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Poder
PF encontra novas provas sobre ‘Abin paralela’ e adia fim do inquérito do golpe
Publicado em 26/07/2024 10:06 - Leonardo Sakamoto (UOL), Juliana Dal Piva (ICL Notícias) - Edição Semana On
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Documentos encontrados pela Polícia Federal no e-mail do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) mostram orientações para o então presidente Jair Bolsonaro (PL) atacar as urnas e as instituições, revela o jornal O Globo, nesta sexta (26). Com isso, o então diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência se apresenta não apenas como assessor para assuntos golpistas, como parecia ser, mas também como um dos responsáveis pelo caldo que levou à tentativa de matar a democracia.
Como um influenciador golpista, ele incentivou a paranoia bolsonarista de que havia ocorrido fraude na eleição de 2018 (sim, Bolsonaro insistiu em dizer que havia ganhado no primeiro turno naquele ano).
“Por tudo que tenho pesquisado, mantenho total certeza de que houve fraude nas eleições de 2018, com vitória do sr. (presidente Bolsonaro) no primeiro turno. Todavia, ocorrida na alteração de votos”, afirma um dos documentos. “Entendo que argumento de anulação de votos não seja uma boa linha de ataque às urnas. Na realidade, a urna já se encontra em total descrédito perante a população. Deve-se enaltecer essa questão já consolidada subjetivamente (…) A prova da vulnerabilidade já foi feita em 2018, antes das eleições. Resta somente trazê-la novamente e constantemente”, diz.
Mas também sugeriu que Jair deveria partir para o confronto.
“Bom dia, presidente. O Sr. mais do que ninguém conhece o sistema e sabe que não houve apenas quebra de paradigma na sua eleição, mas ruptura com esquema dos poderes (…) nenhuma crise conseguiu enfraquecer sua base e não aparenta haver políticos à altura de vencê-lo em 2022. Portanto, parece que a batalha maior será agora, requerendo atitude belicosa com estratégia”, diz um dos arquivos. O documento ainda levanta a suspeita de que um “golpe no TSE” estava sendo desenhado.
A quebra de sigilo, feita com autorização da Justiça, também mostra que Ramagem enviava a Bolsonaro boatos contra o ministro Alexandre de Moraes. À PF, disse que não se lembra se o material foi enviado ao então presidente.
Como um pré-candidato à Prefeitura do Rio que pede às pessoas irem até a urna eletrônica defende que ela não tem credibilidade alguma? Ou ele é otário ou sabe que está mentindo sobre a urna. Ex-diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) durante a gestão de Jair, Ramagem (PL) tem 7% no último Datafolha enquanto o atual prefeito Eduardo Paes (PSD) ostenta 53%, podendo vencer no primeiro turno – a margem de erro é de três pontos.
Ramagem comandou, segundo investigações da Polícia Federal, uma máquina ilegal de investigação de adversários, críticos e desafeto do governo durante a gestão Bolsonaro. O conteúdo obtido através do monitoramento era, ao que tudo indica, encaminhado para o Gabinete do Ódio, estrutura de difamação digital que operava dentro do Palácio Planalto para atacar quem se colocasse contra Jair.
Em meio a essa investigação, a Polícia Federal encontrou um áudio em que o ex-presidente, o ex-diretor da Abin e o ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno, discutem como anular as investigações por rachadinhas (aka desvio de grana pública) contra Flávio Bolsonaro. A gravação estava em um aparelho de Ramagem.
O relatório também mostra que integrantes da máquina de espionagem legal tentaram levantar informações desabonadoras de auditores da Receita Federal para serem usados na defesa de Flávio.
A proximidade de Bolsonaro com Ramagem era tanta que ele queria o delegado da Polícia Federal como diretor da instituição para proteger a ele, seus filhos e amigos, como deixou claro em reunião ministerial de abril de 2020. O então ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro acabou pedindo demissão ao bater de frente com ele por conta disso. Hoje, Bolsonaro está irritado com Ramagem. Mas não pode abandonar seu quase ex-aliado, seja para não passar recibo, seja porque ninguém sabe o que ele tem guardado.
PF encontra novas provas sobre ‘Abin paralela’ e adia fim do inquérito do golpe
A Polícia Federal (PF) encontrou novas provas no inquérito que apura a existência da “Abin Paralela” e terá que adiar a conclusão do inquérito que apura a tentativa de um golpe de estado após as eleições de 2022. Os investigadores identificaram uma série de conexões entre os casos e estão solicitando ao STF o compartilhamento de provas entre os casos. Com isso, a conclusão que era esperada para julho deve ficar para setembro.
No entanto, a coluna apurou que a PF não se pautará pela agenda eleitoral. Investigadores disseram que quando o caso for concluído ele será relatado normalmente e quando os crimes foram totalmente tipificados os indiciados serão apontados no relatório final independente da proximidade da eleição municipal.
O deputado federal Alexandre Ramagem é pré-candidato à prefeitura do Rio e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) vai disputar mais uma reeleição. Os dois são investigados no caso da “Abin Paralela” e foram alvo da Operação Última Milha em janeiro.
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