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Mato Grosso do Sul

Riedel e produtores reagem à decisão do Carrefour de suspender compra de carne do Mercosul

CEO da empresa na França anunciou que não vai comercializar carne proveniente da região

Publicado em 23/11/2024 11:04 - Semana On

Divulgação Gov MS

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A decisão anunciada pelo CEO do Carrefour na França, Alexandre Bompard, de suspender a comercialização de carne proveniente de países do Mercosul gerou indignação em Mato Grosso do Sul. Lideranças políticas e do agronegócio do estado reagiram à medida, considerada protecionista, que impacta diretamente a imagem do bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

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O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, foi enfático ao criticar o posicionamento da rede varejista. “Nós estamos acompanhando a discussão do Carrefour inibindo e proibindo a compra de carne do Mercosul. É esse tipo de coisa que queremos combater, absurdos comerciais que transportam para essa relação algo negativo”, afirmou Riedel em pronunciamento.

A medida, anunciada em 20 de novembro de 2024, aplica-se exclusivamente à unidade francesa do Carrefour. Segundo a empresa, a suspensão reflete compromissos da marca com questões ambientais e sociais, embora não tenha detalhado essas motivações no comunicado divulgado nas redes sociais.

Impacto comercial limitado, mas simbólico

O setor rural do estado também reagiu. O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Guilherme Bumlai, minimizou o impacto econômico direto, já que a exportação de carne bovina para a França é pequena. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que Mato Grosso do Sul não exportou carne para o mercado francês em 2024. O estado vendeu US$ 50,9 milhões em produtos para o país entre janeiro e outubro deste ano, principalmente celulose e derivados de soja.

“Primeiro, o impacto para o setor brasileiro é muito pequeno, já que enviamos uma quantidade mínima de carne para a França. Mas, em segundo lugar, há uma questão comercial importante. Não podemos deixar de nos posicionar. Esse argumento protecionista deve ser repudiado. Sou a favor do livre comércio. Eles precisam se preocupar em ser mais competitivos e eficientes, como nós, que produzimos com eficiência e sustentabilidade e exportamos para mais de 180 países”, argumentou Bumlai.

Bumlai sugeriu, inclusive, um movimento de reciprocidade por parte dos produtores rurais. “Se eles não querem comprar nossa carne, defendemos que os produtores rurais de Mato Grosso do Sul também deixem de consumir no Carrefour”, disse.

Lideranças destacam sustentabilidade do agronegócio

O presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Novilho Precoce, Rafael Gratão, também repudiou a decisão do Carrefour e destacou o trabalho sustentável realizado pelos pecuaristas da região. A sustentabilidade da pecuária brasileira, frequentemente apontada como referência mundial, tem sido um dos principais argumentos contra críticas internacionais que associam a produção de carne do Mercosul a questões ambientais.

“A decisão é um ataque injusto à imagem dos produtores do Mercosul, que têm se destacado em práticas de sustentabilidade. Isso é protecionismo disfarçado de preocupação ambiental”, disse Gratão.

Repercussão no Mercosul

A decisão do Carrefour francês provocou uma reação em cadeia no Mercosul. A Federação das Associações Rurais do Mercosul (FARM) emitiu um comunicado repudiando a postura da rede varejista e destacou que medidas como essa enfraquecem o comércio internacional e o próprio bloco econômico.

Ainda assim, o Carrefour esclareceu que a decisão é exclusiva da unidade francesa e não afeta as operações da rede em outros países onde atua, como Brasil e Argentina, que continuam comercializando carne proveniente do Mercosul.

Protecionismo e desafios comerciais

A França, que ocupa a 28ª posição no ranking de exportações de Mato Grosso do Sul, é tradicionalmente vista como um mercado desafiador para o Mercosul, devido à sua política agrícola protecionista. A decisão do Carrefour reforça o debate sobre barreiras comerciais disfarçadas de preocupações ambientais, um tema que tem ganhado força nos fóruns internacionais.

Lideranças políticas e do setor rural do Mercosul defendem a necessidade de articulação conjunta para enfrentar movimentos considerados protecionistas. Para eles, decisões como a do Carrefour podem impactar negativamente a imagem do agronegócio sul-americano e precisam ser combatidas com argumentos sólidos e diplomacia comercial.

Enquanto isso, o agronegócio de Mato Grosso do Sul reforça sua posição no mercado global, destacando a eficiência e a sustentabilidade como marcas da produção local.


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