Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Poder

Eduardo Bolsonaro está sendo pago por você para atacar o Brasil

Ele é suspeito de ter lucrado com informação privilegiada sobre tarifaço de Trump

Publicado em 21/07/2025 10:23 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Eduardo Bolsonaro (PL-SP) volta a ser remunerado pelo Estado brasileiro a partir desta segunda-feira (21), com um salário mensal de R$ 46,3 mil, mesmo estando há meses ausente do país e sob investigação por crimes que atentam contra a democracia e a soberania nacional. Alheio às obrigações do cargo, o deputado se mantém nos Estados Unidos, onde atua abertamente contra instituições brasileiras, em especial o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF).

CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP

A licença parlamentar de Eduardo, aprovada pela Câmara em março, expirou no domingo (20). Com isso, caso não retorne nem justifique suas ausências, o deputado poderá ter faltas registradas que, em tese, levariam à perda de mandato. No entanto, aliados já articulam para blindá-lo: o deputado Evair de Mello (PP-ES) defende que Eduardo passe a votar remotamente; Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) quer ampliar a licença por mais 120 dias. Ambas as propostas distorcem a função pública para proteger um político que, ao invés de representar o povo, parece trabalhar para interesses alheios à nação.

A Constituição e o Regimento Interno da Câmara são claros quanto às obrigações dos deputados: entre elas, “promover a defesa do interesse público e da soberania nacional”. Mas a impunidade, muitas vezes institucionalizada, parece ser a regra para os membros da família Bolsonaro. No caso de Eduardo, soma-se ainda a condição paradoxal: ele é pago com dinheiro público para, desde o exterior, atacar o próprio Estado brasileiro.

Entre a imunidade e a impunidade

A escalada de hostilidade do deputado contra as instituições nacionais ganhou novo capítulo ontem, quando Eduardo fez ameaças públicas a integrantes da Polícia Federal durante uma live transmitida de solo americano. O alvo principal foi o delegado Fábio Alvarez Shor, responsável por inquéritos que envolvem Jair Bolsonaro no STF.

“Cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo, deixa eu saber não. Se eu ficar sabendo quem é você… ah, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal delegado Fábio Alvarez Shor se ele conhece a gente…”, disse o deputado, com evidente tom intimidatório.

A reação da PF foi imediata. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, afirmou ao portal G1 que recebeu “com indignação mais essa covarde tentativa de intimidação aos servidores policiais”. E foi direto: “Nenhum investigado intimidará a Polícia Federal.” A instituição anunciou que adotará medidas legais e pedirá ao STF que as falas de Eduardo sejam incluídas no inquérito que apura coação, obstrução de investigação e atentado à soberania.

Em entrevista ao UOL, Rodrigues declarou: “Ameaças a agentes públicos no exercício de suas funções são graves e podem ser alvo de novas apurações criminais.” Eduardo Bolsonaro, vale lembrar, já havia sido alvo de um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) da própria PF, da qual está licenciado como escrivão, por declarações similares contra o delegado Shor.

Exílio político ou fuga preventiva?

Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro. A permanência prolongada no exterior, somada às declarações incendiárias, indica não apenas um distanciamento geográfico, mas um claro engajamento em uma ofensiva política internacional contra o sistema democrático brasileiro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) investiga se o deputado teria atuado, a partir dos EUA, para interferir em investigações que envolvem o pai, Jair Bolsonaro, e outros aliados — inclusive com tentativas de deslegitimar o Judiciário nacional perante parlamentares e organizações estrangeiras.

Não é exagero afirmar que Eduardo opera como um agente informal de desinformação e hostilidade ao Brasil em território estrangeiro. O episódio ecoa estratégias típicas de movimentos autoritários, que buscam apoio internacional para corroer a legitimidade das instituições internas — tática já observada em regimes como o de Viktor Orbán, na Hungria, e nas redes transnacionais da alt-right, como bem analisou a cientista política Cas Mudde, professor da Universidade da Geórgia, nos EUA.

A máquina bolsonarista e a reconfiguração dos símbolos

O bolsonarismo sempre se apropriou de símbolos como “Deus, pátria e família” — herança direta do integralismo brasileiro dos anos 1930, inspirado no fascismo europeu. Mas no exílio voluntário de Eduardo, essa tríade se reinventa: Deus é Donald Trump, tratado como um mártir da extrema-direita global; a pátria é qualquer lugar que abrigue os interesses da família Bolsonaro; e a família se torna uma célula missionária da antipolítica.

“Anistia acima de tudo, Trump acima de todos” é o novo lema tácito. Em vez de promover a reconciliação nacional, a retórica bolsonarista atua para blindar seus membros de responsabilizações jurídicas, deslegitimar investigações e sabotar a reconstrução institucional do país.

O caso Eduardo Bolsonaro é emblemático de uma distorção grave: a de que mandatos parlamentares, pagos com recursos públicos, podem ser utilizados não para servir à nação, mas para atacá-la. A permanência de Eduardo no cargo — e o silêncio cúmplice de grande parte da Câmara dos Deputados — é um sinal preocupante de que, no Brasil atual, a impunidade ainda é uma das moedas mais fortes da República.

