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Poder
Ex-advogada de Flávio admite possível ‘impropriedade’ na reunião com ex-presidente
Publicado em 19/07/2024 9:46 - Josias de Souza (UOL), Juliana Dal Piva (ICL Notícias) – Edição Semana On
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Cercado pela Polícia Federal, Bolsonaro transformou um comício de Alexandre Ramagem, seu candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, num ato de desafio à lógica, ao sistema eleitoral e às instituições. Fantasiado com um figurino de perseguido político, repetiu toda a cantilena golpista que produziu o 8 de janeiro e compôs o pano de fundo contra o qual o Tribunal Superior Eleitoral decretou sua inelegibilidade por oito anos.
Voltou a sustentar a lenda segundo a qual Lula subiu a rampa do Planalto pela terceira vez graças a uma fraude: “O que aconteceu no final de 2022, um dia, nós recuperando a liberdade de expressão, vocês tomarão conhecimento”. Recorreu a uma analogia futebolística. “Já vimos um time de futebol ser campeão sem torcida. Mas um presidente da República eleito sem povo é a primeira vez na história.”
Ao justificar sua fuga para a Flórida às vésperas da posse de Lula, o capitão bateu abaixo da linha da cintura. “Não passo faixa para ladrão”. Num instante em que a banda bolsonarista do Congresso articula uma anistia capaz reabilitá-lo politicamente, Bolsonaro insinuou que sua carta voltará ao baralho na próxima sucessão: “Quando se fala em 2026, nós temos que passar por 2024.”
Depositou seu futuro nas mãos de sua milícia parlamentar. “Temos certeza que em 2026 muita coisa vai mudar. O Parlamento vai de fato nos garantir a lisura das eleições, e temos certeza que atingiremos o objetivo que é de todos nós”.
Menos de 24 horas depois do depoimento de Ramagem à Polícia Federal no inquérito sobre a Abin paralela, Bolsonaro incluiu o cúmplice no enredo ficcional do complô. “O Ramagem, delegado da Polícia Federal que eu conheci na transição de 2018, já começa a pagar um preço alto pela sua ousadia de querer pensar, sonhar e administrar uma cidade com respeito, com honradez e com orgulho”.
Na política, como na vida, todo mundo deve raciocinar com hipóteses. Das mais amplas às mais específicas. Levando-se o raciocínio de Bolsonaro às últimas consequências, a melhor das hipóteses para ele é a de que tornou-se mesmo vítima de um complô da Polícia Federal, do delator Mauro Cid, dos chefes militares que refugaram a minuta do golpe e do Supremo para fazer de um ex-presidente limpinho um criminoso contumaz.
A pior das hipóteses é que, alheio à evidência de que tudo o que está na cara não pode ser uma conspiração da lei das probabilidades contra um inocente, Bolsonaro demora a se dar conta de que o cerco criminal está prestes a convertê-lo de investigado em réu e, no limite, em condenado a passar uma temporada na cadeia.
Diante de tais hipóteses Bolsonaro tem duas alternativas: ou continua trafegando no universo da Terra plana ou percebe que um palanque não é o lugar mais adequado para que um delinquente obtenha argumentos sólidos capazes de retirá-lo da condição de um condenado esperando na fila para acontecer.
Ex-advogada de Flávio admite possível ‘impropriedade’ na reunião com Jair Bolsonaro
Em entrevista à coluna, a advogada Juliana Bierrenbach, ex-integrante da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), admitiu que existiu uma “impropriedade” na reunião dela e da advogada Luciana Pires com o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro Augusto Heleno, do GSI, e Alexandre Ramagem, então chefe da Abin, para tratar de uma estratégia de defesa para o filho mais velho de Bolsonaro.
“Existiu uma impropriedade em relação ao GSI? Pode ser que tenha existido”, afirmou Bierrenbach, ao falar da existência da reunião, que originalmente seria com o órgão. A advogada falou que Luciana Pires, ex-sócia dela, tinha orientado uma argumentação para alegar uma questão de segurança em função de Flávio Bolsonaro ser filho do então presidente da República. Na visão delas, na época, isso justificaria uma razão para levar o pedido de informações ao GSI. Bierrenbach, porém, admite que hoje analisa que isso é “questionável”.
Em nota, Luciana Pires disse que o trabalho dela “se deu nos limites da atuação profissional”.
Reunião discutiu estratégias para blindar Flávio
A reunião aconteceu em 25 de agosto de 2020, no Palácio do Planalto, e foi gravada por Ramagem. O áudio de pouco mais de 1 hora foi encontrado por investigadores da Polícia Federal (PF) em um computador do ex-chefe da Abin. Na última segunda (15), o ministro Alexandre de Moraes — relator do inquérito que investiga a “Abin paralela” retirou o sigilo e tornou pública a gravação.
Nela é possível perceber que durante a reunião, o ex-presidente Jair Bolsonaro expressa preocupação com a investigação envolvendo o filho Flávio, e se dispõe a conversar com agentes públicos para intervir no caso: “A quem interessa pra gente resolver esse assunto?”, pergunta Bolsonaro. Ele é aconselhado por Ramagem e Heleno, que indicam possíveis nomes que poderiam ajudar, mas alertam para deixar a operação “fechadíssima”, só entre gente de confiança. Toda a reunião foi acompanhada por Luciana Pires e Juliana Bierrenbach, que eram advogadas de Flávio Bolsonaro. As duas participam da discussão de estratégias para proteger Flávio no caso das “rachadinhas”
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