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Poder

Bolsonaro articula chapas ao Senado de dentro da Papuda

Disputa por vaga ao Senado em São Paulo expõe racha no bolsonarismo

Publicado em 23/02/2026 9:38 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Preso em regime fechado no Complexo da Papuda desde 22 de novembro de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue atuando na reorganização do campo conservador para as próximas eleições. A partir da unidade prisional conhecida como “Papudinha”, ele tem transmitido orientações sobre a formação de chapas ao Senado e aos governos estaduais por meio de aliados que o visitam regularmente.

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Parlamentares do PL relatam que Bolsonaro acompanha de perto as negociações e participa das definições estratégicas. Segundo o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), o ex-presidente prepara uma lista de candidatos que deve contemplar disputas ao Senado, a governos estaduais e a outros cargos majoritários e proporcionais.

Com o calendário eleitoral se aproximando, o Complexo da Papuda passou a integrar a rotina política de lideranças da direita. Na última semana, Bolsonaro recebeu os senadores Bruno Bonetti (PL-RJ) e Carlos Portinho (PL-RJ), além dos deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Ubiratan Sanderson (PL-RS), este último apontado como pré-candidato ao Senado.

Após o encontro, Nikolas Ferreira afirmou ter discutido o cenário eleitoral em Minas Gerais, estado considerado decisivo nas disputas nacionais. Segundo o deputado, foram avaliadas possibilidades de candidaturas ao governo estadual e ao Senado. Ele evitou mencionar nomes, justificando cautela na articulação enquanto adversários ainda não formalizaram suas escolhas.

A visita de Sanderson reforçou a percepção de que Bolsonaro permanece ativo nas definições partidárias. O parlamentar mencionou chapas que, segundo ele, contam com o aval do ex-presidente para o Senado em três unidades da Federação:

Distrito Federal: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis;

Santa Catarina: o vereador Carlos Bolsonaro e a deputada Carol de Toni;

Rio Grande do Sul: Sanderson e o deputado Marcel van Hattem.

A eventual candidatura de Michelle ao Senado sinaliza o afastamento da hipótese de uma disputa ao Executivo. Internamente, sua postura reservada em relação ao apoio ao senador Flávio Bolsonaro, cotado para concorrer ao Planalto, é interpretada por aliados como indicativo de que ela ainda consideraria integrar uma chapa presidencial como vice.

Sanderson também mencionou o deputado Filipe Barros (PL) como nome ao Senado no Paraná. A segunda vaga no estado poderia caber a um indicado do PSD, caso haja acordo com o bolsonarismo. Nesse cenário, o governador Ratinho Junior, apontado como um dos pré-candidatos do PSD à Presidência, teria papel central na escolha.

Rio de Janeiro e disputa interna

No Rio de Janeiro, reduto histórico do bolsonarismo, o quadro permanece indefinido. Carlos Portinho articula apoio à reeleição e declarou, após encontro com Bolsonaro, que o ex-presidente avalia sua candidatura como a que melhor representa o campo conservador no estado.

Apesar da afinidade política, Bolsonaro pondera que Portinho teria menor potencial eleitoral. Outra alternativa seria o governador Cláudio Castro (PL). A decisão, segundo interlocutores, dependerá de consulta a Flávio Bolsonaro.

Isolamento partidário

Embora mantenha interlocução com parlamentares, Bolsonaro está impedido de dialogar diretamente com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O dirigente solicitou autorização para visitá-lo, mas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido sob o argumento de que Valdemar também é investigado no processo que apura a tentativa de golpe de Estado.

A restrição repete o modelo adotado em eleições anteriores, quando interlocutores assumiram a mediação política. Na disputa municipal passada, o PL projetava eleger mil prefeitos, meta que não se concretizou.

Estratégia nacional: Senado como prioridade

A prioridade do grupo bolsonarista é ampliar a bancada no Senado. A meta divulgada por aliados é eleger até 40 senadores, incluindo nomes do centrão que venham a aderir formalmente à aliança — número que se aproximaria da metade das 81 cadeiras da Casa.

