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Poder

Aprovação de Lula reage e governo aposta na economia para reconpor base popular

Presidente tem 55% de chance de ganhar eleição, diz consultoria Eurasia

Publicado em 13/05/2026 4:12 - Semana On

Divulgação Reprodução

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A rápida oscilação do ambiente político brasileiro voltou a desmontar previsões categóricas sobre o enfraquecimento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há poucas semanas, setores da oposição e analistas alinhados ao bolsonarismo trataram a derrota de Jorge Messias no Senado — na tentativa de conduzi-lo ao Supremo Tribunal Federal — como evidência de um suposto colapso político do Palácio do Planalto. O episódio foi vendido como um marco de isolamento do presidente no Congresso e de deterioração irreversível da sua capacidade de articulação.

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Os números mais recentes das pesquisas, no entanto, indicam um cenário menos dramático e mais complexo. Segundo levantamento Genial/Quaest, a diferença entre desaprovação e aprovação do governo caiu de nove para três pontos em apenas um mês, sinalizando recuperação parcial da imagem presidencial.

Apesar de Lula seguir em situação de empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) nos cenários eleitorais, o presidente voltou a aparecer numericamente à frente do adversário. O movimento coincide com uma redução significativa das notícias negativas sobre o governo e um aumento da percepção positiva em torno de medidas econômicas recentes.

Entre elas está o programa Desenrola 2, avaliado por 72% dos entrevistados como uma iniciativa que ajuda, de alguma maneira, a população endividada. Também cresceu o número de brasileiros que afirmam sentir melhora financeira após a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais: o percentual subiu de 17% para 21%.

A estratégia do governo segue um padrão clássico de ocupação eleitoral da máquina pública em períodos pré-eleitorais. Assim como Jair Bolsonaro tentou fazer em 2022 com programas de transferência de renda e ampliação de benefícios sociais, Lula agora busca reconstruir apoio sobretudo entre os segmentos de renda mais baixa — especialmente nas classes C, D e E, onde o petismo perdeu terreno nos últimos anos.

Nesse contexto, o Planalto vem acumulando iniciativas de impacto direto no consumo popular. Uma delas foi a edição de Medida Provisória que elimina a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida nas redes sociais como “taxa das blusinhas”.

O governo também trabalha em medidas para facilitar crédito a motoristas de aplicativos, uma categoria considerada refratária ao lulismo. Soma-se a isso o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, pauta que ganhou força entre trabalhadores do comércio, serviços e agricultura — setores onde Lula enfrenta maior dificuldade de reconposição eleitoral.

Embora o cenário ainda permaneça aberto, o histórico recente recomenda cautela diante de diagnósticos precipitados. Em abril de 2022, Jair Bolsonaro registrava saldo negativo de aprovação de 21 pontos e terminou o segundo turno apenas 1,8 ponto percentual atrás de Lula.

A sucessão acelerada de narrativas políticas — ora decretando a morte do governo, ora anunciando sua recuperação — revela mais sobre o clima de ansiedade eleitoral do que sobre a estabilidade real do cenário político. Em poucas semanas, Lula atravessou o ciclo completo de desgaste, pressão institucional e recuperação parcial de imagem, obrigando parte dos comentaristas que anteciparam um colapso definitivo do governo a rever projeções.

A melhora nos indicadores, contudo, não significa estabilidade consolidada. O governo recupera capacidade de competição eleitoral, mas ainda enfrenta vulnerabilidades importantes. É exatamente essa ambiguidade que aparece nos modelos da consultoria Eurasia Group, especializada em análise de risco político internacional.

Segundo projeção apresentada pelo diretor para as Américas da consultoria, Chris Garman, Lula tem atualmente 55% de chance de vencer a eleição presidencial. O percentual reflete uma vantagem moderada, mas longe de representar um favoritismo confortável.

Garman afirma que esta é uma das eleições mais difíceis de projetar dos últimos anos porque os indicadores utilizados pela consultoria apontam em direções contraditórias. Um dos modelos da Eurasia é baseado em um banco de dados da Ipsos Public Affairs com cerca de 500 eleições realizadas ao redor do mundo nas últimas quatro décadas. O critério principal é o índice de aprovação do governante seis meses antes da eleição.

De acordo com esse histórico, presidentes que alcançam 45% de aprovação nesse período vencem em 78% dos casos. Lula estava com 44% de aprovação há um mês e chegou a 45% nesta semana, segundo o agregado de pesquisas utilizado pela consultoria.

Para Garman, a tendência histórica favorece o presidente porque campanhas costumam elevar a popularidade de incumbentes, impulsionadas pela exposição pública, programas governamentais e uso da máquina administrativa. Ainda assim, ele ressalva que Lula possui um elemento atípico para esse tipo de projeção: a idade avançada. Aos 80 anos, o petista foge do padrão observado na maioria dos casos internacionais analisados pela consultoria.

O segundo modelo utilizado pela Eurasia produz um diagnóstico menos favorável ao governo. Nesse caso, a análise procura identificar quais são as principais preocupações do eleitorado e qual candidato é visto como mais apto para solucioná-las.

Historicamente, em 80% das eleições, vence o candidato considerado mais preparado para enfrentar o principal problema percebido pela sociedade. Em 2022, os temas dominantes eram desigualdade social e economia — áreas em que Lula possuía vantagem competitiva sobre Bolsonaro. Agora, segurança pública e corrupção aparecem no topo das preocupações dos eleitores.

Segundo Garman, nenhum dos dois assuntos favorece Lula. Mas tampouco representam terreno confortável para Flávio Bolsonaro, especialmente no tema corrupção. Já a segurança pública, argumenta o analista, tende a recair mais sobre governadores estaduais do que sobre o presidente da República, o que reduz parcialmente o impacto negativo para o petista.

O resultado é um quadro de elevada imprevisibilidade. Diferentemente das eleições de 2014, 2018 e 2022 — quando os dois modelos da Eurasia apontavam na mesma direção —, agora os indicadores se contradizem. De um lado, a condição de incumbente beneficia Lula; de outro, a agenda prioritária do eleitorado favorece o discurso oposicionista.

Durante a chamada Brazil Week, em Nova York, Garman apresentou essa leitura a investidores internacionais em eventos realizados por instituições financeiras como a BlackRock. Segundo ele, tanto o mercado financeiro quanto interlocutores políticos em Brasília frequentemente subestimam a força eleitoral de governos incumbentes.

A experiência histórica, afirma o diretor da Eurasia, mostra que presidentes em campanha costumam ganhar entre três e quatro pontos de popularidade nos meses imediatamente anteriores à eleição. No Brasil, essa média chega a sete pontos. O cenário externo também contribui para um ambiente mais favorável ao país, com destaque para o avanço de negociações internacionais como o acordo entre Mercosul e União Europeia.

A seis meses da disputa, portanto, o quadro permanece longe de qualquer definição conclusiva. Lula recuperou capacidade de reação política e voltou a competir em condições mais equilibradas, mas ainda carrega fragilidades relevantes em áreas sensíveis para o eleitorado. A oposição, por sua vez, mantém potencial competitivo, embora também enfrente limitações temáticas e dificuldades para consolidar uma narrativa dominante.

O principal recado das pesquisas e projeções internacionais é que o cenário segue aberto — e que decretar vencedores antecipadamente pode ser menos uma análise objetiva e mais um exercício de torcida política.

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