22/04/2024 - Edição 540

Mato Grosso do Sul

Produção agrícola total do Estado deverá superar os 106,5 milhões de toneladas neste ano

Governo de MS fomenta diversificação da produção local e atrai investimento de citricultura

Publicado em 21/03/2024 1:53 - Semana On

Divulgação Gov MS

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Mesmo com condições climáticas adversas, Mato Grosso do Sul deverá produzir este ano 106,55 milhões de toneladas de todos os produtos agrícolas (entre grãos, leguminosas, cana e outros), distribuídos por 7,35 milhões de hectares. Comparado aos dados de 2023, isso representa uma variação de -3% em relação a produção e +1,6% em relação a área colhida estimada.

Os números constam da Carta de Conjuntura Agropecuária, elaborada pela Coordenação de Estatísticas da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) com base nos últimos dados disponibilizados pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE) em Mato Grosso do Sul.

Na distribuição da produção pelas unidades da federação, Mato Grosso do Sul é o 5º maior produtor nacional de grãos, com participação de 8,16%, Mato Grosso lidera o ranking com (24,13%), seguido pelo Paraná (12,88%), Rio Grande do Sul (12,30%), Goiás (9,12%) e Minas Gerais (6,29%), que, somados, representaram 72,89% do total. Em relação as culturas, o relatório aponta que houve avanços nas estimativas da produção do amendoim 1ª safra e mandioca.

No que diz respeito a soja, em 2024 a produção deve ficar próxima de 13,589 milhões de toneladas, ocupando uma área de 4,013 mil hectares, representando uma variação em relação a 2023 de -4,30% e +3,30%, respectivamente.

No que diz respeito ao milho (2ª safra), a produção esperada é de 12,344 milhões de toneladas (-7,10%) e, para a cana-de açúcar, um volume de 71,791 milhões de toneladas.

Renda da produção

Por fim, a análise do Valor Bruto da Produção (VBP) da Agricultura nos dá uma dimensão em termos de renda gerada pelo setor. Em 2024, o VBP da Agricultura é estimado em R$ 43.741 bilhões, com uma variação de (-15,95%) frente ao ano de 2023.

Em 2024, para os principais produtos, os preços continuam baixo, pressionados pela expectativa de oferta mundial e a produção de grãos que havia atingido recorde de produção, este ano sofre com os efeitos associados ao El Niño.

Considerando o setor agropecuário estadual como um todo, a agricultura responde por 69,15% e, em relação ao ranking nacional, o MS se encontra na 7ª posição. Desagregando o VBP pelas culturas, o destaque vai para as colheitas de Soja e Milho, representando juntas 77,42% do VBP da agricultura.

Pecuária

No caso da Pecuária, o rebanho sul-mato-grossense estimado é de 18,310 milhões de cabeças (+2,79%), suínos com 1,80 milhões (+5,82%), aves com 114,4 milhões (-53,70%) e peixes com 925 mil (-40,09%). Em termos de evolução, a maior variação positiva foi observada para o grupo de ‘Bicho da Seda’, com +3.861,63% em relação ao mesmo período do ano passado (2023).

Nos últimos 12 meses o rebanho bovino variou em média +0,29% por mês, enquanto o suíno +0,49% e aves e peixes -5,64% e -3,86%, respectivamente.

No VBP, o Mapa prevê para a pecuária um valor de R$ 19,515 bilhões em 2024, o que representa uma variação de (+2,90%) comparado com o ano de 2023. Em relação ao setor agropecuário como um todo, a pecuária deve responder por 30,85% do VBP do setor estadual. No ranking nacional, por sua vez, o estado ocupa a posição de 7º entre as 27 Unidades da Federação.

Segundo a economista Bruna Mendes Dias, responsável pela elaboração do documento, a Carta de Conjuntura da Agropecuária é um importante instrumento para avaliar o desempenho do setor agropecuário em determinado período de tempo.

“Ela é elaborada pela SEMADESC, e tem como objetivo fornecer informações relevantes sobre a produção agrícola, a criação de animais e o valor da produção, dentre outros aspectos relevantes para o setor”, destacou.