A estratégia tem objetivo declarado: influenciar a escolha da presidência do Senado e criar condições políticas para abrir processos de impeachment contra ministros do STF. A campanha deve enfatizar pautas conservadoras e a crítica ao Supremo, com uso do número 222 como identificação de candidatos alinhados ao ex-presidente.

Mesmo atrás das grades, Bolsonaro aposta no capital político acumulado junto à militância para tentar converter apoio ideológico em maioria parlamentar — um movimento que reposiciona o Senado no centro da disputa institucional.

Disputa por vaga ao Senado em São Paulo expõe racha no bolsonarismo

A troca de críticas entre lideranças do bolsonarismo nos últimos dias escancarou um conflito que vai além de divergências pessoais. O embate público envolvendo Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro tem como pano de fundo a disputa por uma das duas vagas ao Senado que estarão em jogo em 2026 — especialmente em São Paulo, onde o PL enfrenta indefinições internas.

O episódio ganhou corpo após a visita de Nikolas Ferreira (PL-MG) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na unidade conhecida como Papudinha, no Distrito Federal. Bolsonaro está detido desde 15 de janeiro, por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes, que ordenou sua transferência da sede da Polícia Federal em Brasília.

Em entrevista ao SBT News, Eduardo Bolsonaro criticou o que classificou como “amnésia” de Nikolas e de Michelle Bolsonaro. Segundo ele, ambos estariam demonstrando engajamento insuficiente na articulação política em torno do projeto presidencial de seu irmão, Flávio Bolsonaro. A declaração foi interpretada como um ataque direto ao círculo mais próximo do ex-presidente.

Nos bastidores, porém, a tensão se conecta à sucessão no Senado. Em 2026, cada estado elegerá dois senadores. Em São Paulo, um dos nomes cotados no campo da direita é o do secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP). A outra vaga, inicialmente associada a Eduardo Bolsonaro, tornou-se objeto de disputa interna após seu período nos Estados Unidos, que fragilizou sua presença política no estado.

Nesse contexto, emergiram diferentes preferências dentro do PL. Eduardo demonstraria apoio ao nome de Mario Frias, ex-secretário especial de Cultura no governo Bolsonaro. Já Michelle Bolsonaro tem articulado, segundo relatos de aliados, em favor da deputada federal Rosana Valle (PL-SP). O confronto verbal desta semana é visto por integrantes do partido como reflexo dessa queda de braço.

Após permanecer cerca de duas horas com Bolsonaro na Papudinha, Nikolas Ferreira reagiu às críticas. Disse estar habituado a ataques e negou qualquer “amnésia”. “Eu me lembro muito bem de todos os anos que fui atacado injustamente”, afirmou. Também saiu em defesa de Michelle Bolsonaro, destacando o momento pessoal vivido pela ex-primeira-dama.

O deputado mineiro sugeriu que a prioridade deveria ser a mobilização contra adversários políticos, e não disputas internas. “A prioridade é nos atacar? Isso diz muito mais sobre ele do que sobre mim”, declarou, em referência indireta a Eduardo. Em tom crítico, acrescentou: “Acho que o Eduardo não está bem”.

A visita de Nikolas foi autorizada por Alexandre de Moraes no último dia 30. O ministro também autorizou encontro do deputado Sanderson (PL-RS) com o ex-presidente. Após a reunião, Sanderson afirmou ter recebido apoio de Bolsonaro para disputar o Senado pelo Rio Grande do Sul. Segundo ele, o ex-presidente também manifestou preferência por Marcel van Hattem (Novo-RS) no estado.

Em Santa Catarina, de acordo com Sanderson, Bolsonaro tende a apoiar as candidaturas do vereador Carlos Bolsonaro e da deputada Carol de Toni (PL-SC). No Distrito Federal, o ex-presidente teria sinalizado apoio a Michelle Bolsonaro e à deputada Bia Kicis para o Senado. A estratégia, segundo o parlamentar, é lançar nomes competitivos em todos os estados.

Ainda assim, o cenário permanece indefinido em Minas Gerais, Rio de Janeiro e, sobretudo, São Paulo — epicentro da atual disputa interna. O episódio desta semana indica que, além da polarização com adversários externos, o bolsonarismo terá de administrar suas próprias tensões antes de chegar às urnas em 2026.

DESCONFIANÇA


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