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Mato Grosso do Sul

Riedel anuncia parceria com Google para acesso gratuito à inteligência artificial nas escolas estaduais

Tecnologia e expansão do ensino integral marcam nova fase da educação em Mato Grosso do Sul

Publicado em 14/05/2026 10:13 - Semana On

Divulgação Gov MS

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O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, anunciou nesta semana uma nova etapa da política de modernização da rede estadual de ensino: a partir de 1º de junho, o Estado firmará um convênio com a Google para ampliar o acesso dos estudantes à inteligência artificial e a ferramentas digitais dentro das escolas públicas. Segundo o governador, os alunos poderão utilizar recursos de IA pelo celular, com acesso gratuito à internet nas unidades escolares. “Isso muda a forma de aprender”, afirmou.

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O anúncio ocorre em um contexto de forte expansão dos investimentos estaduais na educação, especialmente nas áreas de infraestrutura escolar, conectividade, ensino integral e formação profissional. A estratégia do governo busca alinhar a rede estadual às transformações tecnológicas que vêm redefinindo o ambiente educacional em todo o mundo, num momento em que ferramentas de inteligência artificial passam a ocupar espaço central nas discussões sobre aprendizagem, produtividade e inclusão digital.

O secretário estadual de Educação, Hélio Daher, destacou que a estrutura atualmente disponível na rede pública sul-mato-grossense ainda é uma realidade distante para grande parte das escolas brasileiras. Segundo ele, embora os investimentos tenham avançado significativamente nos últimos anos, muitas vezes a dimensão dessas melhorias acaba naturalizada pela própria comunidade escolar.

“Hoje, no Brasil, poucas redes têm a estrutura que nós temos. E, muitas vezes, a gente esquece disso. Coisa boa a gente se acostuma rápido. Mas ainda há muitas crianças que não têm uma escola decente para estudar”, declarou.

A fala do secretário toca em uma das principais desigualdades históricas da educação brasileira: a disparidade estrutural entre redes públicas estaduais e municipais de diferentes regiões do país. Dados do Censo Escolar e de levantamentos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que milhares de escolas brasileiras ainda operam sem bibliotecas, laboratórios, acesso adequado à internet ou estrutura mínima de climatização — cenário que se tornou ainda mais evidente após a pandemia de Covid-19, quando a exclusão digital passou a impactar diretamente o processo de aprendizagem.

Nesse contexto, o governo estadual tenta posicionar Mato Grosso do Sul entre as redes que apostam na digitalização e na ampliação do ensino em tempo integral como instrumentos de melhoria dos indicadores educacionais. Durante o anúncio, Hélio Daher apresentou números que buscam demonstrar o ritmo de expansão da estrutura física e pedagógica da rede estadual.

“Hoje, a nossa rede entrega uma escola reformada a cada seis dias. Mais de 60% das unidades já contam com ensino integral, como esta escola, e mais da metade dos nossos estudantes tem acesso à educação profissional”, afirmou o secretário.

A ampliação do ensino integral tem sido tratada por especialistas como uma das estratégias mais eficazes para reduzir evasão escolar e melhorar desempenho acadêmico, sobretudo em regiões socialmente vulneráveis. Estudos conduzidos pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e por pesquisadores ligados ao Insper indicam que escolas de tempo integral tendem a apresentar melhora em indicadores de aprendizagem, redução da distorção idade-série e maior permanência dos estudantes no ambiente escolar.

Ao mesmo tempo, a expansão da educação profissional acompanha uma demanda crescente do mercado de trabalho por formação técnica e qualificação digital. Em um cenário de rápidas transformações tecnológicas, governos estaduais têm buscado aproximar o ensino médio das exigências do setor produtivo, especialmente em áreas ligadas à tecnologia, logística, agroindústria e serviços.

A parceria anunciada com a Google reforça essa estratégia de aproximação entre educação pública e plataformas tecnológicas globais. Nos últimos anos, empresas do setor vêm ampliando presença em redes de ensino por meio de ferramentas educacionais, plataformas em nuvem e soluções baseadas em inteligência artificial. O avanço desse modelo, no entanto, também abre debates sobre proteção de dados, dependência tecnológica e formação adequada de professores para utilização crítica dessas ferramentas em sala de aula.

Especialistas em educação digital alertam que o acesso à tecnologia, por si só, não garante melhoria automática da aprendizagem. O pesquisador Neil Selwyn, professor da Monash University, na Austrália, um dos principais estudiosos da relação entre tecnologia e educação, sustenta que “a tecnologia educacional nunca é neutra” e que sua eficácia depende diretamente da forma como é incorporada ao processo pedagógico. Em obras como Should Robots Replace Teachers?, Selwyn argumenta que inovação tecnológica sem planejamento pedagógico pode aprofundar desigualdades já existentes.

No caso de Mato Grosso do Sul, o desafio do governo será transformar conectividade e acesso à inteligência artificial em instrumentos efetivos de aprendizagem, sem reduzir a discussão educacional apenas à dimensão tecnológica. Isso envolve desde formação continuada de professores até garantia de infraestrutura adequada e desenvolvimento de políticas de inclusão digital capazes de alcançar estudantes em diferentes contextos sociais.

A aposta do Estado ocorre em um momento em que a inteligência artificial deixa de ser apenas um debate restrito ao setor tecnológico e passa a influenciar diretamente a educação básica, redefinindo métodos de estudo, produção de conteúdo e acesso à informação. O movimento coloca as redes públicas diante de uma questão cada vez mais urgente: como incorporar inovação sem aprofundar desigualdades históricas que ainda marcam a educação brasileira.

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