Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Poder

Datafolha: Lula abre 14 pontos de vantagem sobre Bolsonaro

Pesquisa consolida o presidente como um Napoleão que faz sua própria Waterloo

Publicado em 23/09/2022 11:12 - DW, Josias de Souza (UOL) – Edição Semana On

Divulgação Victor Barone by Midjourney

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A dez dias do pleito presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua chance de vencer já no primeiro turno, segundo pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22).

O petista oscilou dois pontos percentuais para cima, aparecendo agora com 47%. Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, permanece estagnado com 33%.

Na última sondagem do instituto, Lula somou 45% das intenções de voto. Bolsonaro, os mesmos 33%.

A nova pesquisa sinaliza novamente que a série de manobras eleitorais que Bolsonaro colocou em prática nos últimos meses não surtiram o efeito desejado pela sua campanha. Entre as manobras estão a expansão de benefícios sociais neste ano eleitoral, o desvirtuamento das celebrações de 7 de Setembro – que acabaram virando comícios pró-Bolsonaro – e as viagens que o presidente realizou ao exterior para tentar demonstrar que não está isolado.

O levantamento ainda indica que o giro do ex-presidente Lula pelo Sul do Brasil na última semana rendeu frutos: o petista variou de 34% para 40% dos votos na região, e agora está tecnicamente empatado com Bolsonaro, que aparece com 39%.

No novo levantamento, Bolsonaro só continua a liderar no Centro-Oeste, onde aparece com 41% dos votos, contra 38% de Lula.

O levantamento desta quinta-feira ainda mostrou que Ciro Gomes (PDT) oscilou negativamente de 8% para 7%, Simone Tebet (MDB) ficou com os mesmos 5%, e Soraya Thronicke (União Brasil) oscilou de 2% para 1%.

Felipe D’Ávila (Novo), Sofia Manzano (PCB), Vera Lúcia (PSTU), Leo Péricles (UP), Constituinte Eymael (DC) e Padre Kelman (PTB) não pontuaram.

Eleitores indecisos somam 2%, enquanto brancos e nulos representam 7%.

Considerando apenas os votos válidos, que excluem brancos e nulos, Lula teria 50%, contra 35% de Bolsonaro. Para vencer no primeiro turno, são necessários 50% dos votos mais um. Na pesquisa anterior, Lula somava 48% dos votos válidos.

No caso de um eventual segundo turno, o petista aparece novamente como favorito na disputa direta com o atual presidente. Segundo o Datafolha, Lula venceria com 54% dos votos, contra 38% de Bolsonaro.

Na pesquisa espontânea, em que não são apresentados nomes de candidatos aos entrevistados, Lula aparece com 42% da preferência do eleitorado; e Bolsonaro, com 31%. Ciro foi citado por 4% dos eleitores.

A pesquisa ouviu 6.754 eleitores em 343 municípios entre os dias 20 e 22 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Ipec

A nova sondagem do instituto Datafolha está em linha com outra divulgada na segunda-feira (19) pelo Ipec, que também mostrou ampla vantagem de Lula sobre Bolsonaro. Nela, o petista apareceu com 47% das intenções de voto, contra 31% do atual presidente. Em relação à penúltima pesquisa Ipec, Lula osiclou um ponto para cima, enquanto Bolsonaro permaneceu estagnado com os mesmos 31%.

Os números do Ipec sugerem que uma vitória de Lula no primeiro turno das eleições seria possível. Nos votos válidos, que não consideram brancos e nulos, o ex-presidente aparece com 52%, contra 34% de Bolsonaro.

Napoleão

A nova rodada do Datafolha confirmou a tendência de ampliação da vantagem de Lula (47%) sobre Bolsonaro (33%). Há uma semana, a distância era de 12 pontos. Agora é de 14. A taxa de rejeição, estabilizada em 52% a nove dias da eleição, consolida Bolsonaro como uma espécie de Napoleão à espera da decisão do eleitor sobre a data do Waterloo. Cresceu a chance de derrota no primeiro turno, pois Lula obteve na pesquisa 50% dos votos válidos, excluídos os bancos e nulos. Para vencer, precisa de 50% mais um. Trafega na margem de erro.

Bolsonaro chega à reta final da corrida presidencial como um tipo preocupante de imperador: um Napoleão de hospício. Numa entrevista a um programa de TV popularesco, voltou a dizer que os militares fiscalizarão a apuração das urnas dentro de uma sala cofre do TSE. A apuração paralela é um delírio. A sala secreta, uma ficção urdida por um golpista que flerta com o Apocalipse.

Bolsonaro é didático. Planejou sua própria imolação, como um Napoleão que passou os últimos três anos e nove meses se descoroando. Frustrou-se a tentativa de fabricar na última hora um estadista de vitrine, preocupado com o social e com as mulheres. Lula cresceu ainda mais nos segmentos majoritários do eleitorado. Em uma semana, as mulheres presentearam Lula com mais três pontos percentuais. Foi de 46% para 49%). Cresceu cinco pontos entre os mais pobres, com renda de até dois salários mínimos -de 52% para 57%.

É como se as eleitoras afagadas por Michelle Bolsonaro e os eleitores mimados com benefícios sociais de ocasião sinalizassem a intenção de punir Bolsonaro pelo conjunto da obra. Na prática, Bolsonaro virou um Napoleão autossuficiente. Ao levar seu governo para o hospício, produziu uma autoderrota. Virou um duque de Wellington de si mesmo. Lula apenas surfa na onda do antibolsonarismo, uma força política que superou o antipetismo de 2018.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *