 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00922/2022.


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