14/08/2022

Mato Grosso do Sul

‘Vamos trabalhar pela modernização da malha ferroviária do Estado’, afirma Riedel

Bolívia quer ampliar logística ferroviária com Mato Grosso do Sul

Publicado em 02/08/2022 2:00

Divulgação Legenda aqui

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Os bolivianos têm interesse em ampliar a relação de logística com Mato Grosso do Sul por meio da malha ferroviária. No último dia 29, representantes do Governo do Estado e da prefeitura de Corumbá reuniram-se com Gladys Cardona, subgerente de Logística internacional do CIN (Centro internacional de Negócios da Fiems) e dois diretores da Ferrovia Oriental: Angel Sandoval Salas- Gerente de Relaciones Externas´, e Gustavo Pinto, Gerente General de Puerto Continental, subsidiaria de Ferroviária Oriental.

A Ferrovia Oriental opera na Bolívia, a partir de Porto Quijarro até Santa Cruz de La Sierra. Hoje é a principal empresa de transportes ferroviários do país vizinho, que está operacional e faz o transporte de ureia. No encontro, foram debatidos os gargalos logísticos que existem hoje na fronteira, e suas soluções. A diretoria da Ferrovia Oriental ainda demonstrou interesse em operar a Malha Oeste e fazer uma operação até Campo Grande. A ideia é trazer estes produtos, diminuindo o fluxo de tráfego inclusive na BR-262. Outro assunto em pauta foi o projeto da Transamericana, ferrovia saindo de Corumbá indo a Cochabamba no sentido da Argentina.

O pré-candidato do PSDB ao Governo do Estado, Eduardo Riedel, lembrou que Mato Grosso do Sul vive um processo de retomada da malha ferroviária com investimentos que vão escoar grãos, minério, carne a celulose em um cenário de desenvolvimento. “Isso será possível graças as parcerias firmadas entre o Governo do Estado e do Paraná e de empresas privadas. Pelo menos seis projetos estão tramitando hoje no Ministério da Infraestrutura que vão garantir 560 quilômetros de malha ferroviária”.

Para Riedel, a “modernização da malha ferroviária de Mato Grosso do Sul é uma medida estratégica” para o desenvolvimento do Estado.

De acordo com o Ministério da Infraestrutura (MInfra), os pedidos se referem a Ferroeste, ligando Maracaju a Dourados, que está em andamento; um da Eldorado Brasil Celulose, para construir ferrovia entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado no montante de R$ 890 milhões; um da empresa MRS com objetivo de interligar Três Lagoas a Panorama no total de R$ 1 bilhão e mais cerca de R$ 3 bilhões da Suzano, saindo de Ribas do Rio Pardo a Inocência e de Três Lagoas a Aparecida do Taboado. Considerando que o valor médio para implantar cada quilômetro de ferrovia é de R$ 10 milhões, as solicitações podem garantir investimentos de R$ 6 bilhões.

Ferroeste

A mais avançada delas é a Nova Ferroeste que já está em processo de licenciamento ambiental. A ferrovia prevê a construção de uma estrada de ferro entre o Mato Grosso do Sul e o Litoral do Paraná. Ao todo, 1.304 quilômetros de trilhos vão conectar Maracaju (MS) a Paranaguá (PR), além de um ramal entre Cascavel e Foz do Iguaçu. Os investimentos somente no trecho de MS que terá inicialmente 76 km e já está em andamento superam R$ 1,2 bilhão. Mas o projeto é grandioso e vai levar de grãos a carnes dos principais polos produtivos de MS até o Porto de Paranaguá e até Santa Catarina.

Ferrovia da Celulose

No outro extremo do Estado, a celulose é a locomotiva que puxa os investimentos. O interesse existe porque as empresas do setor buscam alternativas ao transporte rodoviário para exportar a produção de mais de 4 milhões de toneladas de celulose produzidas em Três Lagoas por ano que movimentaram em 2021 mais de R$ 8 bilhões.

E mais a expectativa é que o volume vai quase dobrar com o Projeto Cerrado da Suzano que prevê a instalação de uma unidade em Ribas do Rio Pardo que vai produzir 2,5 milhões de toneladas ano de celulose, com investimentos de R$ 19,3 bilhões, sendo que R$ 4,6 bilhões são para atividades florestais, na estrutura logística e outras iniciativas previstas em projetos.

Por isso foi apresentado no Ministério da Infraestrutura o pedido para construção de trechos Ribas do Rio Pardo a Inocência, e um entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado.

Também a Suzano está viabilizando o acesso à malha férrea da empresa Rumo, que já é ligada ao porto marítimo paulista. Além disso já houve uma homologação e autorização de projetos de retomada de novas malhas na Costa Leste do Estado. “Na verdade, a partir da indústria Eldorado que é um pouco acima de Três Lagoas estão fazendo um ramal até Aparecida do Taboado onde conecta na Ferro Norte. No local já existem dois terminais um da Suzano e um da Eldorado. Há outro pedido, também, ligando Três Lagoas até o município de Brasilândia.

Malha Oeste

Após ser desativada em 2014, a outra ferrovia que pode ser reativada em partes no Estado é a Malha Oeste, que liga Mairinque até Corumbá e Campo Grande até Ponta Porã.

Os estudos da Malha Oeste ainda não tem nenhuma solicitação formal no Ministério da Infraestrutura. Há o trecho de Campo Grande a Corumbá, importante para que se viabilize a saída de minério, já que houve crescimento de exportação de 140% no ano passado. Isso trouxe uma enorme pressão em cima das rodovias. “Por isso precisamos achar uma saída logística mais viável. E isso pode vir com a retomada da malha ferroviária de Mato Grosso do Sul, que abre um cenário positivo, favorável de revitalização, de trabalho e de uma nova estrutura logística para o Estado”, finalizou Eduardo Riedel.


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