Eduardo é suspeito de uso de informação privilegiada em tarifaço de Trump

A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou neste fim de semana que o Supremo Tribunal Federal (STF) investigue operações financeiras suspeitas realizadas antes do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil durante o governo Donald Trump. O órgão vê indícios de uso de informação privilegiada com potencial envolvimento de Eduardo Bolsonaro, e aponta possível tentativa de manipulação cambial como parte de um plano político para desestabilizar o sistema democrático brasileiro.

A petição foi enviada no sábado (19) ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que já investiga Eduardo Bolsonaro por obstrução de Justiça e coação no curso de investigações que envolvem seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. No novo pedido, a AGU solicita que as suspeitas de movimentações atípicas no mercado cambial ocorridas em 18 de julho sejam incluídas no escopo do inquérito, considerando o elo entre ações financeiras e articulações políticas de caráter desestabilizador.

Assinado pelo advogado-geral da União substituto, Flavio José Roman, o documento menciona reportagem do Jornal Nacional que revelou compras vultosas de dólares horas antes do anúncio das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Essas operações indicariam que operadores do mercado teriam se beneficiado de informações ainda não divulgadas — um crime previsto na Lei nº 6.385/76, com pena de um a cinco anos de reclusão e multa.

Além do STF, a AGU pediu a notificação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de outros órgãos reguladores. Segundo o documento, a CVM deve adotar “providências administrativas e civis” diante da gravidade das suspeitas.

Um esquema com DNA bolsonarista

As acusações colocam Eduardo Bolsonaro no centro de um enredo que mistura política externa, mercado financeiro e guerra institucional. De acordo com a AGU, há elementos suficientes para considerar que a divulgação prévia das sanções comerciais aos Estados Unidos pode ter sido instrumentalizada para beneficiar aliados e, ao mesmo tempo, gerar instabilidade econômica no Brasil — um movimento deliberado para pressionar o Poder Judiciário.

O documento reproduz trechos de parecer da própria PGR que afirma que as tarifas teriam sido usadas como ferramenta política: “A implementação do aumento de tarifas tem como finalidade a criação de uma grave crise econômica no Brasil, para gerar uma pressão política e social no Poder Judiciário.”

A suspeita ganha ainda mais peso quando se observa que Eduardo Bolsonaro — então licenciado da Câmara, mas ativo nos bastidores políticos em Washington — mantinha relação direta com o governo Trump e figuras da alt-right americana. É justamente esse contexto que reforça a tese de uma coordenação política internacional, cujos reflexos teriam atingido diretamente a economia e a estabilidade institucional brasileira.

Em um post de julho, o gestor Spencer Hakimian, fundador da Tolou Capital Management, chegou a mencionar lucros de até 50% em operações com derivativos cambiais feitas antes do tarifaço. A AGU acredita que essa informação, publicada após os movimentos do mercado, reforça a hipótese de que houve vazamento e uso indevido de informações privilegiadas.

Pressão cresce por investigação ampla

A reação no Congresso veio rápido. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara, protocolou no domingo (20) um pedido ao Banco Central para que investigue as movimentações no mercado de câmbio ocorridas em 18 de julho. O parlamentar exige a identificação dos responsáveis pelas transações, incluindo volumes, horários, instituições intermediárias e beneficiários finais, e que os dados sejam compartilhados com a CVM, o COAF, o Ministério Público Federal e o STF.

“Trata-se de uma questão de integridade do sistema financeiro e de defesa da democracia. O uso de sanções internacionais para fins políticos internos é uma ameaça direta ao país”, disse Lindbergh.

A petição reforça a tese de que os ganhos com o tarifaço não foram apenas financeiros, mas também políticos. Segundo o pedido, a tentativa de manipular o câmbio como parte de um plano de pressão sobre o STF se encaixa em uma estratégia bolsonarista de sabotagem institucional já em curso desde o fim das eleições de 2022 — e que segue ativa mesmo com parte da cúpula da extrema-direita nacional no exterior.

Uma tática antiga com métodos novos

A instrumentalização da política externa para fins domésticos não é inédita, mas no caso Bolsonaro ela ganha contornos perigosamente inéditos. A tática remonta a práticas de regimes autoritários que buscavam criar crises internas para justificar ações de força ou deslegitimação de adversários. Segundo o filósofo político norueguês Jon Elster, “a manipulação de incertezas econômicas pode ser tão eficaz quanto a força bruta na erosão das democracias.”

No caso brasileiro, a denúncia de que tarifas econômicas estrangeiras teriam sido estimuladas por atores políticos nacionais representa um cruzamento inédito entre sabotagem institucional e especulação financeira. Com Eduardo Bolsonaro atuando de fora do país, mas ainda exercendo influência como deputado federal licenciado, o caso expõe a fragilidade dos mecanismos de responsabilização política no Brasil.

