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Mato Grosso do Sul

Saiba quem são as quatro vítimas do acidente aéreo em Aquidauana

Um dos maiores arquitetos do mundo, cineastas brasileiros e o piloto perderam a vida no desastre

Publicado em 24/09/2025 9:44 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Um dos mais respeitados arquitetos do mundo, o chinês Kongjian Yu, os cineastas brasileiros Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Jr., e o piloto Marcelo Pereira de Barros morreram na queda de um avião de pequeno porte que caiu na zona rural de Aquidauana, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, na noite de terça-feira (23).

A aeronave caiu ao lado da pista de pousa da Fazenda Barra Mansa, que foi uma das locações de gravação da novela “Pantanal”, da TV Globo, e é uma área turística que recebe visitantes do Brasil e do exterior. As causas do acidente ainda serão investigadas.

Kongjian Yu foi uma das principais atrações da Bienal de Arquitetura, que acontece em São Paulo. Ele vinha a Mato Grosso do Sul com o objetivo de conhecer o Pantanal. Juntamente aos cineastas brasileiros, Yu gravava um documentário sobre as “cidades-esponja”, conceito criado pelo arquiteto chinês.

As vítimas

Kongjian Yu era professor da Universidade de Pequim e diretor do escritório de arquitetura paisagística Turenscape, um dos maiores do mundo. Ele foi o criador de uma das ideias mais inovadoras da arquitetura moderna: as “cidades-esponja”, desenhadas para absorver um grande volume de água.

O arquiteto chinês era também consultor do governo chinês. Projetou obras em mais de 70 cidades, que hoje são capazes de receber mais chuva do que caiu ano passado no Rio Grande do Sul.

Segundo a revista Fapesp, em seus premiados projetos em cidades chinesas, Yu adotou a natureza e a metodologia conhecida como soluções baseadas na natureza para absorver, limpar e usar as águas fluviais e pluviais – em vez de expulsá-las com pressa das áreas urbanas com canalizações.

Ele era graduado na Universidade Florestal de Beijing e doutor pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Luiz Ferraz era diretor especializado em projetos de documentário e não-ficção, sempre buscando as diversas formas de linguagem documental como dispositivo para contar suas histórias. Desde 2007, produzia e dirigia na Olé Produções, paralelamente aos trabalhos em parceria com outras produtoras do mercado.

Seus documentários mais recentes foram a direção da série indicada para o Emmy Internacional para WBD/HBO, “Dossiê Chapecó: O Jogo por Trás da Tragédia”, pela Pacha Films, e a direção da série “To Win or To Win”, para MBC/Shahid, maior grupo de mídia árabe, sobre o time Al Nassr FC.

Pela Olé Produções, assinou a produção e direção do documentário “Paisagem Concreta”, sobre o arquiteto Alvaro Siza e sua relação com o Brasil para o canal Arte1, exibido em festivais pelos EUA, Canadá, Brasil, Suécia e Coreia do Sul. Fez ainda a direção-geral da série “Algo no Espaço”, sobre artistas e escultores contemporâneos brasileiros.

Rubens Crispim Jr nasceu e vivia em São Paulo. Formado em Artes Plásticas pela (ECA-USP) em 2002, era documentarista, diretor de fotografia e produtor independente. Em 2006, ganhou o reality show “Projeto 48″, do canal TNT, e fez seu primeiro curta-metragem, “Os 400 Golpes”, exibido em toda a América Latina.

Trabalhou em diversas produtoras dirigindo e fotografando documentários, séries, fashion-films e filmes de arte, além de fundar a Poseídos, produtora com quase duas décadas de atividade no mercado audiovisual.

Nesse período, Rubens trabalhou para canais como Discovery Channel, National Geographic, Arte 01, TV Globo, TV Cultura e a plataforma de streaming Cultura em Casa.

Dirigiu, fotografou e produziu o filme “Segue o Baile Bixiga 70”, que participou de Festivais como In-Edit Brasil 2019 e Mimo Festival e atualmente está disponível no Canal Brasil e plataformas VOD como NOW e Amazon Prime.

Desde 2019 até 2023, Rubens coordenou o departamento de audiovisual da Amigos da Arte, Organização Social responsável por milhares de atividades ligadas ao setor cultural.

A partir de 2021, dirigiu e fotografou os documentários das exposições da Pinacoteca de São Paulo.

Marcelo Pereira de Barros era piloto e proprietário da aeronave. Ele prestava o serviço de táxi aéreo e morava em Aquidauana. Marcelo deixa dois filhos. Nas redes sociais, amigos do piloto destacam que Marcelo tinha ampla atuação em sobrevoos no Pantanal e Serra da Bodoquena, em Mato Grosso do Sul.

A aeronave

A aeronave acidentada é um modelo Cessna 175, fabricado em 1958. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) o avião estava autorizado a voar apenas sob regras visuais, e durante o dia.

O modelo Cessna 175 não possui instrumentos especiais para voar à noite ou em situações de mau tempo, exigindo que o piloto enxergue o trajeto com a ajuda do próprio horizonte e de pontos de referência no solo.

A aeronave tinha operação negada para táxi aéreo e estava registrada no nome de Marcelo Pereira de Barros.

O monomotor possui quatro lugares, tem capacidade para levar até três passageiros, além do piloto, e o peso máximo de decolagem é de 1.066 kg

Historicamente, o Cessna 175 saiu de fábrica equipado com o motor Continental GO-300 com redução de engrenagens, algo considerado raro em aviões pequenos.

 


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