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Ação quer que TV Cultura se desculpe por machismo contra Manuela D’Ávila

Publicado em 29/06/2018 12:00 -

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Uma petição online cobra retratação da TV Cultura por causa das sucessivas interrupções dos entrevistadores à pré-candidata à Presidência Manuela D’Ávila (PCdoB) no programa Roda Viva da última segunda-feira (25). Até o fechamento desta edição, mais de 62 mil pessoas haviam assinado o pedido. Os organizadores querem pressionar a emissora com a apresentação de uma lista com 30 mil assinaturas.

As interrupções às respostas de Manuela desencadearam debate na internet sobre machismo e misoginia e resultaram em críticas ao programa e seus debatedores.

A pré-candidata do PCdoB foi interrompida ao menos 40 vezes. Número muito superior ao registrado nas entrevistas do mesmo programa com Ciro Gomes (PDT), oito vezes, Marina Silva (Rede), três, e Guilherme Boulos (Psol), nove vezes.

“Repudiamos a postura desrespeitosa e machista com que a pré-candidata Manuela D'Ávila foi tratada no programa Roda Viva na TV Cultura. Exigimos que a emissora cumpra seu papel de veículo público de comunicação dando espaço para que a pré-candidata exponha de fato suas propostas, marcando uma nova data para um debate real e qualificado, já que ficou impossível no programa exibido na segunda-feira 25, dado o número de interrupções feitas pelos entrevistadores convidados pelo canal e pelo mediador”, cobra o abaixo-assinado.

A petição também reivindica uma retratação por parte da TV Cultura: “A emissora deve também se retratar, pois a reprodução do machismo e do desrespeito à mulher foi propagada em rede nacional pública em uma sociedade com altíssimos índices de violência contra a mulher".

Em nota, o PT classificou as sucessivas interrupções a Manuela como "um festival de horrores". "A pré-candidata do PCdoB foi atacada de forma virulenta durante todo debate. Um desfile de machismo e misoginia da pior espécie, de causar repulsa em qualquer brasileira e brasileiro que esperava assistir a uma entrevista que discutisse os rumos do país", diz o partido.

A ex-presidente Dilma Rousseff também divulgou nota de repúdio ao Roda Viva e de apoio a Manuela. "As grosserias do 'Roda Viva' demonstram que a imprensa brasileira se tornou uma facção política e partidária. Manifesto minha integral solidariedade à deputada Manuela D'Ávila, alvo de ataques machistas e misóginos no 'Roda Viva'. Convidada para falar sobre sua candidatura, Manuela foi hostilizada pelo âncora e pelos entrevistadores", escreveu a petista.

No debate sobre o assunto, os apoiadores de Manuela utilizaram o termo em inglês “manterrupting”, flexão de “man” (homem) e “interrupting” (interrompendo”) para se referir à prática de cortes feitos por um homem enquanto uma mulher fala.

O apresentador do Roda Viva, Ricardo Lessa, rechaçou qualquer acusação de preconceito. “Ela teve mais de 50% de cada bloco de fala sem interrupção. Ao todo, isso deve dar mais de 40 minutos de falas limpas [de total de 80 minutos]. É normal que um debate fique mais acalorado. Não é questão de gênero, mas de jornalismo”, disse à Folha de S.Paulo.

A banca de entrevistadores era composta pelas jornalistas Vera Magalhães (O Estado de S. Paulo), Letícia Casado (Folha), João Gabriel de Lima (revista Exame), o bacharel em filosofia Joel Pinheiro da Fonseca (colunista da Folha) e o diretor da Sociedade Rural Brasileira Frederico D’Ávila. 

Sobretudo a participação deste último, coordenador do programa rural do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), foi contestada nas redes sociais, por sua ligação com um candidato no polo oposto da pré-candidata do PC do B.

Manuela e Frederico travaram os principais embates, quando a pré-candidata foi questionada por ele a respeito de estupro e agricultura. “Eu não consigo terminar um raciocínio”, queixou-se ela. Ela também reclamou de ser interrompida por Fonseca e Magalhães ao falar da condenação de Lula e das acusações contra o PT.

“Foi impressionante o desrespeito com que Manuela foi tratada”, disse a professora de filosofia da UFRJ Tatiana Roque, editora da revista feminista DR. “É um exemplo típico de machismo.”

“Ela viveu ali ao vivo o que vivemos todas nós na disputa por espaço. Tudo transbordava machismo”, afirma Manoela Miklos, uma das editoras do blog feminista  #AgoraÉQueSãoElas

O apresentador do Roda Viva, Ricardo Lessa, rechaçou qualquer acusação de preconceito. “Ela teve mais de 50% de cada bloco de fala sem interrupção. Ao todo, isso deve dar mais de 40 minutos de falas limpas [de total de 80 minutos]. É normal que um debate fique mais acalorado. Não é questão de gênero, mas de jornalismo. Ela não saiu se sentido vítima d e ninguém, ela não se queixou disso. Isso foi algo que surgiu depois do programa." 


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