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Poder

Com Bolsonaro na fila do visto americano, Lula fala de golpismo com Biden

A extrema-direita no Brasil continua viva e em marcha batida

Publicado em 06/02/2023 10:41 - Josias de Souza (UOL), Ricardo Noblat (Metrópoles) – Edição Semana On

Divulgação Metrópoles

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Num encontro reservado com Joe Biden à margem da Cúpula das Américas, em junho do ano passado, Bolsonaro retratou Lula como um perigo para os interesses americanos. Pediu ajuda a Biden para bater a carteira da vontade popular nas eleições brasileiras de 2022. Decorridos oito meses, Lula inclui na conversa que terá com Biden na sexta-feira uma troca de ideias sobre o Capitólio —o original americano e sua cópia brasiliense.

Lula considera essencial discutir com Biden formas de combater a extrema-direita no mundo. Tem a pretensão de firmar um acordo internacional que leve à regulação global das redes sociais contra a difusão de fake news. Ironicamente, Bolsonaro se encontra nos Estados Unidos. Com o título de chefe de Estado vencido, pediu a concessão de um visto de turista. Enquanto aguarda, o capitão propaga mentiras para plateias amigas cada vez menores, em palestras organizadas por simpatizantes do seu ídolo Donald Trump.

A pedido de Lula, incluiu-se também na pauta do encontro bilateral a guerra entre Rússia e Ucrânia. Lula encasquetou com a ideia de assumir algum protagonismo na construção de uma saída para a paz. Menciona a hipótese de constituição do que chama de “novo G20”, para buscar uma solução negociada. Tratou do assunto com o líder alemão Olaf Scholz, na semana passada. Planeja abordar o assunto também com o presidente chinês Xi Jinping na vista que fará à China no mês que vem.

A presença dos ministros Fernando Haddad (Economia) e Marina Silva (Meio ambiente) na comitiva de Lula sinaliza que a megalomania diplomática não o fez esquecer o pragmatismo. Biden menciona desde a campanha em que prevaleceu sobre Trump a ideia de organizar um fundo ambiental. Coisa de US$ 20 bilhões. Serviria, segundo suas palavras, “para o Brasil não queimar mais a Amazônia.”

Bolsonaro enxergou na ideia uma “lamentável” ameaça à soberania nacional. Rosnou para Biden na época: “Apenas diplomacia não dá. Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora, senão não funciona. Lula deveria convidar o anfitrião da Casa Branca a converter seu blábláblá ambiental em cifras.

A extrema-direita no Brasil continua viva e em marcha batida

Ao menos 185 anúncios com teor golpistas foram veiculados nas plataformas do conglomerado de tecnologia Meta, controlador do Facebook e do Instagram, entre novembro último e janeiro deste ano, antes e depois da invasão da Praça dos Três Poderes.

As postagens patrocinadas foram identificadas por um levantamento do NetLab, laboratório da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio (UFRJ). Do total de anúncios golpistas, apenas 21 foram removidos posteriormente pela Meta.

Os anúncios contestam a vitória de Lula, levantam dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral e das urnas eletrônicas, clamam por intervenção militar e convocam, incentivam ou defendem acampamentos golpistas em frente aos quartéis do Exército.

Em breve, ouviremos vozes a dizer que não houve tentativa de golpe em 8 de janeiro, só a anarquia estimulada pela omissão do novo governo. São as vivandeiras que sempre serviram para alimentar as tropas em combate.


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