25/04/2024 - Edição 540

Poder

Datafolha: Lula tem 49%, e Bolsonaro, 44%

Bolsonaro cai entre pobres após bomba sobre o mínimo e granada de Jefferson

Publicado em 28/10/2022 9:41 - DW, RBA, Leonardo Sakamoto (UOL) – Edição Semana On

Divulgação Reprodução

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 49% das intenções de voto, contra 45% do presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (27/10).

A diferença de intenção de voto entre os dois candidatos permanece em quatro pontos. Outros 5% responderam que pretendem votar em branco ou nulo, 2% estão indecisos.

Na pesquisa anterior, divulgada há uma semana, Lula apareceu com 49%, e Bolsonaro, 45%. Bolsonaro, portanto, oscilou negativamente em um ponto.

Nas intenções de votos válidos, que desconsideram brancos e nulos e os indecisos, Lula tem 53%, e Bolsonaro, 47%.

Na pesquisa passada, eles apareceram com 52% e 48%, respectivamente.

A pesquisa foi realizada entre 25 e 27 de outubro com 4.580 eleitores em 252 municípios, e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

No primeiro turno, Lula obteve 48,4% dos votos válidos, contra 43,2% de Bolsonaro.

O Datafolha aponta ainda que 92% dos eleitores brasileiros dizem estar totalmente decididos sobre em quem vão votar no segundo turno. Outros 7% afirmam que ainda podem mudar de opinião.

A pesquisa Datafolha abordou ainda a rejeição dos dois candidatos. O levantamento mostra que 50% dos eleitores brasileiros não votariam de jeito nenhum em Bolsonaro, e 45% não votariam em Lula.

Pesquisas x resultados

O resultado do primeiro turno surpreendeu e gerou críticas a institutos de pesquisa, já que os últimos levantamentos do Datafolha e do Ipec divulgados na véspera do pleito apontavam Lula 14 pontos percentuais à frente de Bolsonaro. Pesquisas anteriores também vinham indicando ampla vantagem do petista.

No entanto, após a contagem de votos, a vantagem de Lula foi de cerca de cinco pontos percentuais. Com 100% das urnas apuradas, Lula recebeu 48,43% dos votos, e Bolsonaro, 43,2%.

O diretor de amostragem do Survey Research Center da Universidade de Michigan (EUA) e membro da American Association for Public Opinion Research (Aapor), Raphael Nishimura, disse que tratar as pesquisas eleitorais como oráculo não faz sentido.

“Não tem como a gente dizer que pesquisas pré-eleitorais erram ou acertam o resultado das eleições. Elas são um retrato do momento”, explica o estatístico.

Como possíveis explicações para a diferença dos resultados da pesquisa e do que foi visto nas urnas, Nishimura cita que uma parte do eleitorado pode ter mudado o voto em cima da hora, depois das últimas sondagens. O não comparecimento de 20% é outro ponto difícil de considerar nos levantamentos. A terceira hipótese é de um viés de não resposta por parte de eleitores pró-Bolsonaro que desconfiam dos institutos.

Pesquisa Atlas: Lula tem 53,2% contra 46,8% de Bolsonaro e amplia vantagem

Também divulgada ontem, a Pesquisa Atlas Intel mostra que o ex-presidente Lula aumentou a diferença para Bolsonaro, dentro da margem de erro. Agora, o petista tem 53,2% dos votos válidos, contra 46,8% do adversário. Na pesquisa divulgada na segunda-feira (24), o placar era de 53% x 47%.

A diferença, portanto, aumentou de 6 para 6,4 pontos percentuais em três dias. Lula oscilou 0,2 ponto para cima, enquanto Bolsonaro foi para baixo também em 0,2.

Na primeira pesquisa do segundo turno (realizada dos dias 9 a 13), o instituto apontava 52,4% a 47,6% (vantagem de 4,8%) de dianteira do petista. No dia 2, nas urnas, Lula acabou na frente com 48,43% dos votos válidos, ante 43,20% de Bolsonaro.

A pesquisa Atlas está protocolado no TSE sob número BR-01560/2022, com 7.500 entrevistas feitas sexta até terça (21 a 25). A margem de erro é de aproximadamente um ponto, para mais ou para menos.

Bolsonaro cai entre pobres após bomba sobre o mínimo e granada de Jefferson

Após a revelação de um estudo do governo para uma mudança no salário mínimo que pode reduzir seu poder de compra e um dos aliados do presidente, Roberto Jefferson, tentar matar dois policiais federais, a vantagem de Lula sobre Bolsonaro cresceu de 20 para 28 pontos, em oito dias, entre os que ganham até dois salários mínimos, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (27).

A intenção de voto no petista foi de 57% para 61%, entre 19 e 27 de outubro, e a de Bolsonaro passou de 37% para 33%. A margem de erro para esse grupo, cuja amostra representa 48% da população, é de três pontos.

Essa é a primeira queda do presidente fora da margem entre os mais pobres desde o início dos levantamentos no segundo turno.

