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Mato Grosso do Sul

Sete foragidos de alta periculosidade de MS entram na lista dos mais procurados

Criminosos ligados ao tráfico e execuções figuram entre os alvos prioritários do Ministério da Justiça

Publicado em 09/12/2025 1:11 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Sete criminosos ligados a facções armadas e ao tráfico internacional de drogas que atuam em Mato Grosso do Sul estão entre os mais procurados do Brasil, segundo a nova lista divulgada ontem (8) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A plataforma digital gov.br/captura, criada pelo governo federal, reúne nomes de 216 foragidos considerados de alta periculosidade e já condenados ou com mandados de prisão expedidos pela Justiça.

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A ferramenta é parte do Projeto Captura, que permite a cada unidade da federação indicar até oito nomes prioritários com base em uma matriz de risco. O critério leva em conta a gravidade dos crimes cometidos, vínculos com o crime organizado, atuação interestadual e quantidade de mandados pendentes. A medida integra uma estratégia nacional de cooperação entre os estados para fortalecer o combate às organizações criminosas.

No caso de Mato Grosso do Sul, os sete nomes escolhidos refletem a complexidade da criminalidade local, marcada por facções armadas que operam na faixa de fronteira com o Paraguai e a Bolívia — hoje um dos principais corredores do tráfico internacional de cocaína na América do Sul.

Entre os citados está Antonio Joaquim Mendes Gonçalves, o “Motinha”, apontado pela Polícia Federal como sucessor do pai, Antonio Joaquim da Mota (“Tonho”), no comando de uma milícia armada que atuava entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero. “Motinha” ganhou notoriedade internacional ao escapar de três operações policiais utilizando helicópteros e foi condenado pela Justiça Federal na Operação Magnus Dominus por chefiar uma organização criminosa transnacional. As investigações indicam que ele recrutava mercenários, operava fazendas no Paraguai como entrepostos do tráfico e mantinha uma rede própria de comunicação e segurança.

Outro nome de peso na lista é Gerson Palermo, piloto com condenações que somam mais de 100 anos de prisão por tráfico internacional. Em 2020, Palermo protagonizou uma fuga emblemática: foi liberado por decisão judicial para prisão domiciliar e desapareceu em menos de oito horas. A decisão foi revogada ainda no mesmo dia. Palermo já havia sido envolvido no roubo milionário de um Boeing da VASP em 2000 e, segundo investigações do Ministério Público, era um operador logístico de alto escalão para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A influência do PCC também é evidenciada em outros nomes da lista. Éder de Barros Vieira, por exemplo, foi condenado por ordenar o assassinato de Sandro Lucas de Oliveira, o “Alemãozinho”, em um “julgamento” interno da facção. O crime, ocorrido em 2019, teve requintes de tortura e motivação ligada à disputa entre o PCC e o Comando Vermelho. O corpo da vítima foi enterrado no local do crime e descoberto apenas sete meses depois.

Outro integrante de destaque da facção paulista é Cleber Laureano Rodrigues Medeiros, liderança do PCC envolvida diretamente em execuções do chamado “tribunal do crime”. Em julho de 2023, dois corpos foram encontrados em um veículo abandonado em Campo Grande — o resultado de uma sentença de morte determinada após uma negociação fracassada envolvendo 40 quilos de cocaína.

Completam a lista de MS Osmar Pereira da Silva, o “Branco”, reincidente em crimes como roubos a residências e estabelecimentos comerciais em cidades turísticas do Estado; Phillypi Junior Nunes Matos e Ricardo de Souza, também ligados a crimes violentos e tráfico, com passagens que justificaram sua inclusão na lista nacional.

O projeto prevê ainda a instalação de uma célula operacional no Rio de Janeiro, voltada à busca de criminosos escondidos em áreas dominadas pelo crime organizado. Segundo o MJSP, a nova plataforma digital facilitará o intercâmbio de informações entre os estados, além de incentivar a colaboração direta da sociedade. Denúncias anônimas podem ser feitas pelos números 190 e 197.

“A implementação da lista representa um esforço conjunto entre as esferas federal e estadual para aprimorar a segurança pública e combater de forma mais eficaz as organizações criminosas no Brasil”, afirmou o Ministério da Justiça, em nota oficial.

Fronteira sob cerco

A presença de tantos nomes de Mato Grosso do Sul no painel nacional reflete a crescente centralidade do Estado no mapa do crime organizado. Com cerca de 1.500 km de fronteira seca, o MS se tornou rota privilegiada do tráfico de armas e drogas, em especial cocaína boliviana e maconha paraguaia. Dados da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas apontam que o estado lidera, há anos, as apreensões dessas substâncias no Brasil.

A atuação de facções como o PCC, que há mais de uma década migrou do sistema prisional para os corredores logísticos do narcotráfico internacional, tornou-se mais sofisticada. Em 2022, relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública já apontava que a articulação entre núcleos regionais e conexões transnacionais exigia maior coordenação federativa para enfrentamento.

A lista do Projeto Captura, ao dar visibilidade e integrar esforços de diferentes entes federativos, pode representar um avanço tático importante. Mas especialistas alertam que ações policiais, embora necessárias, são insuficientes sem políticas de prevenção, inteligência e enfrentamento estrutural ao poder econômico das facções.

Como lembra o sociólogo Luiz Eduardo Soares, autor de Dentro da noite feroz (Companhia das Letras, 2020): “Combater o crime organizado exige mais que operações espetaculares. É preciso desmontar suas redes de proteção política, econômica e institucional.”

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