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Poder

Câmara dos Deputados define novo presidente: conheça os candidatos na disputa

Três deputados concorrem à sucessão de Arthur Lira; Hugo Motta desponta como favorito

Publicado em 29/01/2025 10:19 - Semana On

Divulgação

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No próximo sábado (1º), a Câmara dos Deputados realizará a eleição para a presidência da Casa, marcando o fim da gestão de Arthur Lira (PP-AL) após quatro anos no comando. Três candidatos estão na disputa: Hugo Motta (Republicanos-PB), candidato apoiado por Lira e pela ampla maioria dos partidos; Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ), representante da ala progressista; e Marcel van Hattem (Novo-RS), principal nome da oposição bolsonarista.

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A escolha do novo presidente da Câmara é estratégica para o governo e para as forças políticas do Congresso, pois define a condução da pauta legislativa pelos próximos dois anos. O voto será secreto, o que pode abrir espaço para dissidências, apesar do amplo favoritismo de Hugo Motta.

Hugo Motta: o candidato da continuidade

Médico e deputado federal desde 2010, Hugo Motta começou sua carreira política como o parlamentar mais jovem da história do Brasil, eleito aos 21 anos pelo MDB. Oriundo de uma família tradicional da Paraíba, com forte base eleitoral na cidade de Patos, ele construiu ao longo dos anos uma trajetória de proximidade com diferentes espectros políticos.

Seu principal trunfo na disputa é o apoio do atual presidente da Câmara, Arthur Lira, que o escolheu como sucessor após meses de negociações. Inicialmente, o nome preferido de Lira era Elmar Nascimento (União Brasil-BA), mas, diante das dificuldades de articulação, Motta emergiu como um candidato de consenso.

Desde a oficialização de sua candidatura, o parlamentar conseguiu angariar apoios estratégicos, incluindo o do governo Lula. Motta tem um histórico de diálogo com diversas administrações — de Dilma Rousseff a Jair Bolsonaro — e se compromete a manter a estabilidade institucional e a pluralidade na condução da Casa.

Entre os temas sensíveis que marcaram a disputa, está a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Motta defende um rito regimental para a proposta, evitando acelerar ou travar a discussão. Além disso, segundo o Radar do Congresso, ele votou com o governo em 88% das pautas, sendo o candidato mais alinhado ao Palácio do Planalto.

Pastor Henrique Vieira: a aposta progressista

Doutor em História, teólogo e sociólogo, o Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) ganhou projeção por sua defesa de um cristianismo progressista e pela crítica ao uso da fé como instrumento de radicalização política. Aos 37 anos, ele é um dos vice-líderes do governo na Câmara e tem como bandeiras a justiça social, os direitos humanos e a transparência no orçamento público.

Henrique Vieira se destacou na Comissão de Segurança Pública como um dos principais opositores ao endurecimento das penas e ao aumento da venda de armas no país. Seu discurso abolicionista penal e sua crítica à Bancada da Bala renderam embates acalorados no plenário.

Candidato do Psol na disputa, Vieira segue a tradição do partido de lançar nomes sem chances reais de vitória, mas com o objetivo de pautar debates essenciais. Ele propõe um modelo de gestão da Câmara com maior controle sobre as emendas parlamentares e transparência na destinação de verbas públicas. Além disso, se opõe frontalmente à anistia dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro.

Embora seja vice-líder do governo, Vieira possui um índice de governismo de 82%, inferior ao de Hugo Motta. Ainda assim, sua candidatura serve como um contraponto ideológico dentro da disputa.

Marcel van Hattem: o nome da oposição

Com dupla nacionalidade (brasileira e holandesa), Marcel van Hattem (Novo-RS) é um dos principais expoentes da direita bolsonarista na Câmara. Ele começou sua carreira política como vereador no Rio Grande do Sul e, ao longo dos anos, consolidou sua postura combativa contra governos de esquerda.

Desde que chegou ao Congresso em 2018, pelo partido Novo, Van Hattem disputou todas as eleições para a presidência da Câmara, sempre com votações modestas. Seu melhor desempenho foi em 2019, quando recebeu 23 votos. Em 2023, obteve 19 votos.

Atualmente, ocupa a posição de primeiro vice-líder da oposição e defende pautas alinhadas ao bolsonarismo, como a anistia dos presos de 8 de janeiro e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Também prometeu, se eleito, abrir um processo de impeachment contra o presidente Lula.

Em novembro de 2024, foi indiciado pela Polícia Federal por calúnia e injúria após expor e atacar publicamente um delegado responsável por investigações contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio gerou debate sobre os limites da imunidade parlamentar e fortaleceu sua imagem como um opositor radical.

Segundo o Radar do Congresso, Van Hattem é o candidato com menor índice de alinhamento ao governo Lula, tendo votado com o Executivo em apenas 21% das ocasiões.

A disputa e as expectativas

Com ampla base de apoio, Hugo Motta entra na disputa como franco favorito. O apoio de Arthur Lira, sua relação com o governo e a costura de alianças com partidos de diferentes espectros garantem uma vantagem considerável. No entanto, como o voto é secreto, surpresas não estão descartadas.

Pastor Henrique Vieira e Marcel van Hattem, mesmo sem chances reais de vitória, usam suas candidaturas para marcar posição e reforçar suas agendas. Enquanto o parlamentar do Psol foca na transparência e na justiça social, o representante do Novo aposta na mobilização da direita radical.

A eleição do próximo presidente da Câmara será decisiva para definir o futuro da governabilidade de Lula e a condução de temas cruciais, como o orçamento, reformas e a pauta de costumes. Independentemente do resultado, o novo líder da Casa terá o desafio de equilibrar os interesses de um Congresso fragmentado e altamente polarizado.

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