Governo atrai investimento de citricultura ao Estado

A política de diversificação da base produtiva de Mato Grosso do Sul, implementada pelo Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), já apresenta resultados. Na última semana, em reunião com o governador Eduardo Riedel e o secretário Jaime Verruck, da Semadesc, o Grupo Cutrale anunciou investimento de R$ 500 milhões no plantio de 5 mil hectares de laranja no Estado.

O local que deve receber tal investimento é a Fazenda Aracoara, propriedade localizada às margens da rodovia BR-060, em área limítrofe entre Sidrolândia com Campo Grande. De acordo com a Cutrale, conglomerado de empresas que lidera as exportações brasileiras de laranja, a área será toda irrigada e contará com o plantio de cerca de 1.730 milhão de pés de laranja.

A previsão é de que o projeto é alcance com o tempo, num raio de 150 km da propriedade, 30 mil hectares plantados. Isso deve garantir o nível de produção que viabilizaria a instalação de uma futura indústria de processamento da laranja em suco em Mato Grosso do Sul – hoje o setor se concentra em São Paulo, e o território sul-mato-grossense surge como uma boa alternativa.

De acordo com o secretário Jaime Verruck, a diversificação da base produtiva sul-mato-grossense é uma política estratégica de desenvolvimento implementada pelo Governo do Estado.

“Nós iniciamos com o amendoim. Há três anos, nós impulsionamos o processo de introdução do amendoim em nosso Estado e, hoje, já temos cerca de 8 mil hectares plantados. Trouxemos a Casul, cooperativa de São Paulo, que está se instalando no município de Bataguassu para fazer o processamento do amendoim. A própria Casul está trabalhando junto aos produtores da Costa Leste do Estado e adjacências”, lembrou.

No caso da laranja, o Governo do Estado identificou uma oportunidade. Com o avanço e crescimento da doença greening em São Paulo e no Paraná, estima-se uma diminuição nos pomares desses dois estados.

“Identificamos que existia essa oportunidade de que essa laranja pudesse ser produzida em Mato Grosso do Sul, exatamente em função do greening. Nosso trabalho começou com um decreto de defesa vegetal, para evitar que essa doença entrasse em nosso Estado e isso já está bastante avançado. Nos próximos meses, vamos assinar um termo de acordo com a Fundecitrus, para desenvolver a cadeia produtiva da laranja em Mato Grosso do Sul”, comentou o titular da Semadesc.

Em paralelo a essas ações, o Governo do Estado iniciou contato com os investidores de São Paulo, na área da laranja, para que aproveitem essa oportunidade e se instalem em Mato Grosso do Sul.

“A Cutrale já havia iniciado, há cerca de dois anos, o plantio de 145 hectares de laranja em uma propriedade rural em Sidrolândia, a fim de verificar como seria o comportamento das variedades. Agora, a previsão é de que lancemos, ainda em abril, o nosso estadual de fruticultura, com um plano de ação específico para a citricultura”, informou Jaime Verruck.

O secretário reforça que o anúncio da Cutrale “foi importantíssimo, porque nós fechamos há poucas semanas um projeto de 1 mil hectares de laranja irrigada no município de Paranaíba e temos outro iniciando em Santa Rita do Pardo. Nesse momento, nós temos a sinalização de praticamente 6,5 mil hectares de laranja plantada em Mato Grosso do Sul, em sistema irrigado. E agora, a laranja está vindo em cima de uma plataforma de defesa vegetal que estamos implantando, a fim de evitar que a gente tenha o greening em Mato Grosso do Sul”.

Além da questão da defesa vegetal, o secretário Jaime Verruck lembra que “a citricultura vai bem nas áreas mais arenosas, com menor teor de argila e isso é importante. Como a laranja está vindo com sistemas de irrigação, nós temos aí uma perspectiva de investimentos altos, mas com alta produtividade. Por isso, colocamos os projetos de implantação de sistemas de irrigação como prioridade nas linhas de financiamento do FCO (Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Centro-Oeste). Também temos um desafio com relação à disponibilização de energia elétrica e, nessa questão, estamos trabalhando junto à Energisa”.


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