22/02/2024 - Edição 525

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Datafolha e Ipec reforçam chance de Lula vencer no 1º turno

Datafolha traz Lula com 50% dos votos válidos e Bolsonaro com 36%. Ipec mostra o ex-presidente com 51%, contra 37% do adversário

Publicado em 01/10/2022 5:44 - UOL, Folha de SP - Edição Semana On

Divulgação Ricardo Stuckert

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega ao primeiro turno da eleição geral, que ocorre neste domingo (2), com chance de vencer de forma direta a disputa. Ele tem 50% dos votos válidos, ante 36% de seu principal rival, o presidente Jair Bolsonaro (PL). Simone Tebet (MDB) tem 6%, contra 5% de Ciro Gomes (PDT).

O cenário, de notável estabilidade nas últimas semanas, foi registrado pela última pesquisa do Datafolha antes do pleito. A marca do petista é o limiar para atingir metade mais um dos votos válidos, aqueles que excluem brancos e nulos (e indecisos, no caso do levantamento), o mínimo para evitar o segundo turno.

Presidente de 2003 a 2010, Lula coroa uma volta por cima rara: deixou o Planalto com mais de 80% de aprovação, viu sua sucessora Dilma Rousseff (PT) ser bem-sucedida, perder tração e gestar uma crise econômica e política que lhe custou o cargo.

Foi condenado e preso por corrupção, só para ver as sentenças anuladas por questões legais e o seu algoz, Sergio Moro, julgado parcial e fracassar ao tentar ser presidenciável.

Agora, o petista tenta voltar ao poder enfrentando um adversário diferente do que o PT se acostumou até 2018, quando Bolsonaro saiu das franjas do baixo clero para a Presidência com um discurso antipolítico e radical de direita. Com alta rejeição, o presidente é o primeiro da era das reeleições a não chegar à frente no dia do primeiro turno, e luta para ir ao segundo.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou menos. O instituto entrevistou 12.800 pessoas em 310 cidades. O levantamento tem o registro BR-00245/2022 no Tribunal Superior Eleitoral, e foi contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo.

Ao longo da corrida, Ciro Gomes viu murchar quase pela metade sua usual posição nas três campanhas presidenciais anteriores que disputou, enquanto Simone Tebet estreou mantendo um nível constante de apoio.

Sem ambos no páreo, é possível que Lula já tivesse a certeza da vitória, considerando os padrões de migração de intenção de voto registrados pelo Datafolha. Não por acaso, principalmente no caso de Ciro por ser associado à centro-esquerda, os estrategistas do PT fizeram de tudo para estimular o voto útil no ex-presidente.

Nas últimas rodadas do Datafolha, Ciro até oscilou para baixo, mas nada que indicasse uma desidratação fatal. Se ela for ocorrer, agora será algo a ser visto apenas na undécima hora, com o eleitor na urna eletrônica. Outro fator central na contagem é a abstenção, que historicamente atinge mais o eleitorado associado ao petista.

A estabilidade também mostra o limite do impacto do debate final do primeiro turno, realizado na quinta (29) pela TV Globo. O embate foi bastante agressivo, com Lula, Bolsonaro, Ciro e outros se enfrentando em termos duros.

Na rodada anterior, feita de terça (27) a quinta, o Datafolha havia aferido 50% de intenção de votos para o petista e 36%, para o incumbente. Diziam estar certos do voto 85%, quase todos há bastante tempo.

Este é um dos fenômenos mais relevantes desta campanha eleitoral, antecipada por muitos como um embate de rejeições complementares —o que gerou a ilusão na classe política de que poderia haver espaço para o surgimento de alguma terceira via competitiva. Vários nomes tentaram se viabilizar, sobrando à relativamente desconhecida Tebet a vaga.

Abaixo dos dois estão Soraya Thronicke (União Brasil), Constituinte Eymael (DC), Padre Kelmon (PTB), Sofia Manzano (PCB), Felipe D’Ávila (Novo), Vera (PSTU) e Leo Péricles (UP).

Houve também a consolidação do perfil do eleitorado. Lula manteve sua liderança até aqui apoiado na grande vantagem que registra entre os mais pobres, calcando sua campanha na promessa de um retorno a um tempo de maior bonança econômica —particularmente seu segundo mandato (2007-10), antes da debacle que viria sob sua protegida Dilma Rousseff (PT), impedida em 2016.

Ipec: Lula tem 51% de votos válidos no 1º turno; Bolsonaro vai a 37%

A pesquisa Ipec realizada com entrevistas pessoais, contratada pela TV Globo e divulgada há pouco, aponta que o ex-presidente Lula está com 51% das intenções de votos válidos e tem possibilidade de vitória em 1º turno. O presidente Jair Bolsonaro aparece em segundo, com 37% dos votos válidos. Esta é a última sondagem do instituto antes do primeiro turno, que acontecerá neste domingo.

Votos válidos são os com exclusão de brancos, nulos e indecisos. No caso de Lula, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e sua própria pontuação, há possibilidade de vitória em 1º turno. Segundo a Lei das Eleições do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), para o candidato ganhar o pleito sem necessidade de 2º turno ele precisa de 50% dos votos válidos mais 1.

Em comparação com a Ipec divulgada no começo da semana, Lula oscilou negativamente na margem de erro, indo de 52% para 51% dos votos válidos. Bolsonaro cresceu 1 ponto fora da margem de erro: foi de 34% para 37%.

Em seguida, na pesquisa mais recente, aparecem Ciro Gomes, com 5% (antes era 6%) e Simone Tebet, que se manteve em 5%. Soraya Thronicke e Luiz Felipe D’Avila têm 1% cada, assim como na sondagem anterior.

O levantamento realizou 3.008 entrevistas face a face entre os dias 25 de setembro e 1º de outubro. O nível de confiança, segundo o instituto, é de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-00999/2022 e custou R$ 347.659,06.

O Ipec foi fundado em fevereiro de 2021 por ex-executivos do Ibope, que encerrou suas atividades em janeiro por conta do fim de um acordo de licenciamento da marca após 79 anos. O Ipec aborda entrevistados em suas casas, localizadas em áreas estabelecidas conforme distribuição do eleitorado brasileiro.


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