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Mato Grosso do Sul
Para o governador eleito, Eduardo Riedel, setor gera “grandes oportunidades” para o Estado
Publicado em 30/12/2022 12:55 - Semana On
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Os produtos do agronegócio somaram US$ 6,9 bilhões no acumulado de janeiro a novembro de 2022, o que representou 90% dos US$ 7,595 bilhões exportados por Mato Grosso do Sul no mesmo período. Os dados foram obtidos com base em análise feita na Carta de Conjuntura da Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar). Dos 12 principais produtos exportados pelo Estado, de janeiro a novembro deste ano, os sete primeiros são da cadeia produtiva do agronegócio.
Amparado por uma safra recorde próxima de 12 milhões de toneladas, o milho foi a vedete em crescimento na balança de exportações do agronegócio sul-mato-grossense neste ano, com um aumento de 667,13%. Em valores, Mato Grosso do Sul exportou US$ 585,5 milhões de janeiro a novembro. Já em volume foram 2,8 milhões de toneladas comercializadas ao exterior.
Um dos motivos deste desempenho recorde na produção do milho foi o maior uso de tecnologia e variedades nas lavouras. Mesmo com os problemas de clima a produtividade do milho safrinha chegou a 96 sacas por hectare, o dobro do ano passado, quando saíram dos campos estaduais 47 sacas por hectare.
O secretário Jaime Verruck, da Semagro, destaca que a força do agronegócio com o avanço dos preços das commodities, a agroindustrialização e o investimento público direto foram os alicerces que impulsionaram as riquezas de Mato Grosso do Sul e levaram o Estado a registrar o maior incremento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2020 a 2022 entre os estados da Federação.
Ele acrescenta que o Estado é tradicional exportador de grãos para os estados do sul do País, mas a mudança na matriz econômica está impactando em maior consumo interno dos grãos. “Temos projetos de ampliação da agroindustrialização, como duas usinas processadoras de etanol de milho, uma já em operação em Dourados e outra em Maracaju. Isso sem contar a expansão na produção de suínos e aves, que também consomem o milho na fase da engorda”, salientou.
A demanda interna é de 6 milhões de toneladas, o que segundo o secretário é suficiente para atender a cadeia produtiva. No entanto, a industrialização vai mudar estes números. “Existe uma tendência em reduzir ainda mais o quantitativo enviado para fora de MS e beneficiar cada vez mais dentro do Estado, transformando este milho em ração de suínos, de aves”, sinalizou.
No caso do etanol de milho, Verruck lembra que já entrou na pauta de exportação o DDG [sigla em inglês para grãos secos e destilados] do milho, que novamente entra na cadeia produtiva, principalmente na pecuária.
“A agregação de valor é uma de nossas metas dentro da política industrial. Buscamos a eficiência para que Mato Grosso do Sul seja um Estado multiproteína e exporte não só as proteínas vegetal e animal mas também avance em outros produtos. O resultado da nossa balança comercial já demonstra isso. Mato Grosso do Sul se posiciona hoje como um exportador agroindustrial. Eu acho que esse é um grande objetivo que nós tivemos no desenvolvimento da política industrial do Estado”, conclui o secretário.
Outros produtos
A soja manteve no ano o protagonismo em valores de exportação com mais de US$ 2 bilhões obtidos até novembro, ou o equivalente a 26,7% do total exportado pelo Mato Grosso do Sul. No entanto, em termos de receita houve um recuo de 8,57%. O segundo produto da pauta foi a celulose com 18,24% de participação na balança e US$ 1,3 bilhões de receita.
Já o setor de carne bovina registrou aumento de 30,7% nas vendas externas de janeiro a novembro, com US$ 1,1 bilhão negociados. Já em carne de aves foram US$ 344,6 milhões exportados no ano.
Oportunidade de Ouro
O Mato Grosso do Sul passa por um momento muito interessante, quando se analisa a ocupação do território, aumento de área cultivada com soja, mais de R$ 3 milhões e meio na safra 2019/2020, crescimento do eucalipto, cana-de-açúcar, milho, importante destacar o avanço da suinocultura, ovinocultura e piscicultura. Além do aumento do nível de tecnologia da pecuária de corte. Tudo isso coloca o Estado como grande produtor de proteína animal, com destaque para a qualidade da carne.
Para o governador eleito, Eduardo Riedel, trata-se de uma oportunidade de ouro. “Nós temos um território fantástico com dezoito milhões de hectares de pastagem, dez milhões em estágio de degradação e três ponto sete em estado severo. Esse em estágio severo nós vamos reverter rapidamente, seja com floresta plantada, seja com cana, com agricultura ou com pastagem mais produtiva. Está aí a chave da descarbonização da nossa economia, aliado à toda uma indústria 4.0 que gera toda a sua energia de biomassa, que tem em seus processos total cuidado com seus efluentes, nós vamos transformar Mato Grosso do Sul, até 2030, em um Estado Carbono Neutro”, afirma.
Riedel destaca que, muitas vezes, não se percebe a importância e a dimensão que isso representa. “Inclusive monetiza os produtores rurais, que as vezes estão pouco antenados nisso, mas a nossa agricultura é de altíssima tecnologia, com plantio direto, baixo nível de emissão e carbono, máquinas modernas atuando no campo, com processos extremamente conservacionistas. Reconheço eu temos problemas em biomas específicos e que precisamos trabalhar fortemente para resolver isso, essas nossas ações precisam ser direcionadas para proteger o Pantanal, nossos rios, as matas ciliares, que aliás, a produção rural sul-mato-grossense garante essa preservação da reserva legal, das matas ciliares, da APP e nós estamos trabalhando fortemente para o ambiente de negócio gerado seja atrativo para o capital privado pagar o serviço ambiental, por isso a meta 2030. Nós temos que monetizar esse ativo que nós chamamos ambiental, isso garante a preservação e é um ciclo positivo”.
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