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Mato Grosso do Sul

Suspeito de provocar ‘muralha de fogo’ no Pantanal é multado em R$ 50 milhões

Ele também é investigado por contrabando de gado

Publicado em 10/10/2024 5:40 - Débora Ricalde e Jaderson Moreira (G1MS e TV Morena), Agência Brasil – Edição Semana On

Divulgação Joédson Alves/Agência Brasil

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Um homem, identificado apenas como Carlos, foi preso e multado em R$ 50 milhões, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por provocar uma ‘muralha de fogo’ no Pantanal, durante as festividades do São João, nesta quinta-feira (10), em Corumbá (MS). O suspeito e familiares são alvos de uma operação da Polícia Federal (PF), que foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (10).

Segundo a investigação, a família explora ilegalmente a região para a criação de gado. Os suspeitos queimaram uma área de 6.550 hectares em território brasileiro para abrir a pastagem para a criação de gado. A multa aplicada se refere à destruição dessa área. O incêndio teria começado em Corumbá, numa região de propriedade da União.

Segundo a PF, o fogo começou em 1º de junho e se estendeu para a Bolívia. Uma fonte ouvida pelo g1 estima que se somadas as queimadas em território boliviano, a área total atingida pelo incêndio passe de 30 mil hectares.

Sete pessoas são investigadas: Carlinhos Boi e seus filhos Antônio Carlos de Borges Martins (Poré), Carlos Roberto Alves Martins, Damião Alves Martins, Carlos Francisco Alves Martins e Carlos Antônio de Borges Martins.

“A perícia da Polícia Federal identificou que aproximadamente 30 mil hectares do bioma pantanal foram queimados por ação dos investigados. A catástrofe ganhou grande repercussão, tendo em vista que o ápice das queimadas ocorreu no final de semana do Arraial São João, tradicional festa junina de Corumbá, revelando imagens impactantes enquanto a margem do Rio Paraguai ardia em chamas”, informou a PF.

Os crimes investigados

Ao apurar a origem do fogo, a Polícia Federal se deparou com outros possíveis crimes e passou a investigar o uso de terras da União para a criação de gado e a suspeita de contrabando de bois da Bolívia, além de ter encontrado um trabalhador em uma condição com indícios de ser análoga à escravidão.

“Apesar deles terem crédito virtual na ficha da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), não existe essa quantidade alta [de gado] no local físico, então leva a crer que pode estar havendo também esse contrabando de gado bovino e entre o Brasil e Bolívia”, informou a chefe da unidade técnica do Ibama de Corumbá, Jussara Barbosa da Fonseca Alves.

Entre os crimes investigados estão:

– Provocar incêndio florestal;

– Reduzir alguém a condição análoga à de escravo;

– Ocupar terra da União;

– Falsidade ideológica documental; e

– Associação Criminosa.

O delegado da PF em Corumbá, Estêvão Baesso, explicou que foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em duas propriedades da família – a residência e um assentamento na zona rural – contra seis dos investigados. Um sétimo integrante da família também é investigado, mas já preso preventivamente por outro crime.

“A família também tem propriedades nos dois locais onde foram cumpridos os mandados. Em um terceiro local foi feita a fiscalização pela Polícia Federal, Ibama e Iagro. É justamente nessa localidade em que ocorreu o incêndio em junho, que ficou conhecido como muralha de fogo”.

Muralha de fogo

A imagem da ‘muralha de fogo’ foi registrada em junho deste ano, em Corumbá (MS), e viralizou nas redes sociais. Em primeiro plano, as festividades do tradicional Arraial do Banho de São João, a principal festa típica do município. Ao fundo, os incêndios no Pantanal, cercando a cidade.

A área queimada esse ano no bioma já chegou a 2,3 milhões de hectares, conforme dados até sábado (22) do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O número de focos de incêndios no Pantanal neste ano já supera o registrado no mesmo período de 2020, ano recorde de queimadas em todo o bioma.


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