21/04/2024 - Edição 540

Poder

Com medo, Bolsonaro pretende tentar o Senado em 2026

Em crise existencial, Carlos Bolsonaro anuncia que vai mudar de vida

Publicado em 17/04/2023 9:24 - Plinio Teodoro (Fórum), Ricardo Noblat (Metrópoles) – Edição Semana On

Divulgação Abr

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Passados menos de seis meses após a derrota nas eleições presidenciais, Jair Bolsonaro (PL) já estaria antecipando a aliados que não vai se candidatar à Presidência em 2026, diante do risco iminente de ficar inelegível.

Em meio à avalanche de processos judiciais, em especial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro tem medo de que uma condenação coloque em xeque as aspirações em torno de sua possível candidatura ao Planalto e, segundo Bela Megale, no jornal O Globo, tem dito a aliados próximos que prefere um caminho mais “tranquilo” para continuar sua trajetória política.

Já prevendo uma derrota da ultradireita, Bolsonaro tem dito que quer “liderar a oposição” no Senado. E para isso conta também com a candidatura da esposa, Michelle Bolsonaro.

O ex-presidente já teria vetado que a ex-primeira-dama dispute quaisquer eleições para cargos executivos para não se tornar, assim como ele, alvo da Justiça.

A proposta é montar uma “bancada Bolsonaro” no Senado, com Michelle e o filho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tem mandato até 2030, embora já tenha mostrado intenção de sair candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2024.

Apesar dos planos, Bolsonaro estaria levando em consideração a possibilidade de ficar fora da vida pública, caso realmente venha ficar inelegível.

Falta combinar com os astros, a justiça, Lula e os eleitores

Os que defendem Bolsonaro a meia boca ou sob anonimato começam a semear informações sobre seu futuro. E na era das redes onde há espaço para tudo, de querelas entre casais à lacração entre políticos, como ignorar o que dizem porta-vozes informais de um ex-presidente da República às voltas com a justiça?

O futuro a curto prazo de Bolsonaro já não lhes interessa por mais que o julguem inocente. Dão como praticamente certo que, em breve, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o tornará inelegível por 8 anos. Haverá recurso ao Supremo Tribunal Federal, mas ali a decisão do TSE, seja qual for, será confirmada. Game over.

Fazer o quê depois? A cassação dos direitos políticos de Bolsonaro não o impedirá de participar das eleições municipais de 2024. Ele viajará pelo país pedindo votos para candidatos do PL, partido que o abriga e paga suas despesas e as de Michelle, enquanto espera a passagem do tempo. Tudo muda, por que não a justiça?

A justiça não mudou no caso de Lula, preso e condenado na primeira e segunda instância? Quantas vezes o Supremo não alterou seu entendimento sobre a possibilidade de prisão antes de a sentença transitar em julgado? Lula não foi devolvido ao jogo que se fechara para ele? E não conseguiu se eleger pela terceira vez

A composição dos tribunais mudará até 2026, ano da próxima eleição presidencial. O ministro Alexandre de Moraes, o carrasco de Bolsonaro, já não estará mais na presidência do TSE. Lá estarão os ministros bolsonaristas que o ex-presidente indicou para o Supremo – Kassio Nunes Marques e André Mendonça.

Lula soube vitimizar-se ao longo dos 580 dias em que esteve preso em Curitiba. Bolsonaro é craque na arte de se vitimizar, e deu provas cabais disso. Lula contou com uma militância que sempre o defendeu e jamais o abandonou. Bolsonaro acredita que os bolsonaristas sempre lhe serão fiéis. Tudo bem então.

Somente uma coisa poderá atrapalhar seu eventual retorno, fora a justiça, naturalmente. A coisa: Lula fazer um governo que deixe saudades. Já fez dois no passado. Bolsonaro não se arriscaria a subir no patíbulo pela segunda vez. Todo esforço, portanto, deve ser feito para que o governo Lula fracasse.

Em crise existencial, Carlos Bolsonaro anuncia que vai mudar de vida

Sentindo-se tratado como “um rato”, ele mesmo disse, só não disse por quem, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), o Zero Dois, anunciou que não cuidará mais das contas do pai nas redes sociais.

Vai mudar de vida. Não adiantou, porém, o que pretende fazer. Falou, ou melhor escreveu no Twitter de maneira cifrada:

“Pessoas ruins se dizem as tais e ganham muito com o suor dos outros que trabalham de verdade e isso não é exceção aqui.”

“Difícil ficar sozinho anos e ser tratado de modo que nem um rato mereceria. Anos de satisfação pessoal e tenho certeza que de muita valia para pessoas boas e também às mais ingratas e sonsas.”

“Não acredito mais no que me trouxe até aqui, mas torço para que tudo dê certo para todos!”

“Não sairei sem avisar. Até lá tentarei me manter como sempre, sozinho, mas com muita energia.”

É para valer a disposição de Carlos de sair de cena e mudar de vida? Ou é só mais uma jogada sua para chamar a atenção do pai? Carlos é sujeito a crises e o pai se desespera quando ele as tem.

É difícil a relação dos dois. Carlos nunca gostou de política. Mas forçado pelo pai, com 17 anos, candidatou-se a vereador em 2000 só para impedir que sua mãe se reelegesse vereadora.

Pai e mãe haviam se separado. Carlos assumiu o mandato porque completou 18 anos antes do dia da posse. Compareceu à Câmara de mãos dadas com o pai e agradeceu a ele pela eleição.

Ajudou Bolsonaro a se eleger presidente em 2018. Desde então cuida das redes dele e é dono de suas senhas. Entre outubro de 2019 e junho de 2021, passou 141 horas no gabinete pessoal do pai.

Foi o chefe do Gabinete do Ódio que funcionou no Palácio do Planalto a disseminar notícias falsas; provocou a demissão de dois ministros de Estado e influiu na nomeação de outros.

De vez em quando, deixa de atender aos telefonemas de Bolsonaro. Em fevereiro último, nasceu a primeira filha de Carlos com a economista Martha Seillier, que mora em Washington.

Ela é servidora pública de carreira e foi secretária do Programa de Parcerias de Investimento do Ministério da Economia durante o governo Bolsonaro. A criança nasceu nos Estados Unidos.

Carlos mora no condomínio onde o pai tem uma casa, no Rio. Não se dá bem com Michelle, a ex-primeira-dama, que lhe negou abrigo no Palácio da Alvorada. Bolsonaro tem medo que ele seja preso.

Zero Dois é investigado pelo Ministério Público Federal no caso das rachadinhas e citado no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal sobre os atos hostis à democracia.


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