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Mato Grosso do Sul
Em 2023, MS exportou 6,45 bilhões de dólares para a Ásia e América do Sul no trajeto
Publicado em 11/01/2024 9:34 - Semana On
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Com ambiente positivo de negócios, redução da carga tributária e menor ICMS do Brasil, Mato Grosso do Sul se tornou um ótimo lugar para investir e empreender. Esse cenário favorável ainda ganha novo ânimo, frescor e esperança com a implantação da rota bioceânica. O resultado é o surgimento de novos empresários, que estão otimistas e preparados para nova realidade.
Moradora de Porto Murtinho, Annice Diaz percebeu que era o momento de empreender e começar o seu negócio, nesta região que é considerada o “coração da rota bioceânica”. Junto com a sua sócia, resolveu abrir uma agência de turismo, para montar pacote de viagens internacionais, fazendo a conexão Mato Grosso do Sul e Paraguai.
“Nós começamos as atividades em 2021 logo depois da pandemia, porque entendemos que a rota bioceânica mudaria toda região, com uma nova realidade. Era nossa grande oportunidade. Eu e minha sócia somos turismólogas e resolveu arriscar, até porque estamos em Porto Murtinho, onde está se construindo a ponte sobre o Rio Paraguai”, descreveu.
Annice resolveu seguir em mão dupla com a sua empresa Bio Rota Turismo, organizando roteiros e viagens de brasileiros ao Paraguai, assim como trazendo turistas do país vizinho para conhecer as belezas naturais de Mato Grosso do Sul. “Fazemos turismo regional para atrações em cidades como Carmelo Peralta, Filadélfia, Loma Plata no Paraguai, assim como Vallemi, que tem um turismo forte em cavernas”.
No caminho inverso traz muitos grupos de turistas ao Estado. “Uma das turmas que sempre trazemos ao Brasil é a comunidade alemã dos menonitas, que moram no Paraguai. Eles gostam muito das belezas naturais do Estado, como Porto Murtinho, Bonito, Jardim e até Dourados. Estão descobrindo estas cidades de rios cristalinos. Este cenário vai se intensificar com a rota bioceânica”.
Outro foco é diversificar o turismo regional em Porto Murtinho, agregando novos produtos, em uma cidade que tem a pesca como “carro-chefe”. A empresa de Diaz quer ampliar os pacotes de lazer, contemplação e ecoturismo. “São mais de 30 anos de turismo forte de pesca, que queremos agregar principalmente na baixa temporada (pesca) entre novembro e fevereiro, que o movimento cai bastante, assim teremos rentabilidade e movimento o ano inteiro”.
Ambiente positivo
Para a empresária o ambiente e as boas condições para se empreender no Estado fizeram a diferença na hora dela ter coragem de abrir seu negócio. “É a primeira vez que me aventuro como empreendedora, mas temos este otimismo devido ao atual momento do Estado, propício para começar, com muitos atrativos”.
Diaz destaca que Mato Grosso do Sul é um ótimo local para se investir. “Recomendo as pessoas a empreender no Estado, pois tem muitos pontos positivos, além deste grande atrativo que é a rota bioceânica. Meu negócio está em expansão, avançando e crescendo no ritmo que desejamos”, comemorou.
Para construir este cenário positivo o Governo do Estado fez a sua parte. Com apenas cinco meses de gestão, o governador Eduardo Riedel lançou um pacote de redução e isenção de tributos em diversos setores, que tiveram grande impacto nos pequenos e médios empresários, assim como alívio para o bolso do cidadão.
Nesta lista entrou a erva-mate para o preparo do tradicional tereré, produtos como vinagre farinha de mandioca, farinha de milho e fubá e sabonete, se igualando na carga tributária de ICMS ao arroz e feijão, com uma redução (imposto) de 58%. Além disso, foram isentos desse imposto os produtos da hortifruticultura para a merenda escolar de associações de produtores rurais.
No final de 2023, Riedel também garantiu a manutenção da alíquota padrão de ICMS em 17%, que hoje é a menor do Brasil. Esta decisão de destaque nacional teve o apoio do setor produtivo do Estado, pois ajuda no crescimento do Estado e barateia os produtos ao cidadão.
“Neste momento achamos que manter a alíquota aumenta a nossa competitividade e atrai ainda mais investimentos. A nossa aposta é em preservar a capacidade de compra e a capacidade produtiva, ter crescimento econômico com aumento de arrecadação, sem aumentar impostos”, descreveu o governador.
R$ 6,45 bilhões de dólares pelo caminho da rota
O mercado asiático e países sul-americanos que integram o Corredor Rodoviário de Capricórnio, conhecido como Rota Bioceânica, foram destino de 61,38% das exportações de Mato Grosso do Sul no período de janeiro a dezembro de 2023.
As vendas externas de commodities e outros produtos sul-mato-grossenses para a China, Argentina, Japão, Coreia do Sul, Vietnã, Indonésia e Chile, saltaram de US$ 4,269 bilhões em 2022, para US$ 6,454 bilhões no ano passado, crescimento de 66,1%.
“Do valor recorde de US$ 10,5 bilhões em exportações de Mato Grosso do Sul no ano 2023, praticamente US$ 6,5 bilhões foram para países da Ásia e para os que integram o trajeto da Rota Bioceânica” comenta o secretário Jaime Verruck, da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
“Essas exportações seguiram basicamente pelos portos de Santos e Paranaguá, mas esses números só demonstram a relevância e confirmam a importância da Rota Bioceânica para Mato Grosso do Sul. Por isso o Governo do Estado tem como política estratégica a concretização e viabilização da Rota, para potencializar ainda mais as relações de comércio exterior com o mercado asiático e sul-americano. Nossa expectativa é que, daqui a 2 anos, parte dessas exportações já seja transportada pelos portos da costa chilena”, acrescentou o titular da Semadesc.
Atualmente, entre os 10 maiores destinos das exportações sul-mato-grossenses, sete deles envolvem países que estão relacionados à Rota Bioceânica: China, Argentina, Japão, Coreia do Sul, Vietnã, Indonésia e Chile. Destes, somente as vendas externas para o Japão registraram queda no ano passado. As transações comerciais com o mercado chinês cresceram 43,4%, saindo de US$ 2,926 bilhões em 2022 para US$ 4,196 bilhões em 2023.
Os demais destaques no bloco do mercado asiático são: Coreia do Sul, com aumento de 16,9%, de US$ 182,438 milhões, para US$ 213,227 milhões; Vietnã, ampliação de 49,8%, de US$ 140,812 milhões, para US$ 210,988 milhões e Indonésia, alta de 57,3%, de US$ 129,514 milhões, para US$ 203,755 milhões.
No bloco sul-americano, a Argentina, segundo maior parceiro comercial de Mato Grosso do Sul, registrou aumento de 265,6% nas transações com o Estado, saltando de US$ 301,85 milhões em 2022 para US$ 1,1 bilhão no ano passado. Já as exportações para o Chile neste período tiveram crescimento de 8,6%, passando de US$ 179,234 milhões para US$ 194,726 milhões.
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