Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Poder
Generais e ex-ministros estão na lista por tentativa de golpe de Estado e formação de quadrilha
Publicado em 21/11/2024 3:18 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
A Polícia Federal indiciou, nesta quinta-feira (21), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o general Walter Braga Netto (PL) e outras 35 pessoas sob acusações graves que incluem tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. O relatório de 884 páginas foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e traz detalhes de uma complexa trama envolvendo militares, políticos e apoiadores do ex-presidente.
Clique para seguir a SEMANA ON no Instagram, no Facebook e no Whatsapp
A investigação apontou que os acusados atuaram em núcleos bem definidos para executar o plano. Segundo a PF, as tarefas foram divididas em cinco grupos principais:
Desinformação e ataques ao sistema eleitoral: responsável por questionar a credibilidade das urnas eletrônicas e fomentar dúvidas na população.
Incitação militar: voltado a persuadir integrantes das Forças Armadas a apoiar a trama golpista.
Núcleo jurídico: responsável por elaborar estratégias legais que dessem suporte às ações golpistas.
Núcleo de inteligência paralela: estruturado para reunir informações estratégicas de forma sigilosa.
Operacional de apoio: incumbido de executar medidas coercitivas e operacionais.
Entre as provas reunidas estão mensagens de celular, vídeos, gravações e depoimentos. Destaque para a delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que revelou a existência de uma minuta de decreto golpista destinada a instaurar um “estado de sítio” no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além disso, um vídeo de uma reunião ministerial capturou Bolsonaro afirmando: “Se a gente reagir depois das eleições, vai ter um caos no Brasil, vai virar uma grande guerrilha”.
Suspeita de assassinatos
Uma descoberta chocante feita durante as investigações foi o plano de assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O plano, encontrado no HD do general da reserva Mario Fernandes, detalhava armamentos, possíveis cenários de reação popular e estratégias para execução dos crimes. Fernandes foi preso na última terça-feira (19) em uma operação da PF.
Indiciados e próximos passos
Entre os 37 indiciados, estão figuras de alta patente e aliados próximos de Bolsonaro, como o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. A lista completa inclui políticos, militares e assessores. O STF agora deve encaminhar o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR), que avaliará as provas e decidirá se apresenta denúncia. Por conta da complexidade do caso, espera-se que a decisão seja tomada somente no próximo ano.
Jair Bolsonaro pode enfrentar até 23 anos de prisão caso seja condenado pela soma dos crimes imputados: tentativa de abolir o Estado democrático de direito (4 a 8 anos), tentativa de golpe de Estado (4 a 12 anos) e associação criminosa (1 a 3 anos). De acordo com a legislação brasileira, ele poderia progredir para o regime semiaberto após cumprir um sexto da pena.
Impacto histórico
O indiciamento é inédito na história do Brasil pós-ditadura militar, marcando a primeira vez que um presidente eleito no período democrático é acusado de tramar contra a própria democracia. Bolsonaro já havia sido declarado inelegível pelo TSE por conta de uma reunião com embaixadores em que atacou, sem provas, a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. A investigação da PF reforça o histórico de declarações e ações antidemocráticas do ex-presidente.
A defesa de Bolsonaro, Braga Netto e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi procurada, mas ainda não se manifestou. O caso, de ampla repercussão nacional e internacional, lança uma luz sobre os desafios da democracia brasileira em enfrentar ameaças internas e garantir a responsabilização de figuras públicas.
Veja a lista dos indiciados
Deixe um comentário