Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Mato Grosso do Sul
Projeto com certificação de crédito de carbono no Pantanal é inovador e segue política estadual
Publicado em 15/08/2023 9:39 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
O governador Eduardo Riedel liderou na segunda-feira (14) um movimento, que reuniu o poder público, entidades rurais, pantaneiros e organizações não governamentais, para discutir um desenvolvimento sustentável para o bioma Pantanal. “Este time que está aqui terá uma responsabilidade muito grande pelos próximos meses. O nosso grande desafio em Mato Grosso do Sul é mostrar que podem conviver juntos, de maneira propositiva, uma nova economia lastreada em práticas que agreguem valor econômico à produção e nova dinâmica da manutenção da biodiversidade, sem perder renda e preservação. Nós estamos chamando a responsabilidade, não só do Governo, mas de todo o conjunto aqui presente, e o debate será feito na Assembleia Legislativa com todos os atores envolvidos”, justificou o governador.
Riedel ainda pontuou que o futuro do bioma será fruto desta discussão no parlamento estadual, elaborando um “produto estável, moderno e que garanta a preservação do Pantanal, o bem-estar e a permanência de quem lá vive: homens, mulheres e crianças, que trabalham e precisam se deslocar, e desta maneira entra a discussão da infraestrutura no Pantanal”, alegou.
O Governo do Estado vai publicar na próxima quarta-feira (16) um decreto suspendendo todas as licenças de supressão no bioma Pantanal. Além disso, será proposto uma portaria conjunta entre o Governo do Estado e o Ministério do Meio Ambiente para a criação de um grupo de trabalho, que deve agregar instituições que estudam e conhecem o bioma.
De acordo com o chefe do Executivo estadual, o mundo discute uma agenda de sustentabilidade e desenvolvimento econômico. “Mas não podemos perder de vista a construção histórica e cultural, a dinâmica para um futuro, uma agenda do século 21, e a atividade econômica, com pessoas vivendo e que precisam de locomoção, escolas e de saúde. É este conjunto socioambiental e econômico que nós temos que equilibrar numa lei, com ciência, conhecimento e com a responsabilidade e seriedade dos três pilares: social, econômico e ambiental”.
Para o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gerson Claro, o debate sobre a preservação do bioma já acontece na Casa. “Desde o início do ano, a Comissão do Meio Ambiente já realizou audiências, recebendo contribuições e levantamento técnico de ONGs, produtores da região e outras instituições”, garantiu.
Participando da coletiva de imprensa, o diretor executivo do Instituto SOS Pantanal, Felipe Dias, declarou que o passo mais importante já foi dado pelo governador Riedel que é a discussão: “todos os atores discutindo a temática e apresentando o seu ponto de vista, mas que em algum momento alinhando as informações com um resultado positivo. Entendemos que as estradas são necessárias, e são de extrema importância no Pantanal, mas temos que discutir como fazer”, classificou o executivo.
O anúncio desta tarde reuniu parlamentares da bancada federal no Congresso Nacional, deputados estaduais, secretários de Governo, integrantes do Ministério Público, produtores e sindicatos rurais e entidades de preservação do meio ambiente.

Projeto com certificação de crédito de carbono no Pantanal é inovador e segue política estadual
Desenvolvimento sustentável e preservação. Estes são os conceitos presentes em um projeto inovador dentro do Pantanal. O “REDD+ Serra do Amolar” ganhou a primeira certificação de crédito de carbono do bioma, por realizar atividades de conservação em uma área de 135 mil hectares.
Realizado pelo IHP (Instituto Homem Pantaneiro), o projeto segue a política do Governo do Estado de neutralizar a emissão de carbono no Mato Grosso do Sul até 20230. Para isto esta iniciativa de sucesso desenvolve uma série de ações em um território que tem quatro Reservas Particulares de Patrimônio Natural, na Serra do Amolar.
Entre as atividades está o monitoramento constante para garantir mensuração sobre a presença da vida selvagem no território. Além disso, há ações para garantir que o fogo seja prevenido e ele não cause desmatamento. Bem como, integração das comunidades nas atividades de recuperação de áreas já degradadas e no incentivo do turismo sustentável.
O resultado deste trabalho foi uma certificação referente ao período de 2016 a 2020 de créditos de carbono para serem comercializados no mercado voluntário. A venda que já está sendo feita permite mais recursos que são usados pelo instituto para conservação da natureza no Pantanal.
“Nasce nesse contexto de conservação e serviços ambientais oportunidades como que o Instituto Homem Pantaneiro está fazendo que é o de certificação de créditos de carbono. Ainda estamos trabalhando no mecanismo de biodiversidade. Essas são pautas da bioeconomia que não podem ficar relegadas em um bioma que se encontra em grande parte conservado”, descreveu o presidente do IHP, Coronel Ângelo Rabelo.
O governador Eduardo Riedel participou do lançamento do projeto em maio deste ano. Ele destacou que estas iniciativas vão de encontro a política do Estado, que é o desenvolvimento sustentável e conservação do Pantanal, tendo entre os pilares o Estado Carbono Neutro.
“É uma iniciativa muito importante porque mostra que o Pantanal tem potencial ambiental econômico. Acredito muito nessa linha porque isso gera resultados e contribui para preservação do bioma. Assim temos a meta ousada de chegar em 2030 neutralizando as nossas emissões. Nosso objetivo é que todas as atividades públicas e privadas contribuam neste sentido”, descreveu.
Certificação
Esta certificação foi a primeira a um projeto desenvolvido no Pantanal. Ela foi concedida pelo VERRA, empresa que hoje domina o mercado na metodologia REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal).
O projeto conta com apoio estratégico do Programa Conexão Jaguar, que é mantido pela empresa ISA CTEEP. O total de crédito (carbono) certificado é de 231 mil toneladas de CO2. A iniciativa tem duração de 30 anos.
O mercado de carbono permite que empresas e organizações compensem as suas emissões de gases de efeito estufa, fazendo aquisições de créditos gerados por projetos que promovem esta redução.
O secretário da Semadesc ((Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jaime Verruck, avalia como positiva esta ação dentro do Pantanal. “Estas atividades promovidas pelo projeto geram um crédito de carbono. Este pode ser vendido a empresas que emitem carbono e precisam comprar para neutralizar suas emissões. Este recurso será usado pelo instituto para reforçar ainda mais o cuidado e preservação do bioma. Esperamos levar este modelo para outras instituições”.
Deixe um comentário