Para gerar caixa a fim de cumprir promessas eleitorais de Jair Bolsonaro, como garantir Auxílio Brasil de R$ 600, sua equipe estudou parar de corrigir o salário mínimo pela inflação registrada no ano anterior e passar a atualizá-lo com base na meta da inflação, que pode ser menor que a inflação efetivamente medida. Isso impactaria salários, aposentadorias, seguro-desemprego e benefícios sociais de 72 milhões de brasileiros, de acordo com Eduardo Fagnani, professor de economia da Unicamp.

O estudo, revelado por reportagem de Idiana Tomazelli e Julianna Sofia, da Folha de S.Paulo, no dia 19, faz parte de um plano do ministro Paulo Guedes para refundar a legislação sobre as contas públicas do país em um segundo mandato de Jair. O problema é que essas refundações, ao que tudo indica, seriam estruturadas na base do aperto do cinto dos que já não têm.

Após o PT usar a informação para atacar a sua campanha, Bolsonaro fez uma live com seu ministro da Economia, em que prometeram aumentar o salário mínimo acima da inflação – o que não fizeram desde que ele assumiu o governo em 2019.

Atentado de Jefferson pode ter influenciado mais pobres, com mais aversão a armas de fogo

Outro fato que pode ter impactado uma parcela dos mais pobres foi o espetáculo de violência armada proporcionado pelo ex-deputado Roberto Jefferson, aliado de Jair Bolsonaro e um de seus principais defensores nas redes sociais. Ele atirou na Polícia Federal, no último domingo (23), ferindo com mais de 50 tiros de fuzil e três granadas um delegado e uma agente que tentavam executar uma ordem prisão contra ele.

Logo em seguida, o presidente tentou se desvencilhar do ex-deputado (que assumiu, em nome dele, parte do serviço sujo de ataques a membros do Supremo Tribunal Federal na campanha) repudiando sua ação e chamando-o de “bandido”. Disse que não havia sequer uma foto sua com ele, o que foi largamente desmentido pela internet, que nunca esquece.

As cenas de violência e o discurso de Jefferson alinhado ao do presidente, que vem defendendo que “um povo armado jamais será escravizado”, podem ter afastado votos dos mais pobres – que são os que mais sofrem com a violência armada no país.

A polícia foi até à sua casa, em Levy Gasparian (RJ), para cumprir um mandado de prisão do STF. Nesta sexta, ele havia gravado um vídeo atacando a ministra Cármen Lúcia, chamando-a de “prostituta arrombada”, entre outras coisas, por ela ter votado a favor de um direito de resposta para Lula. O mandado de prisão não foi pelo xingamento, mas por desrespeitar as condições de sua prisão domiciliar.

No dia 29 de julho, Bolsonaro afirmou que armas de fogo podem garantir ao cidadão sua “liberdade no futuro”. No vídeo que postou nas redes neste domingo, Jefferson encenou um teatrinho dizendo que estava defendendo a liberdade. Pediu para que o ato dele inspire outros, ou seja, insurreição. Isso pode ter pego mal com o eleitor.

‘Pintou um clima’ com meninas gera pedido de impeachment contra Bolsonaro

Declaração do presidente Jair Bolsonaro de que “pintou um clima” entre ele e refugiadas venezuelanas de 14 anos levou à apresentação de um novo pedido de impeachment pelo líder da minoria no Senado Federal, Jean Paul Prates (PT-RN), na quinta (27).

Em entrevista a um podcast, Bolsonaro afirmou que elas estavam se arrumando para “ganhar a vida”, sugerindo que eram exploradas sexualmente, quando, na verdade, participavam de uma atividade de uma ONG que dava curso de estética às refugiadas.

O caso, que gerou polêmica dentro e fora do país, foi comparado ao do então deputado estadual Arthur do Val, que durante viagem à Ucrânia mandou áudio a amigos dizendo que as refugiadas “são fáceis, pois são pobres”. O episódio foi considerado um ataque à dignidade das refugiadas e ele teve o mandato cassado. “Ao admitir realizar abordagem libidinosa com adolescentes venezuelanas de projeto social e ao associá-las, de forma discriminatória e xenofóbica, à exploração sexual comercial, o presidente da República, Jair Bolsonaro, atentou contra a dignidade, a honra e o decoro do cargo que ocupa, rebaixando a função pública que exerce, em total violação à Constituição Federal e ao povo brasileiro”, afirma Prates no pedido.

“Logo, corrompeu mais uma vez a credibilidade do cargo e da própria instituição republicana que representa”, conclui. A demanda foi protocolada após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, rejeitar na terça (25) cinco pedidos de investigação por conta da declaração. Segundo o magistrado, que foi indicado ao cargo por Bolsonaro, não há elementos suficientes para a abertura de um inquérito.

Considerando que Bolsonaro está no final deste mandato, não há chances reais chance de um processo de impeachment prosperar. Contudo, o senador relata à coluna que apresentá-lo é obrigação do Senado Federal. E que, se vivêssemos tempos “normais”, esse tipo de situação derrubaria um presidente da República.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *