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Poder
Lula segue na frente em pesquisa FSB/BTG, banco fundado por Paulo Guedes
Publicado em 12/09/2022 11:06 - Leonardo Sakamoto e Josias de Souza (UOL), Julinho Bittencourt (Fórum) – Edição Semana On
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Pesquisa Datafolha, divulgada No último dia 9, mostrou que não fez muita diferença Bolsonaro avisar que é imbroxável no 7 de setembro. Com o preço dos alimentos nas alturas, o presidente não consegue roubar votos de Lula entre os mais pobres, que veem o governo como impotente para melhorar suas vidas.
No levantamento geral, ele reduziu em mais dois pontos a diferença que com o petista, indo a 34%, enquanto o adversário segue com 45%.
Boa parte da responsabilidade por isso é que Lula mantém uma fortaleza de votos entre quem ganha até dois salários mínimos – que, segundo o Datafolha, representa mais da metade da população. De 18 de agosto, primeira pesquisa após o Auxílio Brasil de R$ 600 começar a ser pago, até agora, Lula oscilou de 55% para 54% entre esse grupo, enquanto Bolsonaro foi de 23% para 26%. A margem de erro é de dois pontos.
Entre quem recebe o benefício, 56% estão com Lula e 28%, com Bolsonaro – números que não variaram nos dois últimos levantamentos.
Nesta sexta, o IBGE divulgou que o Brasil teve deflação de 0,36% em agosto, porém os alimentos continuaram subindo, registrando 0,24% de alta. No mês passado, também houve deflação, mas a comida ficou 1,3% mais cara.
O leite longa vida caiu 1,78%, mas ainda acumula alta de 60,81% nos últimos 12 meses. Tanto que, para muitas famílias virou produto de luxo, sendo trocado por soro de leite ou água.
Isso mostra que o pagamento do Auxílio Brasil de R$ 600 ainda não se traduziu em votos para o presidente como ele esperava ao buscar a aprovação da PEC da Compra dos Votos.
É possível inferir, baseado nos números do Datafolha, que os mais pobres ainda não tiveram a chamada percepção coletiva de melhora da qualidade de vida.
Explico: não é a chegada dos R$ 600 às contas individuais dos beneficiários que muda o voto, mas as famílias sentirem que a vida delas e de sua comunidade está de fato melhor.
O que inclui pagar as dívidas com a mercearia, ter geladeiras mais cheias, poder dar um dinheiro para os filhos comprarem um sacolé, tomar uma cerveja com os amigos no domingo. E, ao que tudo indica, isso ainda não ocorreu.
A sociedade sentiu a queda no preço da gasolina, causada pela redução do ICMS (quando o Congresso tirou à força recursos de educação, saúde e segurança nos Estados para baratear os combustíveis). Mas os mais pobres, que têm nos alimentos seu principal gasto, não comem gasolina.
O governo festejou a alta no PIB de 1,2% no segundo trimestre. Mas esquece que não importa o tamanho do PIB mas o conforto que ele proporciona. E a quem.
A questão aqui é de timing, ou seja, quando os eleitores mais pobres vão sentir os alimentos serem mais acessíveis – aquele momento em que a queda dos preços se encontra com os R$ 200 a mais, fazendo diferença no carrinho de compras.
O presidente tenta empurrar a resposta para isso para outubro, contando com a melhora da economia e o pagamento de uma terceira parcela do auxílio.
Como já disse aqui antes, existe um eleitor atraído tanto pela segurança material do legado de Lula quanto pelo discurso de costumes e comportamento de Bolsonaro. Devido aos altos preços dos alimentos, é provável que esse público se conecte mais ao discurso do petista, que adota uma campanha baseada na lembrança de como era a vida em seu governo. A história da picanha e da cerveja em seu governo.
Caso os preços caiam, esse público pode ficar mais aliviado com o futuro e se conectar com os discursos de Bolsonaro, que poderá, assim, roubar votos do petista. A questão para tudo isso é tempo, que o presidente tem cada vez menos.
Pobres e mulheres blindam Lula, jovens e classe média empurram Bolsonaro
A montanha de 7 de Setembro pariu um asterisco. Medida pelo Datafolha, a “virada” anunciada pelos clarins do comitê da reeleição não ultrapassou os limites da margem de erro. Bolsonaro oscilou positivamente dois pontos percentuais. Não roubou votos de Lula, que permaneceu do mesmo tamanho. A distância entre os dois agora é de onze pontos.
Majoritários, pobres e mulheres oferecem blindagem a Lula, mantendo-o no topo. Eleitores jovens e de classe média foram os principais responsáveis pelo soluço que evitou que Bolsonaro ficasse no zero a zero. No cálculo dos votos válidos, Lula somou 48%. Para prevalecer no primeiro turno, precisaria de 50% mais um. Não é impossível. Entretanto, a três semanas da eleição, parece improvável.
Se o segundo turno fosse hoje, Lula (53%) derrotaria Bolsonaro (39%) com 14 pontos de lambuja. Parece muito. Mas é preciso levar em conta que, num embate direto entre dois candidatos, cada voto roubado do adversário conta em dobro. Ou seja: Bolsonaro teria que avançar sete casas para empatar com Lula.
Segundo o Datafolha, a vantagem de Lula sobre Bolsonaro era de 21 pontos em maio. Caiu dez pontos em três meses. Não é pouca coisa. O diabo é que, mantido esse ritmo, a intersecção da curva ascendente de Bolsonaro com a reta de Lula aconteceria apenas em dezembro, dois meses após a abertura das urnas.
Lula deve sua resistência no topo do Datatolha sobretudo a dois nichos da sociedade: os pobres e as mulheres. Entre os que ganham até dois salários mínimos (50% do eleitorado), o candidato petista amealhou 54% das intenções de voto, contra 26% atribuídos a Bolsonaro. No subgrupo que recebe o Auxílio Brasil de R$ 600, o placar é de 56% a 28% a favor de Lula.
Entre as mulheres, que respondem por 52% dos votos, o imbrochável Bolsonaro oscilou de 28% para 29% em uma semana. Lula escorregou dois pontos: de 48% para 46%. Continua ostentando uma vantagem de notáveis 17 pontos. Esgotou-se, aparentemente, o efeito Michelle.
O avanço de Bolsonaro é lento e insuficiente porque ocorre em núcleos minoritários do eleitorado. Neste penúltimo Datafolha, seu crescimento mais vistoso —nove pontos percentuais— foi detectado na faixa dos eleitores de classe média, com renda familiar de cinco a dez salários (8% do eleitorado).
Bolsonaro obteve crescimento expressivo de sete pontos também no pedaço mais jovem do eleitorado, 16 a 24 anos. Beliscou mais três pontos junto à turma de 25 anos a 34 anos. Juntas, essas duas faixas representam 32% do eleitorado do país.
O presidente abriu 23 pontos de vantagem sobre Lula entre os evangélicos (27% do eleitorado). Mas Bolsonaro está 27 pontos atrás do rival no nicho majoritário dos católicos (52% do eleitorado).
Além de levar desvantagem nos estratos mais numerosos da sociedade, Bolsonaro amarga no Datafolha uma interrupção momentânea do seu crescimento no Sudeste, região que abriga quatro em cada dez eleitores do país. Ali, a coisa foi estabilizada com cinco pontos de vantagem de Lula (41%) sobre Bolsonaro (36%).
Em 2018, Bolsonaro surrou Fernando Haddad, seu adversário petista na época, no Sudeste. Precisaria repetir o feito agora. Do contrário, não conseguirá atenuar a surra que o Datafolha registra no Nordeste, segunda região mais populosa do país. Ali, Lula obtém 60% das intenções de voto. Bolsonaro, 23%. Uma diferença de 37 pontos.
Como se tudo isso fosse pouco, a taxa de rejeição de Bolsonaro (51% declaram que jamais votariam nele) ainda é maior do que a de Lula (39%). Nunca um presidente no exercício do cargo chegou tão estilhaçado à reta final de uma campanha pela reeleição.
Lula segue na frente em pesquisa FSB/BTG, banco fundado por Paulo Guedes
Pesquisa presidencial FSB/BTG, realizada entre os dias 09 e 11/09 aponta o ex-presidente Lula com 42% das intenções de votos. A seguir vem o presidente Jair Bolsonaro com 35% dos votos.
Lula tem um ponto a menos do que o levantamento anterior enquanto Bolsonaro cresceu um ponto.
O pedetista Ciro Gomes aparece em terceiro lugar, com 9%, um ponto a mais o que o levantamento anterior. Simone Tebet (MDB) também cresceu um ponto e tem 7%.
Os demais candidatos pontuaram 1% ou menos. Os que votam em branco ou nulo foram 2% e os indecisos ficaram em 1%.
Segundo turno
Já no levantamento para o segundo turno, Lula (PT) e Bolsonaro perderam dois pontos percentuais cada um. Lula ganha com 51% contra 38% de Bolsonaro. Brancos e Nulos: 10% (+3) Indecisos: 1% (=).
A pesquisa realizou 2.000 entrevistas por telefone de 9 a 11 de setembro de 2022. Está registrada no TSE com o número BR-06321/2022. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.
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