21/02/2024 - Edição 525

Poder

Dilma afirma que legitimidade do voto não pode ser questionada

Publicado em 07/08/2015 12:00 -

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Um dia após panelaços pelo país contra seu governo, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (7) que aguenta todo tipo de pressão e ameaças e que honrará os votos que recebeu.

"A primeira característica de quem honra o voto é que ele é a fonte da minha legitimidade, e ninguém vai tirar essa legitimidade que o voto me deu", afirmou a presidente em Boa Vista (RR), onde participou da entrega de 747 moradias do programa Minha Casa, Minha Vida.

Foi a primeira vez que Dilma visitou a capital de Roraima após assumir a Presidência.

A petista disse ainda que irá se dedicar "dia e noite" para garantir a estabilidade do país e cobrou que ela seja respeitada entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

"Nós temos de nos dedicar às estabilidades institucional, econômica, política e social. Sei que há brasileiros que estão sofrendo. Me comprometo a trabalhar."

A presidente voltou a fazer referências à sua própria história de perseguida política durante a ditadura militar para defender seu governo.

"Sobrevivi a grandes ameaças à minha própria vida. O Brasil hoje é muito diferente daquele Brasil que tive de enfrentar. É uma democracia que respeita a eleição direta pelo voto popular", afirmou.

Ela reconheceu que o país passa por turbulências também na área econômica, mas disse que o país tem condições de superar as adversidades.

"É fato que somos mais robustos, mais fortes. Pensem na famílias de vocês. Antes, com qualquer problema, tendia a ter dificuldade para pagar contas externas. [O país] Não tinha dólar. Hoje, temos mais de US$ 300 bilhões de reservas. Não quebramos. [O Brasil] Pode passar por dificuldade, mas se tem recursos e não quebra."

Durante o evento, Dilma beijou e abraçou crianças, entregou chaves das casas e tirou fotos. Foi aplaudida durante vários momentos de sua fala.

A ida a Boa Vista faz parte de um plano do governo para tentar reverter a queda na popularidade da presidente. De acordo com pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (6), o governo da petista tem 71% de reprovação entre os entrevistados.

O resultado é o pior da série histórica do instituto, iniciada em 1990, e acima do recorde até então, que pertencia ao ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-92), às vésperas de sofrer um impeachment em 1992.

Na pesquisa anterior, feita no final de junho, o governo Dilma foi reprovado por 65% da população. Os índices ocorrem no momento em que o país registra uma crise financeira e a presidente enfrenta dificuldades políticas no Congresso.

No evento em Roraima, ela não falou sobre o resultado da pesquisa.

O panelaço

O programa nacional do PT, exibido nesta quinta-feira (6) em cadeia nacional de televisão e rádio, foi alvo de protesto em bairros de pelos menos 16 capitais estaduais e no Distrito Federal.

Houve panelaços e buzinaços em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Brasília, Goiânia, Palmas, Salvador, Fortaleza, Recife, Maceió, João Pessoa, Belém e Manaus.

A reação à propaganda petista levou a hashtag "#panelaço" ao topo dos trending topics – assuntos mais comentados – do Twitter no Brasil e foi uma das mais compartilhadas na rede social mundial.

Na capital paulista, moradores de bairros como Bela Vista, Pinheiros, Vila Mariana, Santa Cecília, Higienópolis, Vila Buarque, Saúde, Ipiranga, Limão, Chácara Klabin, Aclimação, Barra Funda, Vila Prudente, Tatuapé, Campo Limpo, Brooklin, Butantã, Morumbi, Santana, Moema e Perdizes protestaram durante a propaganda de dez minutos, que exibiu discursos da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No interior de São Paulo, nas cidades de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Santos e Campinas, as manifestações de críticas ao governo federal também se repetiram.

Na capital fluminense, a manifestação teve início antes mesmo da fala da presidente. Em bairros como Leblon, Jardim Botânico, Ipanema, Laranjeiras, Botafogo, Flamengo, Humaitá e na Lagoa, as pessoas foram às janelas bater panelas.

Os cariocas que dirigiam durante a transmissão do programa petista também buzinaram.

Em Brasília, além do panelaço e do buzinaço, houve rojões durante a propaganda partidária no Plano Piloto. As manifestações ocorreram na Asa Sul, Asa Norte, Sudoeste e em Águas Claras.

Um grupo batendo panelas saiu às ruas e se posicionou perto de um shopping com gritos como "o Brasil não é a Venezuela". Os fogos de artifício continuaram depois que o programa petista havia terminado.

No Recife, os protestos começaram antes mesmo do início do programa petista e seguiram por três minutos.

Em Porto Alegre, os panelaços foram mais intensos do que em outras manifestações.

O programa

No programa partidário, o PT admite que o país vive uma crise econômica, afirma que o governo está trabalhando para contornar o problema e conclama os brasileiros a não deixar que ela se transforme em uma crise política, que "demora muito, e o sofrimento é imenso".

Apresentado pelo ator global José de Abreu e com a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente Dilma Rousseff e do presidente do PT, Rui Falcão, o programa termina com uma ironia aos panelaços, dizendo que o PT foi o partido "que mais encheu a panela dos brasileiros".

O PT defende que, no governo, evitou por seis anos que a crise internacional chegasse ao Brasil, que hoje o país vive "problemas passageiros na economia" e que há pessoas tentando se aproveitar disso para "criar uma crise política que poderia trazer efeitos bem piores do que uma crise econômica".

E conclama o cidadão para evitar que isso ocorra: "Hoje, há uma pessoa capaz de evitar uma grave crise política no país: você".

São mostradas imagens de políticos oposicionistas como os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e José Agripino (DEM-RN) e o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP).


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