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Mato Grosso do Sul

Seca severa: Chapadão do Sul não registra chuva há 150 dias. Veja ranking das cidades mais secas em MS

As trincheiras contra o fogo: a rotina de quem combate os incêndios na Bolívia que ameaçam santuário do Pantanal

Publicado em 12/09/2024 11:11 - Rafaela Moreira e José Câmara (G1MS) – Edição Semana On

Divulgação Ibama autorizou a entrada de 12 brigadistas em território da Bolívia. — Foto: Viviane Amorim/Secom-MMA

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A longa estiagem e seca severa tem afetado Mato Grosso do Sul. A cidade de Chapadão do Sul não registra chuva há 150 dias e não há previsão de precipitação nos próximos dias, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Ao todo, quatro cidades do estado não registram chuvas há mais de 100 dias. Chapadão do Sul é a cidade mais afetada, com 150 dias sem chuva, seguido por Paranaíba, com 149 dias sem precipitações. Na terceira posição aparece Cassilândia, com 147 dias, e Costa Rica, com 109.

Na estação meteorológica de Chapadão do Sul, o último registro de chuva foi no dia 14 de maio. A falta de precipitações leva em consideração as estações do Inmet.

A cidade de Costa Rica, que registrou a última chuva em maio deste ano, decretou situação de emergência no dia 21 de agosto pelos incêndios florestais registrados na cidade. Uma massa de ar quente e seca está sob o estado, o que provoca altas temperaturas, ausência de chuvas, sol, céu limpo, tempo firme e umidade do ar baixíssima.

Segundo os meteorologistas, a situação é grave e deve se manter assim nos próximos dias. Isso porque a previsão é de altas temperaturas com uma onda de calor.

Há um aviso de perigo por causa das máximas em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rondônia, parte do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul.

Cuidados com a saúde

O Brasil passa por um dos mais severos períodos de seca. Nos primeiros 10 dias de setembro, o Pantanal registrou 736 focos de incêndio. O número é quase o dobro do total registrado no mesmo mês do ano passado, quando o bioma teve 373 focos, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O tempo seco, agravado pelas ondas de calor e o aumento das queimadas, aumenta o alerta para os cuidados com a saúde. 

Confira algumas dicas para enfrentar o tempo seco:

Beba bastante água (cerca de dois litros por dia ou 10 copos de água de 200 ml). Ela hidrata todos os órgãos, inclusive pele e mucosa.

– Hidrate bem as mucosas com soro fisiológico – pelo menos duas vezes ao dia.

– Lave os olhos com soro fisiológico ou com colírio de lágrima artificial.

– Cuidado com bebidas alcoólicas. Elas podem refrescar, mas também desidratam.

– Mantenha a casa limpa, evitando o acúmulo de poeira.

– Evite praticar exercícios físicos das 11h às 17h.

– Proteja-se ao máximo do sol e evite o ressecamento das mucosas e pele.

Toalha molhada ou bacia com água também funcionam? Elas podem ser opção para quem não tem o aparelho, elevando um pouco a umidade do ambiente, mas não são tão efetivas quanto o umidificador de ar.

As trincheiras contra o fogo

A mata é densa. A fumaça se tornou parte do cotidiano. A fuligem diminui a visibilidade e forma uma grossa camada sobre os equipamentos. Brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) combatem ao fogo na Bolívia desde o dia 8 deste mês. As chamas no país vizinho têm ameaçado cada vez mais a Serra do Amolar, santuário da biodiversidade no Pantanal.

Para o combate às chamas na Bolívia, a determinação do Ibama autorizou o envio de 12 brigadistas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PrevFogo) e da brigada Alto Pantanal, do Instituto Homem Pantaneiro (IHP). As fronteiras foram transpassadas com um objetivo: não deixar que o fogo afete a Serra do Amolar, considerada Patrimônio Natural da Humanidade.

