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Poder
Desemprego fica em 6,4% no 3º tri, menor taxa em 12 anos para o período
Publicado em 01/11/2024 9:05 - Leonardo Sakamoto (UOL), UOL, Elaine Patricia Cruz (Agência Brasil) – Edição Semana On
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Com uma taxa de 6,4%, o governo Lula resvala no menor desemprego desde que começou a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) contínua em 2012. Mas para que isso resulte em votos para a reeleição, há um outro fator na equação: o poder de compra dos trabalhadores. Principalmente, o dos alimentos.
Este trimestre encerrado em setembro só perde para o encerrado em dezembro de 2013, com 6,3%. Ou seja, com as contratações de Natal, é possível que tenhamos um recorde ao final de 2024. E o PIB, frustrando as estimativas da Faria Lima, deve crescer mais do que 3%.
Mas a força de um governo não depende apenas de indicadores econômicos, pois, como disse a saudosa Maria da Conceição Tavares, o povo não come PIB. Isso alimenta outra espécie, os farialimers.
Lula conseguiu aumentar a renda média dos trabalhadores e reduzir a taxa de desemprego, mas isso pouco adianta se isso não vier com a percepção de melhora na qualidade de vida. Para tanto, o poder de compra é central para a aprovação de um governo.
Como venho repisando aqui desde o começo do ano, o motivo é o arroz e o feijão, ou seja, o preço dos alimentos que continua subindo desde o último governo.
A inflação subiu 4,42% no acumulado dos últimos 12 meses, segundo o IPCA do IBGE, porém a alta de alimentação em domicílio foi de 6,27%. O arroz subiu 23,93% e o feijão preto, o mais consumido, 5,73%. A comida é um dos principais componentes da inflação dos mais pobres.
Discordo das análises que não consideram a percepção sobre o custo de vida como uma das questões centrais para a perda de aprovação do governo Lula e olham só para os grandes índices.
A economia melhorou no país com o governo Lula, mas isso ainda não se traduziu em um grande salto para a vida cotidiana, tal como ocorreu nos dois primeiros mandatos do petista. O que impacta negativamente sua popularidade.
Ironicamente, o bolsonarismo se esforça para tentar convencer que a picanha, usada por Lula em sua campanha eleitoral para prometer dias melhores, disparou de preço, quando, na verdade, ela subiu 1,39% em 12 meses – um terço da inflação.
Um dos motivos para o aumento nos alimentos são impactos climáticos, com chuvas fortes no sul e estiagem severa no norte. Para além de agir para reverter os preços (investir na formação de estoque, ajudar mais os pequenos agricultores, fomentar a produção de arroz em outras regiões), o governo vai ter que mostrar ao país que a economia melhorou apesar de o bolsonarismo bater bumbo dizendo que não.
Pedir paciência que os resultados devem aparecer em breve, como sugere o próprio presidente, faria sentido com um povo bem alimentado, não um que chegou a contar 33 milhões de famintos produzidos pelo governo Jair Bolsonaro.
Lula conseguiu ser eleito porque uma parte dos eleitores, que não são petistas, nem bolsonaristas, também acreditou em sua promessa de dias (de compras) melhores. Com picanha e cerveja, mas principalmente com arroz e feijão. Para garantir que ele se reeleja ou aponte um sucessor em 2026, os trabalhadores vão ter que perceber isso. O que passa pelo crivo implacável no caixa do supermercado.
Desemprego fica em 6,4% no 3º tri, menor taxa em 12 anos para o período
A taxa de desemprego no Brasil recuou a 6,4% no trimestre encerrado em setembro, mostram dados divulgados nesta quinta-feira (31) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O recuo coloca o percentual de desocupados com 14 anos ou mais no país no menor nível de toda a série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) para o período. O indicador é coletado desde 2012.
Como ficou o desemprego
Desemprego é o menor em 12 anos para o terceiro trimestre. A taxa de 6,4% assume o posto de mais baixa do levantamento para o período ao aparecer abaixo do resultado de 2014 (6,9%). Em setembro do ano passado, o desemprego afetava 7,7% da população nacional.
Taxa encosta no nível mais baixo de desemprego da história. Na análise entre todos os trimestres móveis, o menor patamar de desocupação do Brasil foi apurado entre outubro e dezembro de 2013, quando 6,3% da população buscava por uma colocação profissional.
Cerca de 7 milhões ainda buscam por uma vaga de trabalho. O número de pessoas que não tinham trabalho e procuraram por um cargo é o menor desde o trimestre encerrado em janeiro de 2015 (6,87 milhões). Somente para meses de setembro, o total é o menor desde 2014 (6,81 milhões). No ano passado, 8,3 milhões buscavam por uma colocação no terceiro trimestre.
