21/05/2024 - Edição 540

Poder

Candidatos à presidência condenam ataque a Bolsonaro

Publicado em 07/09/2018 12:00 -

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Candidatos que disputam a Presidência da República se manifestaram nas redes sociais sobre o ataque sofrido pelo candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na tarde de quinta-feira (6). Durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), um homem atingiu Bolsonaro com uma faca.

O candidato pelo PDT, Ciro Gomes, se manifestou pelo Twitter, durante campanha em Caruaru, Pernambuco. “Repudio a violência como linguagem política, solidarizo-me com meu opositor e exijo que as autoridades identifiquem e punam os responsáveis por esta barbárie.

Marina Silva, candidata da Rede, considerou a violência contra Bolsonaro inadmissível e um atentado contra sua integridade física e a democracia. “Neste momento difícil que atravessa o nosso país, é preciso zelar com rigor pela defesa da vida humana e pela defesa da vida democrática e institucional do nosso país. Este atentado deve ser investigado e punido com todo rigor”, declarou Marina.

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, também comentou o fato em sua página do Twitter e declarou que espera que Bolsonaro se recupere rapidamente. “Política se faz com diálogo e convencimento, jamais com ódio. Qualquer ato de violência é deplorável. Esperamos que a investigação sobre o ataque ao deputado Jair Bolsonaro seja rápida, e a punição, exemplar”, declarou.

O candidato pelo partido Novo, João Amoedo, disse que nenhum ser humano deve passar por qualquer tipo de violência. “É lamentável e inaceitável o que aconteceu com o Jair Bolsonaro. Independentemente de divergências políticas, não é possível aceitar nenhum ato de violência. Que o agressor sofra as devidas punições. Meus votos de melhoras para o candidato”, disse.

O vice-candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad, também se manifestou pelo Twitter. “Repudio totalmente qualquer ato de violência e desejo pronto restabelecimento a Jair Bolsonaro.”

Guilherme Boulos, candidato do Psol, criticou o ataque. “A violência não se justifica, não pode tomar o lugar do debate político. Repudiamos toda e qualquer ação de ódio e cobramos investigação sobre o fato.”

Henrique Meirelles, que concorre pelo PMDB, também repudiou o atentato e desejou a Bolsonaro pronta recuperação. “Lamento todo e qualquer tipo de violência. O Brasil precisa encontrar o equilíbrio e o caminho da paz. Temos que ter serenidade para apaziguar a divisão entre os brasileiros.”

Consequências

O atentado contra Jair Bolsonaro, ato inédito em campanhas presidenciais desde a redemocratização, insere um elemento de imprevisibilidade na já turbulenta disputa pelo Palácio do Planalto.

O presidenciável tende a ser beneficiado politicamente pelo episódio. No mínimo, ficará difícil para seus adversários manterem o ritmo diário de críticas contra ele.

Mas há alguns fatores concorrendo contra a expansão dessa simpatia para além de sua base de apoio, hoje cristalizada nos cerca de 15% do eleitorado que declaram voto nele espontaneamente.

O primeiro diz respeito à autoria do ataque. O suspeito de ter esfaqueado o deputado foi filiado ao PSOL e, segundo relatos disponíveis, parece desequilibrado.

Alguma conta política cairá para o partido de Guilherme Boulos. Não que isso vá piorar ou melhorar seu desempenho, mas poderá alimentar o impacto mais importante: na radicalização já em curso no país.

A primeira reação dos bolsonaristas foi previsivelmente exacerbada, reforçada pela associação à esquerda do agressor. Membros da cúpula militar, reunidos em Brasília, avaliavam conversar com o núcleo familiar da campanha para pedir moderação.

O atentado é o zênite do processo de polarização extrema que toma conta do país desde os protestos de junho de 2013.

Naquele momento, forças sociais explodiram em descontentamento com o rumo da gestão pública, e a franja à direita que desenvolveu-se a partir dali ganhou corpo com as manifestações de rua pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2015 e 2016.

Historicamente eleitora do PSDB, essa fatia da população passou a ser fomentadora da figura de Bolsonaro. Se aqueles processos não produziram cadáveres, o extremismo do processo político literalmente feriu o líder das pesquisas eleitorais.

Poderá isso gerar um refluxo, uma rejeição à defesa desses extremos associada ao processo de formação da candidatura de Bolsonaro?

Ele disputa surfando uma onda de indignação contra o sistema político, independentemente de ser parte dele.

Para complicar o cenário, a retórica bolsonarista invariavelmente apela a metáforas violentas. Compara o combate ao crime ideal a uma política de extermínio de bandidos.

Além de sempre associar-se ao simbolismo das armas, Bolsonaro até teve de se explicar à Procuradoria-Geral da República por ter dito que gostaria de “metralhar” petistas.

Nesse sentido, é inconveniente ironia que um candidato que defende armar a população para garantir a segurança pública ter sido alvejado de forma quase fatal por uma prosaica faca de cozinha.

Obviamente, isso não é justificativa para violência alguma, como muitos já insinuam em redes sociais. Mas é central para ajudar a entender o caldo cultural em que a campanha eleitoral se desenrola.

É possível especular se o ato extremo poderá levar a um desejo por apaziguamento de ânimos no país.

Mas o exato reverso também é uma possibilidade, talvez até maior. Ou seja, a agudização do ambiente de crise, com os clamores dos aliados de Bolsonaro, mas não só.

Na internet, por exemplo, já circulavam teorias conspiratórias sugerindo que o ataque poderia ser uma armação visando dar um empurrão eleitoral a Bolsonaro. O fato de o deputado quase ter morrido exangue, pelo relato médico disponível, é mero detalhe para quem propaga esse tipo de informação.

Esse cenário de aumento de agressividade só tem paralelo histórico recente com os enfrentamentos entre brizolistas e colloridos no primeiro turno de 1989.

O problema, aqui, é que o patamar da crise é infinitamente maior de saída. As investigações sobre o caso deverão ser fundamentais para aclarar o cenário e trazer algum grau de racionalidade.

País que teve seu primeiro presidente civil em 21 anos morto antes de tomar posse, o Brasil parece fadado a lances dramáticos. Em 2014, a morte de Eduardo Campos (PSB) em um acidente de avião quase catapultou sua então vice, Marina Silva, à Presidência.

Se analistas achavam difícil este 2018 ser superado em termos de nebulosidade eleitoral, o atentado apenas prova que no fundo de todo poço sempre reside um alçapão.


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