13/06/2024 - Edição 540

Poder

Alexandre de Moraes nega recurso e mantém Jair Bolsonaro inelegível até 2030

Jean Wyllys defende que Lula desista da reeleição para apoiar Simone Tebet: “Já deu”

Publicado em 27/05/2024 9:12 - Semana On, Edson Sardinha (Congresso em Foco) – Edição Semana On

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, negou recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para que o Supremo Tribunal Federal (STF) analise a decisão da Corte Eleitoral que o tornou inelegível. Ao negar, Moraes argumentou que o recurso não atende aos requisitos previstos em lei.

“Dessa forma, a controvérsia foi decidida com base nas peculiaridades do caso concreto, de modo que alterar a conclusão do acórdão recorrido pressupõe revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, providência que se revela incompatível com o Recurso Extraordinário”, diz a decisão de sexta-feira (24), mas publicada neste domingo (26).

Moraes negou o recurso extraordinário referente à condenação, em outubro de 2023, de Bolsonaro e de seu vice na chapa, Walter Braga Netto, por abuso político e econômico nas comemorações do Bicentenário da Independência, em Brasília e no Rio de Janeiro, para promover a candidatura.

Na ocasião, o TSE determinou a inelegibilidade de ambos por oito anos, contados a partir do pleito de 2022.

Foi a segunda condenação de Bolsonaro à inelegibilidade por oito anos. Contudo, o prazo de oito anos continua valendo em função da primeira condenação e não será contado duas vezes. O ex-presidente está impedido de participar das eleições até 2030.

Na primeira condenação, o ex-presidente foi condenado também pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação pela reunião realizada com embaixadores, em julho de 2022, no Palácio da Alvorada, para atacar o sistema eletrônico de votação.

Jean Wyllys defende que Lula desista da reeleição para apoiar Simone Tebet: “Já deu”

Em uma entrevista de duas horas ao videocast Futeboteco (assista à íntegra mais abaixo), o ex-deputado Jean Wyllys defendeu que o PT, ao qual é filiado desde 2021, deixe o protagonismo de lado para apoiar a candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), a presidente em 2026. Antevendo que vai “apanhar horrores” dos seus colegas de partido, o ex-deputado sugere que o PT abra mão da cabeça de chapa. “Eu acho que era hora de o PT sair do protagonismo e vir para a retaguarda, se tornar coadjuvante, apostar no nome de Simone Tebet como cabeça de chapa”. Simone recebeu 4,9 milhões de votos (4,16% dos válidos) no primeiro turno, em 2022, e declarou apoio a Lula no segundo.

Na avaliação de Jean, o atual governo Lula é de centro direita e precisa apostar em uma figura que dialogue com vários setores da sociedade, a exemplo de Simone. Ele sugeriu que o vice seja o ministro dos Direitos Humanos, Silvio de Almeida. “Eu acho que o Lula não deveria se candidatar em 2026, já deu”, afirmou no programa.

Embora ressalte que ama Lula, o ex-deputado avalia que o presidente envelheceu, está mais conservador e terá muita dificuldade para fazer a “contenção” à extrema direita caso concorra à reeleição. “É difícil eu dizer isso, até porque eu vou ser xingado. O lulismo é uma coisa muito doida e o lulismo às vezes não é muito crítico. Eu acho que Lula pode ser cabo eleitoral”, disse.

Largar o osso

Jean Wylly reconhece que sua sugestão dificilmente será aceita pelo PT e por Lula. “Acho que a Simone, muito mais que a Marina, dialoga muito mais com mais setores. E a Simone integra o atual governo. Mas aí isso implicaria o PT largar o osso, mas o PT não é um partido que largue o osso, lamentavelmente. E Lula tem sua vaidade, né. Porque Lula é maravilhoso, eu amo o Lula, amo, mas Lula é vaidoso. Lula não gosta de outras lideranças perto dele. Ele tem a vaidade de ser o super leão que está aqui”, declarou. Ele reclama que falta renovação dentro do PT. “Então novas lideranças também não brotaram porque o PT fica no lulismo e a gente precisa entender que Lula não é eterno”, ressaltou.

Governo de centro direita

No videocast apresentado por Rodolfo Gomes e Lucas Oliveira, Jean Wyllys também fez uma avaliação do governo. Para ele, Lula cedeu muito e faz um governo de centro direita, do século 19. Mas faz de ministros como Anielle Franco (Igualdade Racial), Silvio de Almeida e Sonia Guajajara (Povos Indígenas) apenas bandeiras para dar um ar de modernidade à sua gestão. “Na verdade, eles não têm um papel na real política. Atuam dentro desses limites que elas podem atuar, que é mais simbólico discursivo mesmo”, avaliou.

Para ele, no entanto, não há como comparar o governo Lula com de Jair Bolsonaro. “A gente não pode estabelecer comparação, porque a gente está vindo do fundo do poço. Então, comparado com o governo Bolsonaro, o governo Lula é um paraíso”, afirmou. “Lula é um estadista respeitado no mundo inteiro e tem feito alianças internacionais importantes para proteger a nossa economia, para proteger nossa soberania. Lula está em consonância com uma nova ordem mundial que está nascendo e que tem a ver com a decadência do império americano”, acrescentou.

A não ida para o governo

Na entrevista, Jean Wyllys conta como foi convidado por Lula, antes mesmo da posse, para participar do seu governo. O ex-deputado relata que foi chamado para integrar a área da comunicação. O ingresso, no entanto, segundo ele, foi barrado pelo governador gaúcho, Eduardo Leite (PSDB), e pelo então ministro da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, hoje autoridade federal no Rio Grande do Sul.

Leite e Jean protagonizaram fortes embates nas redes sociais. De acordo com o petista, o governador reclamou de sua possível indicação para Pimenta no momento em que Lula e o tucano se aproximavam. Pimenta, por outro lado, segundo a versão de Jean Wyllys, temia perder protagonismo com sua entrada na Secom.

“Ele [Pimenta] é um homem hétero gaúcho que não admite que homens gays ocupem posição de poder e, sobretudo, estejam na mesma linha que ele. Então tem um traço de homofobia nesse comportamento, tem um pouco de ciúme, tem tudo. Ele achou nesse tweet a oportunidade que ele queria, que ele precisava, para convencer Lula e convencer Janja de que eu era um problema para o governo de reconstrução e união”, criticou.

No programa, Jean Wyllys conta como a morte de Marielle Franco, sua amiga e ex-companheira de Psol, e o cenário hostil, abastecido com fake News e mensagens de ódio em 2018, fizeram com que ele renunciasse ao mandato para o qual havia sido eleito naquele ano. Conta, ainda, como foi sua experiência fora do país e como encontrou na arte uma cura para a depressão que enfrentou nos anos que passou no exterior.


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