17/07/2024 - Edição 550

Mato Grosso do Sul

Ribeirinhos não abandonam o Pantanal

Publicado em 22/05/2014 12:00 -

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A vida dos ribeirinhos no Pantanal sul-mato-grossense é cercada de provações. Na região da Boca do Paraguai Mirim, por exemplo, o cotidiano é todo pautado pelo Rio Paraguai. É dele que a maioria absoluta das famílias tira seu sustento, seja da pesca ou da coleta de iscas vivas. Até a pecuária e a agricultura dependem diretamente do rio.

Na época da cheia, como agora, nenhuma das duas atividades avança, já que as águas ocupam praticamente todo o campo. Só os aterros (levantados há décadas) e alguns poucos locais mais altos conseguem escapar parcialmente da inundação. “É assim sempre”, garante Edemilson Pereira Nascimento, de 36 anos.

“Às vezes enche mais, como nesse ano. Ai a água vai com tudo pra dentro de casa, como tá agora”, continuou o ribeirinho, nascido e criado às margens do Paraguai. Apesar da adversidade, ele nem cogita deixar o Porto 15 de Março, onde mora com a esposa Rosangela Arruda e mais quatro filhos.

“A gente vai levando como dá. E tem esse povo da Prefeitura que acaba ajudando muito”, disse. Edemilson se refere à equipe do Povo das Águas, programa social mantido pela Prefeitura de Corumbá e voltado especificamente para a população ribeirinha. Durante todo o ano um grupo de médicos, dentistas, vacinadores, assistentes sociais, professores, agentes de saúde e profissionais de outras especialidades visita todas as regiões do Pantanal corumbaense.

Emergência

No último fim de semana, uma ação emergencial socorreu os moradores do Paraguai Mirim. Antes, a equipe já tinha levado o trabalho social para a Barra do São Lourenço, outra localidade bastante castigada pela cheia. As duas viagens tiveram o apoio fundamental do 6º Distrito Naval, que disponibilizou o navio de guerra Piraim e sua tripulação de 23 homens para o atendimento dos ribeirinhos.

Na última viagem, além de muitas casas embaixo d’água, os funcionários da Prefeitura e os militares da Marinha também encontraram histórias emocionantes, como a da jovem Helena. Com apenas 13 anos, ele trouxe sua primeira filha ao mundo sem ajuda de ninguém. Ela encarou todo o trabalho de parto sozinha, numa pequena casa onde não existe luz elétrica e nem água encanada.

O bebê, de apenas uma semana, passa bem. Ele foi examinado pelo médico e a enfermeira do Programa Social e na próxima ação deve receber as primeiras vacinas.

Aos 39 anos, Juliana Rosa também teve seu sétimo filho no meio do Pantanal. A pequena Olga Maria, com 22 dias de idade, é outra que esbanja saúde. “Todos meus filhos nasceram aqui, com ajuda da minha comadre Fátima”, relatou a pescadora.


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