Nas trincheiras contra o fogo

O despertador no Pantanal é diferente. Antes mesmo do amanhecer, o canto das aves já faz com que os brigadistas acordem. Antes de saírem rumo ao fogo, os trabalhadores do Ibama preparam materiais, alimentação e analisam a melhor estratégia para o combate diário.

O G1 conversou com dois brigadistas que atuam diretamente nos combates aos focos de incêndios que ameaçam a Serra do Amolar.

Rafael dos Santos Maia é brigadistas e veio de Goiás para atuar contra as chamas. Luiz Fernando de Araújo é da brigada do IHP e tem experiência direta no território pantaneiro.

Por determinação do Ibama, a partir de articulações do Ministério das Relações Exteriores (MRE), os brigadistas não podem dormir em território da Bolívia. Os combatentes saem da base, na aldeia indígena Guató, às 7h todos os dias.

“O trabalho é crítico devido a dificuldade de acesso. O terreno tem água e sem acesso pelo rio, dificulta nossa chegada. Trabalhamos beirando o rio, é difícil entrar no território. São muitos equipamentos. Levantamos cedo, ajeitamos equipamentos e seguimos para linha de frente do fogo com motosserra, motobomba, enxada e a vontade de tentar apagar”, compartilha Fernando.

O retorno ao território brasileiro também tem hora marcada. Antes das 17h, os brigadistas se juntam no ponto de encontro e retornam à Terra Indígena Guató. A fronteira entre os países na região ameaçada pelo fogo é natural, feita pelas águas do rio Paraguai.

Em razão da seca, bancos de areia no rio têm ameaçado a navegabilidade e comprometido o transporte dos brigadistas até os pontos de combate aos incêndios. A vegetação nativa também é desafiadora para o combatentes, que abrem verdadeiras trincheiras para conseguirem trabalhar.

“As principais dificuldades encontradas são o difícil acesso. O rio está baixando muito, não tem como os barcos chegarem muito próximo e na linha do trabalho, que tem muito cipó. Abrimos muitas trincheiras com abafadores, enxadas e sopradores. O dia a dia está funcionando, levantamos as 7h e voltamos às 17h. Não podemos combater lá durante a noite”, explicou Rafael.

Em campo, os brigadistas carregam abafadores, sopradores, pás e enxadas. Os equipamentos, em maioria, são pesados. Na cabeça, os combatentes usam capacete, balaclava, óculos específicos e chapéu. No corpo, as roupas devem ser grossas e respiráveis, por causa da vegetação e calor extremo.

No Pantanal, quase 3 milhões de hectares no Pantanal foram destruídos pelas chamas. Nos primeiros 10 dias de setembro, 736 focos de incêndios foram registrados, o dobro de setembro inteiro do ano passado (373 focos), segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA-UFRJ).

Serra do Amolar ameaçada

Os incêndios na Bolívia estão mais intensos desde o começo deste mês. Brigadistas brasileiros estão na Bolívia em combate ao fogo para impedir o avanço para a formação rochosa.

Considerado santuário da biodiversidade no Pantanal e Patrimônio Natural da Humanidade, a Serra do Amolar corre risco de ser atingida pelas chamas que se alastram pela Bolívia. Para evitar a destruição, brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), estão no país vizinho em combate.

Segundo o Instituto Homem Pantaneiro (IHP), a linha de fogo que ameaça a Serra do Amolar e os Guatós tem cerca de 60 quilômetros de extensão. A chefe de planejamento de operações do Ibama no Pantanal, Thainan Bornato, explica que a ida dos brigadistas brasileiros à Bolívia é uma ação para proteção do território do Brasil, em específico à área da comunidade indígena Guató”.

São 12 brigadistas autorizados para irem à Bolívia e voltarem. A autorização é para proteger os indígenas. O fogo era observado, mas não tinham a autorização para entrar. Os brigadistas estão no combate durante o dia, na Bolívia, e voltam ao território Guató. Enviamos com apoio do Exército, Marinha e Aeronáutica”, explica a representante do Ibama.


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