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Mato Grosso do Sul

Vigilância apura suspeita de meningite em bebê de Dourados

Caso envolve produto com lotes suspensos pela Anvisa

Publicado em 15/01/2026 12:26 - Semana On

Divulgação Agência Brasil

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A Vigilância Sanitária de Dourados, em Mato Grosso do Sul, investiga o caso de um bebê de dois meses internado desde o dia 9 de janeiro em um hospital particular do município. A criança está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado estável, com evolução clínica favorável, embora permaneça intubada. A principal hipótese em apuração é a de meningite, mas as autoridades de saúde também analisam uma possível intoxicação alimentar.

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Inicialmente, a Vigilância informou que a internação poderia estar associada ao consumo de uma fórmula infantil pertencente a lotes recentemente proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A linha de investigação segue aberta, e, até o momento, não há confirmação de nexo causal entre o produto e o quadro apresentado pela criança.

Durante o atendimento hospitalar, exames clínicos e laboratoriais indicaram suspeita de meningite. Em análise preliminar realizada pelo próprio hospital, foi identificada a presença de Salmonella spp. em uma amostra, além de sinais compatíveis com infecção intestinal. As amostras clínicas foram encaminhadas ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) na terça-feira (13) e seguem em análise para a confirmação do agente infeccioso.

A Vigilância Sanitária informou que foi oficialmente notificada do caso na segunda-feira (12). Os familiares também entregaram a lata da fórmula infantil utilizada, pertencente a um dos lotes suspensos pela Anvisa por risco de contaminação por Bacillus cereus, conforme a Resolução nº 32/2026. A amostra do produto será enviada para análise laboratorial nesta quinta-feira (15).

Segundo a investigação, os pais da criança residem no município de Douradina (MS), informação que já foi repassada às áreas técnicas da Secretaria de Estado de Saúde. De acordo com a notificação hospitalar, o bebê recebeu as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação para a faixa etária de dois meses — Pentavalente, Pneumocócica 10-valente e VIP — no dia 8 de janeiro, no município de residência.

Em nota, a Nestlé informou que, até o momento, não recebeu registros oficiais de casos de internação relacionados aos seus produtos por meio dos canais de atendimento ao consumidor.

Fiscalização reforçada

Após a notificação do caso, a Prefeitura de Dourados intensificou as ações de fiscalização em farmácias e supermercados da cidade. Mais de 20 estabelecimentos foram vistoriados, e produtos incluídos na lista de restrição da Anvisa foram encontrados em alguns pontos de venda.

De acordo com o gerente da Vigilância Sanitária de Dourados, Diego Mesquita, lotes proibidos da fórmula ainda estavam disponíveis em um supermercado do município, apesar de alertas prévios aos comerciantes. Segundo ele, parte dos estabelecimentos já havia retirado os produtos das prateleiras após comunicação dos fornecedores, mas a fiscalização ainda identificou irregularidades pontuais.

A orientação das autoridades de saúde é para que pais e responsáveis confiram atentamente os lotes das fórmulas infantis e suspendam o uso do produto em caso de dúvida. A recomendação é procurar atendimento médico imediato diante de qualquer sintoma e, sempre que possível, levar a embalagem do alimento consumido.

Recall preventivo

Na última quarta-feira (7), a Anvisa determinou a proibição da comercialização, distribuição e uso de alguns lotes de fórmulas infantis fabricadas pela Nestlé Brasil Ltda. A medida, de caráter preventivo, foi adotada após a identificação do risco de contaminação por cereulide, toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. A ingestão da substância pode provocar vômitos persistentes, diarreia e letargia.

Entre os produtos afetados estão fórmulas das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino. Segundo a Nestlé, o recolhimento é voluntário e ocorre em escala global, após a detecção da toxina em um ingrediente fornecido por um fornecedor internacional. No Brasil, apenas os lotes indicados pela Anvisa integram o recall, sem impacto nos demais produtos das marcas.

As autoridades sanitárias municipais e estaduais seguem acompanhando o caso, que permanece sob investigação conjunta das vigilâncias Epidemiológica e Sanitária.

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