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Mato Grosso do Sul
Vander Loubet e Pedro Kemp assumem comando do partido em MS
Publicado em 08/07/2025 3:00 - Semana On
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Em clima de festa e mobilização política, os deputados Vander Loubet (federal) e Pedro Kemp (estadual) foram eleitos no domingo (7) para comandar, respectivamente, o diretório estadual do PT em Mato Grosso do Sul e o municipal, em Campo Grande. As eleições internas da legenda, realizadas com cédulas de papel e apuração na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), sinalizam não apenas uma renovação de mandatos partidários, mas o reposicionamento estratégico do partido em um Estado onde o diálogo com a centro-direita ganha relevância frente às eleições gerais de 2026.
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Com 75,5% dos votos, Pedro Kemp derrotou Elaine Becker na capital sul-mato-grossense. Vander Loubet, por sua vez, obteve 82,47% contra Humberto Amaducci, consolidando sua liderança também em Campo Grande, enquanto o resultado completo dos municípios do interior será divulgado ainda nesta semana. Na capital, participaram 949 eleitores filiados ao partido.
Kemp, que tem quatro décadas de militância petista, comemorou o resultado destacando sua disposição de continuar contribuindo para o fortalecimento da legenda. “Vou continuar emprestando a minha vida, minha energia, minha garra para esse partido se fortalecer cada vez mais e a gente fazer uma grande vitória no ano que vem com o nosso presidente Lula, derrotando a extrema direita no Brasil”, afirmou o parlamentar em vídeo publicado nas redes sociais.
Além de reforçar a atualização do cadastro de filiados, Kemp destacou que um dos principais desafios será comunicar melhor as ações do partido, sobretudo para as camadas mais vulneráveis da população — tema que já havia sido sinalizado como prioridade pela direção nacional do PT em outras ocasiões.
Aliança estratégica com o Governo Riedel
No plano estadual, Vander Loubet enfatizou a necessidade de construir pontes políticas que fortaleçam a governabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, simultaneamente, ampliem a influência do PT em Mato Grosso do Sul. Em entrevista ao podcast Na Íntegra, do portal Campo Grande News, o deputado mencionou os cerca de R$ 30 bilhões em investimentos federais no Estado como evidência de que a presença do Governo Lula é “forte e estratégica”, sobretudo no setor de infraestrutura, fundamental para o desenvolvimento econômico regional.
Mesmo integrante da base do governador Eduardo Riedel (PSDB), o PT mantém cautela estratégica. A possível mudança de partido por parte do tucano pode abrir novas janelas de aliança. Segundo Loubet, “o PT vai aguardar a definição do governador Eduardo Riedel em relação ao próprio futuro partidário […] para então avançar e definir o próprio rumo para o ano que vem”.
Ao admitir o desejo de disputar uma das duas vagas ao Senado em 2026 — com a possível saída de Nelson Trad Filho (PSD) e Soraya Thronicke (Podemos) —, Vander pondera que pode abrir mão da candidatura em nome de uma frente ampla que fortaleça a reeleição de Lula. “Vejo o PT muito maduro, responsável e com muita clareza do desafio colocado”, afirmou o parlamentar, destacando também os nomes da ministra Simone Tebet (MDB) e do ex-deputado Fábio Trad como figuras centrais para uma aliança ampliada.
Resistência no Congresso e desafios econômicos
Loubet não ignora os obstáculos enfrentados pelo governo federal no Congresso Nacional. Com uma base reduzida — cerca de 100 dos 513 deputados —, Lula enfrenta pressões constantes do Centrão e de adversários ideológicos. No entanto, o parlamentar vê mudanças no cenário político, especialmente na reação popular a temas impopulares em tramitação legislativa, como a correção da alíquota do IOF e a proposta de escala de trabalho 6 por 1. “Furou a bolha”, diz ele, referindo-se ao alcance de críticas nas redes sociais, que teriam pressionado o Legislativo a recuar.
Outro tema crítico mencionado por Loubet foi a elevada taxa de juros, que, segundo ele, inibe investimentos e agrava a desaceleração da economia real. Em sua visão, o avanço da reforma agrária e a redução das taxas de crédito serão determinantes para uma virada de imagem do governo federal, sobretudo no Centro-Oeste, onde o agronegócio domina a agenda.
Contexto histórico e nacional
As eleições internas do PT em todo o país neste fim de semana também reafirmaram o apoio da militância ao ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, aliado de Lula, eleito para presidir o diretório nacional. Com um perfil conciliador e experiência administrativa, Edinho representa o esforço do partido em reposicionar-se como força central no processo político nacional, ampliando alianças e enfrentando a desinformação, uma das principais armas da extrema direita desde 2018.
Como lembra o cientista político Leonardo Avritzer, professor da UFMG, “a esquerda brasileira tem diante de si a tarefa de reconstruir vínculos com as camadas populares, abalados nos últimos anos por uma combinação de crise econômica, judicialização da política e hegemonia bolsonarista nas redes sociais” (O Pêndulo da Democracia, 2021).
A vitória de Vander Loubet e Pedro Kemp, portanto, não é apenas um episódio interno de partido. Ela antecipa os contornos de uma disputa nacional onde o PT se esforça para unir tradição, alianças pragmáticas e discurso social em defesa da democracia. Em Mato Grosso do Sul, esse caminho passa pela aliança com Riedel, mas também pela reafirmação de princípios históricos que sempre nortearam a legenda: inclusão, desenvolvimento e combate às desigualdades.
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