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Mato Grosso do Sul

Tecnologia, inovação e integração reforçam protagonismo de MS na saúde

Estado avança em gestão de custos na saúde e vira referência nacional

Publicado em 09/05/2026 12:51 - Semana On

Divulgação Gov MS

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O avanço da tecnologia na saúde, a ampliação da telemedicina e os investimentos em inovação marcaram o 4º Encontro de Integração Médica da Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul, realizado sexta-feira (8), em Campo Grande. O evento reuniu médicos, gestores e especialistas para discutir novas tendências da saúde suplementar e estratégias de integração entre atendimento, inovação e cuidado com o paciente.

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Os números apresentados durante o encontro reforçam o avanço da saúde digital em Mato Grosso do Sul. Entre 2022 e 2025, os atendimentos em telessaúde e telemedicina cresceram 416% no Estado, enquanto o teleatendimento com especialistas passou a alcançar 60 municípios sul-mato-grossenses.

A Tele Saúde Cassems também foi destaque, com pronto atendimento digital 24 horas e consultas online com especialistas por aplicativo, ampliando o acesso da população do interior aos serviços médicos especializados.

Durante a abertura, o governador Eduardo Riedel destacou a transformação econômica vivida por Mato Grosso do Sul nos últimos anos e os reflexos desse desenvolvimento em áreas essenciais, como a saúde.

“Mato Grosso do Sul passou, ao longo dos últimos dez anos, por uma grande transformação econômica, especialmente nos últimos cinco anos, com um crescimento bastante acentuado. Isso aconteceu a partir de uma mudança do perfil econômico do Estado, ampliando nossa capacidade de investimento e também os desafios na prestação de serviços públicos, especialmente na saúde”, afirmou.

O governador ainda ressaltou que o principal desafio da gestão pública é fazer com que o ambiente de prosperidade se converta em melhorias concretas para a população, com mais eficiência e inovação.

“O grande desafio do Estado é transformar todo esse ambiente de prosperidade em melhores serviços para a sociedade. E a tecnologia, sem dúvida, é uma das grandes aliadas para gerar ganho de eficiência. É aí que entra a telemedicina, que cresceu muito nos últimos anos e vem transformando a realidade do serviço na ponta, ampliando o acesso e levando atendimento especializado para mais pessoas”, acrescentou.

Com o tema “Novas tendências: integração, tecnologia e inovação em saúde”, o encontro teve como objetivo fortalecer a integração entre atenção primária, especializada e hospitalar, utilizando a tecnologia para aprimorar decisões clínicas, ampliar a segurança do paciente e garantir mais eficiência no atendimento.

Ao completar 25 anos, a Cassems também apresentou avanços importantes na oferta de serviços em Mato Grosso do Sul. Entre eles estão a consolidação da cirurgia robótica, ampliação da telemedicina, fortalecimento da cardiologia pediátrica e expansão da rede hospitalar própria, atualmente com dez hospitais distribuídos pelo Estado.

O encontro também destacou indicadores positivos da saúde pública estadual, como a liderança nacional em cobertura vacinal e a ampliação dos investimentos no setor. Entre 2019 e 2025, os repasses estaduais para a saúde cresceram mais de 160%, ultrapassando R$ 1,76 bilhão em 2025.

MS avança em gestão de custos na saúde e vira referência nacional

A gestão da saúde pública em Mato Grosso do Sul vem ganhando mais precisão e qualidade a partir do uso de dados de custos para orientar decisões. Em 2026, o Estado passou a utilizar o modelo ApuraSUS, desenvolvido pelo Ministério da Saúde e disponibilizado às secretarias que aderem ao Programa Nacional de Gestão de Custos (PNGC).

A partir dessa base, a SES desenvolveu um painel de Business Intelligence (BI), que permite analisar e qualificar as informações de custos, ampliando a capacidade de gestão. Essa iniciativa foi compartilhada nacionalmente como experiência recente na área de economia da saúde.

Mais do que controle de despesas, a iniciativa tem permitido ao Estado entender, com base em dados reais, quanto custa cada atendimento, internação e procedimento realizado no SUS — e, principalmente, avaliar se esses investimentos estão gerando resultados para o paciente.

Trata-se, portanto, de “ uma série de medidas para qualificação dos custos da assistência focado no melhor aproveitamento e distribuição dos recursos em toda a rede, de forma a majorar resultados na prestação dos serviços em saúde pelo Estado”, explica o secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões Corrêa.

Dados que orientam decisões

Atualmente, unidades estratégicas da rede estadual já operam com informações consolidadas por meio do ApuraSUS. No Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, por exemplo, os dados já permitem calcular o custo médio por atendimento no pronto-socorro, por paciente-dia nas internações e por diária em UTI, trazendo uma visão detalhada do funcionamento hospitalar.

Essas informações já começam a gerar impactos práticos na gestão. Entre os avanços, está a identificação de diferenças de perfil entre unidades, como hospitais com maior volume de atendimentos de baixa complexidade e outros voltados a procedimentos especializados — fator que influencia diretamente nos custos.

Transparência e controle dos gastos

Outro resultado importante é a compreensão da composição das despesas. Os levantamentos mostram que cerca de 70% dos custos hospitalares estão relacionados a pessoal, dado essencial para o planejamento e a tomada de decisões estratégicas.

Além disso, o Estado já consegue separar custos diretos e indiretos dos serviços, identificando, por exemplo, quanto exames, medicamentos e estrutura administrativa impactam em cada atendimento. Esse nível de detalhamento permite localizar gargalos, reduzir desperdícios e direcionar melhor os recursos disponíveis.

Para ampliar a análise, a SES também desenvolve painéis de BI (Business Intelligence), que facilitam a visualização dos dados e tornam a gestão mais transparente e ágil. “Hoje a gente já consegue entender quanto custa cada serviço e onde estão os principais gastos. Isso permite tomar decisões mais assertivas e melhorar a aplicação dos recursos”, explica o coordenador do Núcleo de Economia da SES, Onofre Junior.

Foco na qualidade do atendimento

Mesmo com os avanços, o principal desafio ainda está na coleta e padronização das informações nas unidades de saúde. Para isso, o Núcleo de Economia em Saúde tem intensificado ações de sensibilização junto às equipes, reforçando que o objetivo não é apenas economizar, mas melhorar a qualidade da assistência.

“A proposta não é cortar custos de forma indiscriminada, mas entender onde é possível otimizar para investir melhor e garantir um atendimento mais eficiente e de qualidade para a população”, destaca o coordenador.

A lógica adotada segue o conceito de valor em saúde: investir melhor para garantir melhores desfechos aos pacientes. Na prática, isso significa reduzir desperdícios para ampliar acesso, qualificar serviços e apoiar novos investimentos, explica Roberta Higa, integrante do Núcleo de Economia da SES e diretora de Ensino, Pesquisa e Qualidade Institucional do HRMS.

Expansão e referência nacional

Com a expansão do modelo para outras unidades e a articulação com municípios, MS avança na consolidação de uma gestão mais eficiente, baseada em evidências e voltada à melhoria contínua do atendimento à população.

A experiência do Estado, já compartilhada nacionalmente em 2026, reforça o papel estratégico da gestão de custos como ferramenta para fortalecer o SUS (Sistema Único de Saúde) e ampliar a qualidade dos serviços oferecidos.

Esse avanço é resultado da institucionalização do Núcleo de Economia em Saúde no âmbito da SES, formalizada pela Resolução nº 227/SES/MS, de 11 de junho de 2024, que estruturou oficialmente a área e definiu suas atribuições. A medida foi complementada pela Resolução Conjunta “P” SES/FUNSAU nº 01, de 25 de julho de 2025, que designou os servidores responsáveis por compor o núcleo, garantindo capacidade técnica e continuidade às ações de gestão de custos no Estado.

Estado inicia construção de plano para adaptar o SUS às mudanças climáticas

Mato Grosso do Sul deu início à construção do Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima no SUS, em articulação com o Ministério da Saúde, Coordenação-Geral de Mudanças Climáticas e Equidade em Saúde – CGCLIMA, no âmbito do Adapta-SUS. A iniciativa busca estruturar diretrizes e ações para preparar o sistema de saúde frente aos impactos dos eventos climáticos extremos no estado.

Nos dias 22 e 23 de abril de 2026, o Auditório do Conselho Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul sediou encontro estratégico que reuniu gestores, técnicos e representantes de instituições parceiras para subsidiar a elaboração do plano.

Participaram representantes de áreas como Atenção Primária, Atenção à Saúde, Vigilância em Saúde, Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, Vigilância Sanitária, Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica, Cievs (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde), Superintendência de Saúde Digital, Cetec (Coordenadoria de Tecnologia da Informação), Cieges (Centro de Informações Estratégicas para a Gestão Estadual do SUS), Diretoria-Executiva do Fundo Estadual de Saúde e Relações Institucionais, além do Distrito Sanitário Especial Indígena.

Também estiveram presentes instituições como Ouvidoria do SUS, Hemosul, Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública), Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e o Conselho Estadual de Saúde.

Durante a programação, técnicas do Ministério da Saúde apresentaram diretrizes nacionais de adaptação climática, destacando os impactos das mudanças do clima na saúde pública e a importância da organização territorial para resposta a eventos extremos, com foco em vulnerabilidade epidemiológica.

As discussões abordaram as potencialidades e fragilidades do território sul-mato-grossense, com ênfase na Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica e nos desafios de integração entre áreas técnicas.

O coordenador da Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica do estado, Karyston Adriel Machado da Costa, destacou a necessidade de planejamento intersetorial e do fortalecimento das capacidades locais do SUS para enfrentar eventos climáticos extremos. Já a coordenadora do Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) Regional, Madalena da Silva Xavier, ressaltou os impactos das mudanças climáticas na saúde dos trabalhadores e a necessidade de adaptação dos ambientes laborais e de políticas preventivas.

Trabalho integrado

A construção do plano ocorre de forma participativa, com a contribuição das áreas técnicas na identificação de riscos prioritários e na definição de diretrizes iniciais, alinhadas às orientações nacionais do Adapta-SUS.

A iniciativa representa um movimento estratégico para fortalecer a capacidade de resposta do SUS em Mato Grosso do Sul, com foco na vigilância em saúde, vulnerabilidades de infraestruturas — e na adoção de medidas que garantam a continuidade dos serviços diante de eventos como ondas de calor, secas, enchentes e queimadas.

O AdaptaSUS representa uma estratégia essencial para fortalecer a vigilância em saúde e tornar o SUS mais resiliente diante de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, enchentes e queimadas. A iniciativa busca adaptar serviços e infraestruturas de saúde para garantir seu funcionamento contínuo, além de monitorar riscos climáticos e seus impactos no adoecimento da população.

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