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Mato Grosso do Sul

Riedel defende avanços do MS no Brazil Economic Forum

Governador apresenta modelo do Estado para conciliar ganhos ambientais e econômicos, destacando neutralização de carbono até 2030

Publicado em 23/01/2025 11:10 - Semana On

Divulgação Reprodução

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A sustentabilidade só se concretiza com apelo econômico, afirmou o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, durante o Brazil Economic Forum, realizado hoje (23) em Zurique, na Suíça. O evento, que reuniu líderes políticos e empresariais, abordou temas como transição energética e investimentos sustentáveis. Para Riedel, iniciativas sustentáveis que não geram impacto econômico efetivo correm o risco de permanecerem na esfera da retórica, sem adesão significativa de setores produtivos.

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Em sua fala, Riedel destacou as ações ambientais de Mato Grosso do Sul como exemplo de políticas que alinham sustentabilidade e progresso econômico. Entre as metas apresentadas, está a neutralização das emissões de carbono até 2030, por meio de iniciativas que integram tecnologia e preservação ambiental. “O futuro sustentável exige práticas que equilibrem economia e ecologia, especialmente no setor agropecuário e industrial”, afirmou o governador.

Um dos exemplos citados foi o avanço das indústrias de biomassa e biocombustíveis, aliados ao plantio de florestas de eucalipto em mais de 2 milhões de hectares. Essa abordagem reduz as emissões de carbono e ainda gera bioenergia, com um baixo volume de resíduos. Na pecuária, setor historicamente associado a emissões significativas de gases de efeito estufa, o estado introduziu tecnologias que reduzem o tempo para o abate dos animais, de quatro para dois anos, diminuindo a pegada de carbono.

Além disso, a substituição de 5 milhões de hectares de pastagens degradadas por atividades mais sustentáveis, como cultivo de grãos e cana-de-açúcar, reforça a aposta do estado em um modelo de manejo sustentável.

Outro ponto de destaque foi a defesa da remuneração por serviços ambientais, prevista na Lei do Pantanal. A proposta pretende recompensar produtores que preservem áreas naturais, estimulando práticas que beneficiem o equilíbrio ecológico. Segundo Riedel, o programa será detalhado em breve e consolidará o estado como referência em ações de preservação ambiental.

Crescimento econômico e desafios sociais

Riedel também chamou atenção para os indicadores econômicos positivos de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o estado deve liderar o crescimento econômico brasileiro em 2025, com previsão de 5,2% já em 2024. O volume de investimentos privados ultrapassa R$ 100 bilhões, enquanto a meta de investimentos públicos está fixada em 15% da receita corrente líquida.

No entanto, o governador reconheceu desafios como a redução da pobreza extrema, que ainda afeta comunidades indígenas. Nesse contexto, ele citou a iniciativa de indenizar fazendeiros como forma de encerrar conflitos fundiários, medida discutida no Supremo Tribunal Federal (STF) e recentemente aplicada no município de Antônio João, encerrando disputas históricas.

O painel contou ainda com a participação do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que ressaltou ações locais, como a expansão da energia solar e isenção de impostos para veículos híbridos. Representantes do setor privado, como Celso Fiori, da Mercuria, e Wagner Carvalho, da W Energy, enfatizaram o papel decisivo de fundos de investimento e políticas públicas na transição para energias renováveis. Patricia Iglecias, da USP, alertou para as consequências do aquecimento global e a urgência em preservar não só florestas, mas também os povos indígenas que as protegem.

Sustentabilidade como imperativo econômico

Ao final de sua exposição, Riedel reiterou a necessidade de conectar sustentabilidade e economia como estratégia para garantir adesão e resultados duradouros. “A sustentabilidade precisa ter viabilidade econômica para se tornar prática e atrativa, especialmente em setores produtivos. Sem isso, não passa de discurso”, afirmou.

O debate reflete uma das questões mais urgentes do século 21: como avançar no crescimento econômico respeitando os limites do planeta. No caso de Mato Grosso do Sul, o modelo apresentado por Riedel pode servir como inspiração para outros estados e países em busca de soluções sustentáveis e economicamente viáveis.

Análise e perspectiva

O discurso de Riedel coloca em pauta um ponto fundamental da sustentabilidade contemporânea: o vínculo entre políticas ambientais e incentivos econômicos. Em um cenário global onde a emergência climática exige ações coordenadas e imediatas, a proposta de integrar tecnologia, manejo ambiental e remuneração por serviços ecológicos oferece uma resposta pragmática e inovadora. No entanto, o desafio de equilibrar interesses econômicos e sociais permanece, especialmente quando se trata de comunidades indígenas e pequenos produtores, frequentemente marginalizados em tais processos.

A transição energética, como apontada no evento, requer não apenas investimentos robustos, mas também a criação de modelos que assegurem equidade e inclusão. Mato Grosso do Sul, com suas iniciativas, caminha nessa direção, mas o sucesso depende de sua capacidade de consolidar essas práticas a longo prazo, evitando retrocessos ou impactos desiguais.

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