“A trajetória de queda da desocupação resultada da contínua expansão dos contingentes de trabalhadores que estão sendo demandados por diversas atividades econômicas”, afirma Adriana Beringuy, coordenadora da Pnad.
Recorde de ocupados
Número de profissionais em atividade sobe para 103 milhões. O número representa o valor mais alto já coletado pelo IBGE para qualquer período. O total corresponde a um crescimento de 1,2% (mais 1,2 milhão de trabalhadores) no trimestre. Já na comparação anual, o avanço foi de 3,2% (mais 3,2 milhões de ocupados).
Indústria e comércio guiam novo recorde da ocupação no Brasil. De acordo com o IBGE, os setores apresentaram aumentos de, respectivamente, 416 mil (3,2%) e 291 mil (1,5%) no volume de novos empregados. Juntos, os dois segmentos totalizam 709 mil trabalhadores a mais no trimestre finalizado em setembro. Com o avanço, o comércio alcançou um novo recorde, com 19,6 milhões trabalhadores.
Crescimento dos setores tem motivações diferentes, diz Beringuy. “A indústria registrou aumento do emprego com carteira assinada. Já no comércio, embora a carteira assinada também tenha sido incrementada, o crescimento predominante foi por meio do emprego sem carteira”, explica a pesquisadora.
Total de ocupados cresceu em sete setores na comparação anual. Além da indústria e do comércio, o número de profissionais também aumentou nos segmentos de construção, transporte, informação e comunicação, administração e outros serviços. O ramo de alojamento e alimentação e serviços domésticos apresentou estabilidade e agropecuária é o único setor com queda significativa, de 4,7%.
Setor privado alcança recorde de 53,3 milhões de funcionários. O novo número mais alto da série histórica é originado da alta de 2,2% no trimestre e de 5,3% no ano. O setor também conta com os recordes de empregados com carteira de trabalho assinada (39 milhões) e informais (14,3 milhões).
Número de empregados no setor público também é o maior em 12 anos. O recorde de 12,8 milhões de trabalhadores em setembro surge com a estabilidade em relação ao trimestre anterior e alta de 4,6% (mais 568 mil pessoas) no ano. Evolução anual é puxada pelo salto de 9,1% entre os servidores sem carteira assinada.
O que é a Pnad Contínua
Divulgado desde 2012, o estudo do IBGE abrange todo o território nacional. Em suas coletas, a pesquisa avalia indicadores relacionados à força de trabalho entre a população com 14 anos ou mais. O grupo é aquele que integra a População Economicamente Ativa do país.
Os indicadores utilizam as informações dos últimos três meses para a pesquisa. Assim, os dados produzidos mensalmente pela Pnad não refletem a situação de cada mês, mas, sim, o desempenho de cada trimestre móvel do ano. Sendo assim, os números atuais mostram como foi mercado de trabalho entre os meses de julho e setembro de 2024.
Taxa de desemprego é formada por quem busca e não consegue emprego. O grupo é caracterizado por pessoas de dentro da força de trabalho que não estão trabalhando, mas estão disponíveis e tentam encontrar emprego. O método utilizado pelo IBGE excluí do cálculo todos os que estão fora da força de trabalho, como um estudante universitário que dedica seu tempo somente aos estudos e uma dona de casa que não trabalha fora.
Tebet: momento é de cortar gastos em políticas públicas ineficientes
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou nesta semana que o momento atual exige coragem para que sejam cortados gastos com políticas públicas ineficientes. Tebet disse que é preciso equilibrar as contas públicas para viabilizar programas que possam melhorar a vida dos brasileiros.
“Não existe social sem fiscal”, declarou a ministra. “Os números estão aí mostrando que tudo que tinha que dar certo, deu. Só falta uma coisa: ter coragem de cortar aquilo que é ineficiente. Erros e fraudes já foram cortados no ano de 2023 porque vieram como fruto da pandemia. Agora é hora de acabar com políticas públicas insuficientes e ineficientes para que possamos fazer, não superávit, mas os investimentos necessários, inclusive em infraestrutura. Como lembrou um grande veículo de comunicação recentemente, é preciso dobrar o investimento no país e, para isso, precisamos de parcerias”, ressaltou Tebet.
A ministra pontuou ainda que, além do corte de gastos, o Brasil precisa estimular investimentos privados. “Só investimento público é insuficiente. Nós, dos países considerados emergentes, estamos bem abaixo da média de investimento. Só conseguiremos alavancar isso fazendo o dever de casa, como estamos fazendo, garantindo a segurança jurídica e a estabilidade”.
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