A eventual comprovação de que houve coordenação para lucrar com o tarifaço de Trump, em troca de instabilidade interna no Brasil, elevaria o escândalo a patamares internacionais. Mais do que um crime financeiro, estaríamos diante de uma afronta à soberania nacional — promovida por um parlamentar que, ironicamente, ainda é pago para defendê-la.

Inspeção da PF ameaça desmascarar de vez o falso patriotismo do bolsonarismo

O bolsonarismo entrou em modo de pânico controlado desde que a Polícia Federal iniciou a análise do conteúdo apreendido no celular e no pen drive de Jair Bolsonaro, encontrados durante operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Aliados receiam que os equipamentos contenham provas autoincriminatórias — não apenas relacionadas à tentativa de golpe, mas também ao envolvimento direto com agentes estrangeiros em ações contra o Estado brasileiro.

Ministros do Supremo Tribunal Federal já discutem como lidar com eventuais provas encontradas nesses dispositivos. Para evitar que novas descobertas atrasem o julgamento de Bolsonaro, previsto para setembro, a tendência é que esses dados sejam mantidos no inquérito que envolve Eduardo. Isso impediria a defesa de alegar “fatos novos” e empurrar o processo para 2026 — uma manobra clássica do repertório bolsonarista.

Ao ser obrigado a usar tornozeleira por conspirar com uma potência estrangeira contra os interesses do próprio país, Jair Bolsonaro destrói, por ato e símbolo, um dos pilares discursivos do bolsonarismo: o falso patriotismo. A imagem de um ex-militar que se dizia defensor da soberania nacional se esfarela sob o peso de provas de que buscou, de forma deliberada, prejudicar o Brasil para escapar da Justiça.

Aliados, longe de conter o dano, ampliam a crise ao divulgar ameaças escancaradas de represália internacional — apostando na política do caos como método. Segundo relatos de bastidores, há uma expectativa entre bolsonaristas de que Donald Trump, se reeleito, adote sanções ainda mais duras contra o Brasil: aumento de tarifas de importação de 50% para 100%, restrições de vistos, deportações em massa de brasileiros e até o bloqueio de satélites norte-americanos utilizados em telecomunicações e GPS.

Essas ameaças, embora delírios diplomáticos em muitos aspectos, revelam o nível de descolamento da realidade que domina parte do grupo bolsonarista. “É o bolsonarismo sincerão”, como descrevem analistas: o momento em que a extrema direita deixa de fingir que governa para o país e assume que só existe em função da própria sobrevivência política — ainda que isso implique entregar o Brasil aos interesses de uma potência estrangeira.

Um projeto de sabotagem nacional

O plano é tão claro quanto perigoso: forçar uma crise econômica e institucional que torne a vida da população insustentável, culpabilizar o STF e pressionar o povo a exigir a impunidade de Bolsonaro. O uso de sanções econômicas como arma política foi descrito com precisão pela própria Procuradoria-Geral da República, em parecer recente: “A implementação do aumento de tarifas tem como finalidade a criação de uma grave crise econômica no Brasil, para gerar uma pressão política e social no Poder Judiciário.”

Essa estratégia de colapso fabricado, porém, parte de uma premissa equivocada: a de que o brasileiro comum, diante do sofrimento, abandonará qualquer noção de justiça ou soberania em troca de estabilidade imediata. O bolsonarismo aposta que a sociedade é tão entreguista quanto sua cúpula — incapaz de discernir entre os verdadeiros interesses nacionais e as manobras de autopreservação de uma elite política encurralada.

Mas, como lembra o sociólogo francês Pierre Bourdieu, “o poder simbólico só se sustenta enquanto for reconhecido como legítimo”. A ruptura entre discurso e prática no bolsonarismo pode, finalmente, quebrar essa legitimidade simbólica — especialmente diante de provas materiais que revelem traição direta ao país.

A verdade e o fim do teatro

A possibilidade de novas evidências saírem do celular de Bolsonaro — como comunicações com agentes estrangeiros, documentos estratégicos ou confissões indiretas — é mais do que um problema jurídico. É uma ameaça à narrativa que sustentou o bolsonarismo por meia década: a de que o grupo lutava pelo “Brasil acima de tudo”.

Na prática, as investigações mostram outra coisa: que o projeto bolsonarista depende, e sempre dependeu, da sabotagem das instituições democráticas brasileiras com ajuda externa. O Brasil, para eles, é um recurso instrumental — uma plataforma de poder pessoal, não uma nação a ser protegida.

O psicanalista italiano Massimo Recalcati já escreveu que “o inconsciente é uma força que não cessa de exigir verdade”. E quando se vive muito tempo representando um papel — mentindo para os outros e para si mesmo — chega a hora em que o inconsciente trai a farsa. Talvez seja isso que o bolsonarismo tema: que os dispositivos apreendidos revelem não só crimes, mas a verdade incômoda de quem eles realmente são.

Não vai fugir


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *