25/04/2024 - Edição 540

Mato Grosso do Sul

Sul-Fronteira: entre obras e projetos, corredor rodoviário de aproximadamente 300 quilômetros avança

Seminário aponta Porto Murtinho como celeiro de oportunidades com a Rota Bioceânica

Publicado em 14/11/2022 9:04 - Semana On

Divulgação Governo MS

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Com o objetivo de integrar uma região produtora e levar desenvolvimento a sete cidades entre Ponta Porã e Mundo Novo, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, o Governo do Estado segue com obras e busca de recursos que contemplam as rodovias MS-165 e MS-299, no trajeto conhecido como Sul-Fronteira.

Na MS-165, no trecho entre os distritos de Sanga Puitã (Ponta Porã) e Vila Marques (Aral Moreira) a rodovia já está pavimentada e os contratos vigentes abrangem a parte entre Vila Marques e Coronel Sapucaia, na região da aldeia Sete Cerros.

O primeiro que corresponde a 31,82 quilômetros entre a Vila Marques e Coronel Sapucaia está em processo licitatório. Já o segundo, entre Coronel Sacupaia e a região da Aldeia Sete Cerros, já no município de Paranhos está com as obras em pleno andamento. Dos 33 quilômetros de rodovia, 17 já estão pavimentados e as equipes seguem ao longo do trecho com execução de camada de aterro, sub-base, base, tratamento superficial, drenagem e enlevamento, além dos serviços de pavimentação a medida em que a obra avança.

Além dos R$ 58 milhões que estão sendo investidos na pavimentação do trecho, o Governo do Estado também desembolsará R$ 11.381.855,00 para solucionar um problema de erosão em uma parte da rodovia. Os trabalhos estão no início, mas devem ser concluídos até fevereiro.

O restante da MS-165, em uma extensão de 55 quilômetros entre a Aldeia Sete Cerros e Paranhos já tem projeto contratado, assim como o trecho da MS-299, nos 62 quilômetros entre Paranhos e Sete Quedas. Na MS-299 entre Sete Quedas e Mundo Novo, passando por Japorã, os projetos ainda serão contratados.

O secretário de Estado de Infraestrutura, Renato Marcílio, ressalta a grandeza e importância do investimento para Mato Grosso do Sul. “É um desafio enorme e, acima de tudo, uma necessidade para a região. São aproximadamente 300 quilômetros de rodovia e estamos empenhados em executar os contratos vigentes e deixar tudo alinhado para as próximas etapas”, afirmou.

Nesta semana, o governador Reinaldo Azambuja e o governador eleito Eduardo Riedel se reuniram com a bancada federal em Brasília (DF) em busca de recursos para diversos investimentos, entre eles a continuidade da obra da Sul Fronteira.

Porto Murtinho será celeiro de oportunidades com a Rota Bioceânica

Porto Murtinho, cidade fronteiriça de 18 mil habitantes, tornou-se um celeiro de oportunidades como portal da Rota Bioceânica (Brasil-Chile) e a sociedade local, sobretudo os empresários e a classe trabalhadora, deve se atentar para essa transformação e se preparar para investimentos em novos negócios e se capacitar para a absorção da oferta de empregos. A integração física com o Pacífico, por Mato Grosso do Sul, é uma realidade concreta.

A afirmação, que soa como um chamamento para esse novo momento econômico do Estado e da região, é do professor Lucio Flávio Joichi Sunakozawa, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e presidente da Aliança Jurídica Internacional da Rota de Integração Latino-americana.  Ele foi um dos palestrantes do seminário realizado em Porto Murtinho, como parte da programação do Festival Internacional do Chamamé, que se encerra hoje (14).

Presente ao evento, o prefeito Nelson Cintra enfatizou que a administração municipal está fazendo a sua parte ao preparar a cidade para o desenvolvimento, com a parceria do Governo do Estado, bancada federal e do Sebrae. “Temos falado incansavelmente com a população sobre essa transformação, o murtinhense tem que assumir a paternidade de sua cidade”, disse. “Hoje estamos investindo mais de R$ 100 milhões, com a ajuda do nosso governo.”

Mundo de olho em Murtinho

Com o tema “Porto Murtinho e a geografia da modernidade”, o evento realizado na manhã deste domingo, no auditório do Cine Teatro Ney Machado Mesquita, abordou a perspectiva geopolítica e jurídica da fronteira sudoeste com a implantação da ligação rodoviária Atlântico-Pacífico.  O novo corredor reduzirá tempo e custo no escoamento da produção nacional, em especial do Centro-Oeste, aos mercados asiático, médio oriente e oeste norte-americano.

“Os murtinhense precisam olhar para a transformação que está ocorrendo com essa integração, se conscientizarem das oportunidades que estão surgindo e saírem do comodismo e da descrença com o que vai ser uma mina de ouro”, disse Lucio Flávio, chamando a atenção da população local para se antever a esse novo momento e investir em capacitação e prestação de bons serviços, com o apoio do Sebrae e Sistema S, e novos empreendimentos.

O palestrante comentou que a UEMS faz parte de uma rede de universidades dos quatro países da rota (Brasil, Paraguai, Argentina e Chile) voltada à pesquisa do novo eixo e ressaltou que a Bioceânica é hoje o maior projeto transnacional em andamento na América Latina. “Não podemos esperar dois anos, quando a ponte (sobre o Rio Paraguai) estiver pronta, para começar essa nova geografia, Murtinho hoje é um centro de atenção mundial”, observou.

Expansão do agro e turismo

A transformação da região já ocorre em paralelo aos investimentos dos governos brasileiro e paraguaio em infraestrutura logística, segundo Lucio Flávio, citando a expansão da agricultura na região sudoeste, centro do corredor. “Murtinho se tornará um grande celeiro de oportunidades emergentes, a Bioceânica é um o projeto audacioso que vai muito além do Pacífico, vai acessar as três Américas, alavancando o agronegócio e o turismo”, pontuou.

Mestre e doutoranda em desenvolvimento local, a pesquisadora Gabriela Oshiro, da UCDB, defendeu como tese a Rota Bioceânica com foco na fronteira de Porto Murtinho com Carmelo Peralta (Paraguai), e abordou no seminário as relações e diretrizes tributárias, jurídicas e trabalhistas desse novo corredor comercial. O debate teve como mediadora a turismóloga e especialista em gestão pública Vivian Cruz, assessora de projetos do Cidema e do município.


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