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Ipea: alta de preços foi maior para famílias de renda mais baixa
Publicado em 13/11/2024 8:59 - Leonardo Sakamoto (UOL), Agência Brasil – Edição Semana On
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Pesquisa CNT/MDA, divulgada na terça (12), aponta que a gestão do presidente Lula foi considerada como ótima ou boa por 42,7% dos entrevistados em janeiro e por 35,5% agora – uma queda de 7,2 pontos. No mesmo período, a alimentação em domicílio subiu 5%, mais do que a inflação no período (3,9%), segundo o IPCA de outubro. Há uma relação inversa entre a redução na avaliação e a alta no preço da comida, que é mais dura principalmente com os mais pobres.
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A taxa de desemprego, hoje em 6,4%, caminha para atingir a mínima histórica desde que a atual série do IBGE começou em 2012, o crescimento da economia deve passar os 3% e a renda média dos trabalhadores cresceu 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mas o preço das coisas, que já estava alto pela inflação acumulada nos últimos dois anos da gestão Bolsonaro, segue aumentando. As pessoas estão empregadas e ganhando mais, mas o salário já não compra como antes.
Essa mesma situação (desemprego em baixa, renda em alta, PIB crescendo e custo de vida alto) levou à derrota de Kamala Harris na eleição presidencial norte-americana. A percepção da piora na qualidade de vida entre trabalhadores brancos, mas também latinos e negros, foi muito bem explorada por seu adversário, Donald Trump.
Preocupada com essa situação, a ala econômica do governo Lula e uma parte do PT tentam aprovar um ajuste fiscal baseado em um corte estrutural de gastos, mostrando ao mercado que o Poder Executivo vai cumprir o arcabouço fiscal. Defendem que isso pode melhorar o ambiente de negócios, trazer investidores ao país, reduzir o dólar e, com isso, derrubar juros e inflação. Inflação que, na prática, é o pior dos impostos contra os pobres.
Do outro lado, parte do governo, do PT e da base no Congresso estão alertando que a chicotada virá no lombo da classe trabalhadora, com a desvinculação constitucional das receitas para a educação e saúde pública e pancadas sobre quem depende do BPC e do seguro-desemprego. Por isso, tentam reduzir a pancada nos pobres e colocar os ricos na roda.
Sim, tradicionalmente os ajustes são feitos nas costas dos que não sem-lobby em Brasília, como os mais vulneráveis, enquanto dividendos de super-ricos e benefícios fiscais a certos setores econômicos poderosos são verdades incontestáveis, como um 11º mandamento do livro do Êxodo.
De qualquer forma, seja pela persistência da inflação ou pela redução de gastos públicos visando o bem-estar social, os mais pobres vão sentir. A questão é onde sentirão menos.
Para garantir que Lula se reeleja ou aponte um sucessor em 2026, os trabalhadores terão que perceber a melhora na qualidade de vida. Isso dependerá de como os efeitos da escolha a ser tomada pelo presidente vão ser sentidos por eles — que foram fundamentais para a derrota de Bolsonaro, mas esperam uma melhora significativa na sua qualidade de vida para voltar a dar o seu voto daqui a dois anos ou não.
Ipea: alta de preços foi maior para famílias de renda mais baixa
A inflação acelerou em outubro para quase todas as faixas de renda, na comparação com o mês de setembro. A exceção foi para as famílias de renda alta. Para os domicílios com renda muito baixa, a taxa de inflação avançou de 0,58%, em setembro, para 0,75%, em outubro, enquanto as famílias de renda mais alta passaram de 0,33% para 0,27% no mesmo período.
Os dados são do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgado nesta terça-feira (12) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A faixa de renda baixa é a que registrrou a maior alta inflacionária no acumulado do ano (4,17%), enquanto o segmento de renda alta tem a taxa menos elevada (3,20%). Já no acumulado em 12 meses, as famílias de renda alta apresentam a menor taxa de inflação (4,44%), ao passo que a faixa de renda muito baixa aponta a taxa mais elevada (4,99%).
“Embora os grupos alimentos e bebidas e habitação tenham sido os principais pontos de descompressão inflacionária para todos os estratos de renda, o impacto de alta vindo destes dois segmentos foi proporcionalmente mais forte nas classes de rendas mais baixas, dado o maior percentual do gasto com esses bens e serviços no orçamento dessas famílias.”
Mesmo com as deflações registradas em diversos alimentos in natura, como tubérculos (-2,5%), hortaliças (-1,4%) e frutas (-1,1%), os impactos da forte alta das carnes (5,8%), do frango (1,0%) e do leite (2,0%), além dos reajustes do óleo de soja (5,1%) e do café (4,0%), explicam a contribuição positiva desses grupos à inflação de outubro.
“Já o baixo nível dos reservatórios fez com que fosse adotada a bandeira vermelha patamar 2 nas tarifas de energia elétrica em outubro, gerando um reajuste de 4,7% e contribuindo para a pressão do grupo habitação”, diz a nota do Ipea.
Em contrapartida, houve melhora no desempenho do grupo transportes, refletida principalmente pelas quedas das tarifas de transporte público, como ônibus urbano (-3,5%), trem (-4,8%) e metrô (-4,6%), além da deflação de 0,17% dos combustíveis. Com isso, houve um alívio inflacionário para todas as classes em outubro.
As famílias de renda alta sentiram uma descompressão inflacionária ainda mais forte da inflação dada a queda de 11,5% das passagens aéreas e de 1,5% no transporte por aplicativo, anulando, inclusive, a pressão exercida pelo grupo despesas pessoais, refletindo, especialmente, os reajustes de 1,4% dos serviços de recreação e lazer.
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