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Poder

Em que lugar dos Estados Unidos se refugiará Bolsonaro

Presidente viaja para os EUA com passagem só de ida e sem a primeira-dama, diz auxiliar

Publicado em 28/12/2022 9:10 - Ricardo Noblat (Metrópoles), Kaique Moraes (DCM) – Edição Semana On

Divulgação Reprodução

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Conta a lenda que, um dia, duas das maiores raposas da política brasileira se encontraram no aeroporto de Belo Horizonte – José Maria Alckmin, deputado federal muitas vezes, ex-ministro da Fazenda e vice-presidente da República no governo Castelo Branco, e Benedito Valadares, deputado federal, senador e governador de Minas Gerais nos anos 1930, ambos do velho PSD.

Alckmin, então, perguntou a Valadares no cafezinho do aeroporto:

– Você vai para onde, Benedito?

– Vou para o Rio – respondeu Valadares.

Despediram-se. E a um amigo que o acompanhava, Alckmin sussurrou depois:

– Ele disse que vai para o Rio para que eu pense que ele irá para Brasília, mas ele irá para o Rio mesmo.

Bolsonaro está de malas arrumadas para voar aos Estados Unidos, como confidenciam seus principais assessores. Mas nem eles sabiam até ontem qual seria exatamente o destino dele – Miami ou Orlando, na Flórida? Ou outra cidade qualquer? Sob o manto protetor do ex-presidente americano Donal Trump, derrotado como ele, ou por conta própria?

Bolsonaro disse que irá para um lugar onde não possa encontrar brasileiros. Miami e Orlando estão cheias deles. O escalão precursor da viagem decola hoje para onde ele quiser. O Itamaraty será informado em seguida. Quem pagará as despesas da viagem e o exílio que poderá durar de dois a três meses? Talvez Bolsonaro decrete sigilo sobre essas e outras informações.

O mentor do chamado “Gabinete do Ódio”, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), está nos Estados Unidos à espera do pai. De lá, instruiu seus seguidores a espalharem nas redes sociais que Bolsonaro, sua família e os aliados mais fiéis serão alvo de uma “perseguição cruel e implacável” tão logo Lula tome posse. Ele fala na condição de especialista no assunto.

É mais do que certo que Lula suspenderá o sigilo de 50 e de até 100 anos que encobre informações que, se reveladas, causarão profundo incômodo à primeira família presidencial brasileira e aos seus serviçais. Várias delas poderão resultar na abertura de novos processos contra Bolsonaro ou reforçar processos que ele responde por abuso de poder e atos antidemocráticos.

A fuga para outro país se justifica por isso. Distante, ele não será assediado pela imprensa para responder a cada nova acusação e estará a salvo de juízes da primeira instância que poderiam prendê-lo. Falta saber se a primeira-dama Michelle o acompanhará ou não. Michelle e Carlos se detestam. E Carlos acha que ela é culpada em parte pela derrota do pai.

Falta saber também quem o substituirá na presidência. Seu mandato termina à meia-noite de sábado. Lula será empossado a partir das 14h do domingo. O país não pode ficar sem presidente. O vice, general Hamilton Mourão, eleito senador pelo Rio Grande do Sul, deveria assumir, mas não quer. O terceiro na linha de sucessão é o deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara.

Bolsonaro viaja para os EUA com passagem só de ida, diz auxiliar

Um auxiliar próximo ao presidente Jair Bolsonaro declarou que ele viaja aos Estados Unidos ‘sem passagem de volta’. Ele também afirmou que a primeira-dama Michelle Bolsonaro não o acompanhará, segundo informações do colunista Rodrigo Rangel, do Metrópoles.

“É, por enquanto, uma viagem só de ida, sem passagem de volta. Ele tomou a decisão (de viajar para os Estados Unidos) baseado em teorias da conspiração desse grupo de militares que fica buzinando no ouvido dele 24 horas por dia, sete dias por semana”, informou o auxiliar de Bolsonaro, de maneira reservada. “Esse grupo pilhou o presidente dizendo que se ele ficasse no Brasil teria o passaporte retido a partir do dia 1º de janeiro e, depois, seria preso. E ele acreditou”.

“Esses caras são uns medíocres, despreparados. Só que são mais ouvidos do que outros assessores porque passam dia e noite ao lado dele. Se metem em tudo. Por estarem mais perto, conseguem convencê-lo”, disse.

Na tarde do dia 15 de dezembro, o ex-capitão declarou para senadores que teme ser preso após deixar o governo por ordem do ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), informou um líder do governo no Senado.

Até então, o mistério sobre para onde deve ir o mandatário quando embarcar no jato da Força Aérea Brasileira (FAB), que está reservado para ele, ainda segue sem respostas. O avião deve decolar na próxima quinta-feira (29) e o ex-capitão está cogitando a ideia de se hospedar na casa de um fazendeiro nos Estados Unidos.

Bolsonaro pode rever o plano de viajar para Mar-a-Lago, o resort do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas alguns aliados acreditam que ele deve manter o cronograma. A primeira-dama teria dito que não quer ir com ele.


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